Epitácio "TACO" de Melo é destaque no Counter-Strike: Global Offensive
Epitácio "TACO" de Melo é destaque no Counter-Strike: Global OffensiveFoto: Twitter/TACO

Fama, vários títulos, representar o Brasil no exterior. Este poderia ser facilmente o panorama de um jogador de vôlei, de basquete. E é também de um astro dos eSports, nascido e criado em terras pernambucanas. Epitácio de Melo, o Taco, faz parte da melhor equipe de Counter-Strike: Global Offensive do mundo, a SK Gaming. Mestre nos tiros e granadas no estilo de jogo FPS (tiro em primeira pessoa, em inglês), ele falou sobre a carreira e a rotina de profissional dos esportes eletrônicos.

O recifense de 22 anos começou sua carreira no Brasil, na Dexterity Gaming no ano de 2014. Apenas um ano depois, iria desembarcar na canadense Luminosity Gaming, fazendo parte de uma formação histórica. Junto com Gabriel “FalleN” Toledo, Marcelo “coldzera” David, Fernando “fer” Alvarenga, ele conquistou o MLG Columbus 2016, nos Estados Unidos. A vitória em solo americano foi a primeira de muitas do quinteto, e quebrou um jejum de dez anos do Brasil sem títulos no Counter-Strike. O triunfo foi um ponto de certeza no caminho de Taco para ser um jogador profissional. “No começo da minha carreira eu era muito novo (18 anos) e não tinha certeza ainda do que eu queria fazer. Creio que meu sonho sempre foi fazer o que faço agora, mas na época não tinha ideia se era possível ou não”, afirma.

Porém, antes de chegar a toda essa fama, ele conta que foi preciso esforço para se dedicar integralmente aos eSports. “Apesar de minha mãe e familiares acharem loucura o fato de que eu estava gastando tanto tempo (tive que trancar minha universidade) e esforço num jogo, eles buscavam de alguma forma entender, mesmo que às vezes fosse difícil”, comenta.

Mas todo seu esforço valeu a pena. Desde a Luminosity chegando até a SK Gaming em 2016, ele acumulou vários títulos e hoje faz parte da melhor equipe do mundo, de acordo com o ranking da HLTV.org. Em 2017, já são três em sequência, incluindo o mais recente: o bicampeonato da ESL One Colônia, na Alemanha. Peça fundamental no quinteto vitorioso, o recifense está na faixa dos jogadores que ganham entre 15 e 25 mil dólares por mês como pro players. Toda esta “recompensa” vem através de uma uma rotina de treinos intensa, de seis a oito horas por dia, aperfeiçoando a mira e melhorando o entrosamento com o time.

O dia-a-dia exaustivo é um dos pontos abordados pelo jogador. Ao ser perguntado sobre as maiores dificuldades que vê hoje na vida profissional, ele destaca o calendário cheio.

 “Hoje creio que nossos maiores problemas são as várias longas viagens que a gente faz pelo mundo todos os meses (este mês viajamos para quatro países diferentes) não só ficar 14 horas no avião mas como a mudança de fuso horário (jet lag), o cansaço de um calendário cheio, muitos dias em hotéis e comendo em restaurantes ou fast foods... isso tudo parece e é legal no começo... até virar rotina”.

Morando em Los Angeles, onde fica a base da SK Gaming (apesar da organização ser alemã, muitos torneios são disputados nos Estados Unidos), a saudade é presença constante na vida de quem defende as cores do Brasil fora do País. No caso de Taco, ele conta que ainda estranha quando volta para Recife durante os períodos de férias, apesar de sentir falta dos familiares. “Infelizmente nosso País não é muito seguro. Não sei se consigo me acostumar de novo a sair na rua olhando pros lados com medo de ser assaltado e/ou perder meu celular ou minha carteira. Isso é algo que me perturba”, critica.

Seja em Los Angeles, Europa ou no Recife, a intenção do atleta é sempre representar o Brasil bem. Perguntado sobre as possibilidades de futuro, ele avalia: “Ainda tenho 8 ou 9 anos como jogador e penso apenas e somente em vencer, ajudar meu time e representar meu País da melhor forma possível. Nunca realmente pensei no meu futuro pós todos esses anos. Talvez treinador, quem sabe?”.

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