CBF convocou clubes para iniciar debates sobre calendário do futebol nacional
CBF convocou clubes para iniciar debates sobre calendário do futebol nacionalFoto: Lucas Figueiredo/CBF

Com o futebol suspenso por tempo indeterminado por conta da pandemia do novo coronavírus, o calendário do esporte mais popular do País ficou severamente comprometido. No Brasil, estaduais e regionais foram paralisados com dez datas em aberto, além de 11 da Copa do Brasil e as 38 do Campeonato Brasileiro. Sem perspectiva de retorno dos torneios, fica evidente que a resolução da temporada 2020 não será fácil. Enquanto isso, cresce o debate em torno do futuro das competições. Sugestões são colocadas à mesa e discutidas, mas mudanças sofrem resistência em meio ao temor por perda de receitas.

Entre as possibilidades levantadas nos bastidores para tentar desafogar o calendário, está a de encerrar os campeonatos estaduais de 2020 e já iniciar diretamente a disputa do Brasileirão. Evandro Carvalho, presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), no entanto, voltou a descartar a ideia. “A prioridade é o Estadual. Não temos nenhuma pretensão de anular a competição. Não importa a data que o futebol vai voltar, mas a certeza é que teremos a finalização dos estaduais”, afirmou.

Com essa indicativa do dirigente, fica difícil imaginar uma conclusão da temporada em 2020. Diante disso, chegou a correr nos bastidores a possibilidade da volta do sistema de mata-mata para o Campeonato Brasileiro. Tal fórmula de disputa perdurou no futebol brasileiro até 2002. O retorno ao formato, no entanto, não é visto como um caminho adequado para a principal competição do País, segundo cronistas desportivos ouvidos pela Folha de Pernambuco.

“Mesmo que eventualmente o campeonato termine no início de 2021, acho que a fórmula de disputa deve ser mantida como pontos corridos. Pelo andar da carruagem, fica difícil imaginar que o Brasileirão vá se ajustar até o fim do ano. Então, a melhor possibilidade seria que as última rodadas fossem disputadas em 2021”, afirmou o jornalista Cássio Zirpoli.

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O que mais inviabiliza um Brasileirão com mata-mata é a questão financeira. Os contratos assinados com Globo e Turner, detentoras dos direitos de transmissão do torneio, trazem um acordo que prevê a exibição de 38 jogos para cada equipe. Logo, se tiver menos jogos, obviamente o dinheiro recebido será proporcionalmente menor. Sabendo que a cota de televisão é uma das principais fontes de renda dos participantes da primeira divisão, fica muito difícil acreditar que os clubes aceitariam receber menos por uma mudança de fórmula de disputa. As próprias emissoras já se posicionaram contra a utilização de um novo sistema.

“A CBF precisa priorizar o Campeonato Brasileiro nos moldes atuais. É fundamental que seja disputado nos pontos corridos e que, caso seja necessário, entre pelo ano de 2021. O campeonato disputado só em um turno seria prejuízo para todos e não faz sentido. Com isso, acredito que se for para os estaduais e regionais serem sacrificados em detrimento ao Nacional, assim será feito”, afirmou Rafael Cabral, comentarista do podcast Os Caras da Bola.

De 1971 em diante, o Campeonato Brasileiro foi decidido no ano seguinte em seis oportunidades. A última vez que isso aconteceu foi exatamente há 20 anos. Na ocasião, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi impedida pela Justiça de organizar o campeonato de 2000 e decidiu passar a chancela para o extinto Clube dos 13, associação que tinha como como objetivo defender interesses políticos e comerciais dos seus membros, entre eles o Sport. A partir dai, tomou forma o maior nacional de todos os tempos no Brasil, a Copa João Havelange, que reuniu 116 equipes. A final foi disputada em 18 de janeiro de 2001 e teve o Vasco como campeão.

A Copa João Havelange, no entanto, é o único exemplo neste século de edição do Campeonato Brasileiro a ser decidida no ano posterior ao que começou. As outras ocasiões em que aconteceu isso foram 1988, 1987, 1986, 1977 e 1973.
As dúvidas sobre o que fazer com a temporada não se restringe apenas ao futebol brasileiro. Na Europa, o treinador do Olympique de Marselha, André Villas Boas, levantou a possibilidade do Velho Continente utilizar um calendário parecido com o do Brasil até a Copa do Mundo de 2022, que será disputada entre novembro e dezembro, no Catar.

Reunião

A CBF programou para dia 7 de abril uma reunião com a Comissão Nacional de Clubes, por videoconferência, para debater tabela de distribuição por performance e repactuação da divisão de valores e inicio das discussões sobre calendário.

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