Alexandre Travassos conta que já investiu mais de R$ 10 mil em botões
Alexandre Travassos conta que já investiu mais de R$ 10 mil em botõesFoto: Paullo Allmeida/FolhaPE

Quatro anos após o término da Ditadura Militar no Brasil, em 1989, eventos históricos aconteciam. Estados Unidos e Rússia ainda travavam uma disputa acirrada pelo mundo. Nesse pé de guerra, com 11 anos de idade, Alexandre ganhou o primeiro time de botão, o Jangamaica. Até hoje ele guarda as peças com carinho. Inclusive, em sua casa, o jogador reservou um cantinho só para o elenco. "Tenho esse time guardado a sete chaves até hoje. Não tem preço que pague. Já me ofereceram valores absurdos por ele e eu realmente não negocio".

Segundo o praticante, algumas peças chegam a custar em torno de R$ 1,8 mil. Colecionador há aproximadamente 30 anos, Alexandre conta que já investiu mais de R$ 10 mil em botões. "É aquela coisa que tem um apego pessoal, uma paixão e nada no mundo compra", afirma. A paixão por botões o levou a se aventurar desde criança nesse universo. Hoje com 41 de anos, o jogador já chegou a fabricar alguns tipos de botões. Os de quenga de coco e os de plástico eram os mais utilizados por ele na brincadeira de infância.



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“Na década de 80, o futebol de botão era muito forte. Toda criança tinha um time. Isso até o surgimento do videogame, que tirou um pouco o glamour, mas estamos fazendo um trabalho muito forte para recuperar isso”, ressaltou. Esse trabalho não se limita às redes sociais. Integrante da Liga Manguetown, em Paulista, Alexandre e os amigos se reúnem pelo menos uma vez por mês no Janga e em bairros do Recife para montar pequenos campeonatos. Alguns começam e terminam na mesma noite. Outros são estendidos e chegam a durar semanas.

“Chegamos a batizar os botões. Então, a gente consegue colocar no mesmo time Zidane jogando com Pelé, Magrão. Vamos criando essa identidade com o botão. Por exemplo, esse aqui é meu time, é meu craque e ele é inegociável, não tem valor que pague esse botão. A gente costuma dizer que o botão não tem coração, porque o coração um dia para de bater. O botão tem alma”, diz o colecionador.

No futebol de mesa é normal que os participantes troquem jogadores uns com os outros e construam uma identidade para o time. Essa padronização é criada principalmente através dos nomes dos atletas e do estilo de jogo. Thyeko Ruster, também praticante e colecionador, gosta de diversificar sua equipe. Ele joga com o Palmeiras, não aquele de São Paulo, mas um que o botonista mesmo criou e personalizou com novo escudo, em 1993. “Registrou, registrou. Às vezes você quer registrar o nome de um jogador José, e acaba que um amigo chega e diz que tem nome de Zezinho, aí fica esse nome”, conta sorrindo.

Para Ruster, além de ser um jogo de resgate da infância, o futebol de botão é também um esporte capaz de reunir o diferente numa mesma equipe. “Futebol é um esporte com nomes variados. No meu time tem Formiga, Marta. Na Liga Manguetown tem Mirela e Bábara, que são goleiras. Tem Mena, que é uma trans. A gente brinca com essa diversidade. Futebol encanta por conta disso”. É essa personificação que dá vida ao jogador e faz da modalidade um espetáculo que ultrapassa as quatro linhas da mesa.

Alexandre Travassos conta que já investiu mais de R$ 10 mil em botões
Alexandre Travassos conta que já investiu mais de R$ 10 mil em botõesFoto: Paullo Allmeida/FolhaPE
Liga Manguetown tem conseguido reunir vários adeptos em trabalho de resgate
Liga Manguetown tem conseguido reunir vários adeptos em trabalho de resgateFoto: Paullo Allmeida/FolhaPE
Liga Manguetown tem conseguido reunir vários adeptos em trabalho de resgate
Liga Manguetown tem conseguido reunir vários adeptos em trabalho de resgateFoto: Paullo Allmeida/FolhaPE
Liga Manguetown tem conseguido reunir vários adeptos em trabalho de resgate
Liga Manguetown tem conseguido reunir vários adeptos em trabalho de resgateFoto: Paullo Allmeida/FolhaPE

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