Paulino diz que adiamento foi a melhor decisão a ser tomada
Paulino diz que adiamento foi a melhor decisão a ser tomadaFoto: José Britto/Arquivo Folha

Londres-2012, o grupo fanático pelas modalidades olímpicas se mobiliza para comparecer assiduamente nas principais competições. É claro que a expectativa era alta para o maior evento esportivo de 2020. No entanto, o entusiasmo pela viagem diminuiu enquanto a crise humanitária gerada pelo novo coronavírus se alastrava pelo mundo e, consequentemente, afetava o universo do esporte. Após muita resistência, o Comitê Organizador Olímpico (COI) comunicou ontem o adiamento dos Jogos, sem surpreender quem acompanhava o passo a passo da história.

O pernambucano Paulino Limenha é um dos integrantes do grupo afetado pela decisão. Ele adquiriu os ingressos quando foram liberados para venda, em agosto do ano passado, sendo que as passagens já estavam compradas um mês antes. A despeito do sentimento de frustração, o coordenador de eventos aponta alguns pontos positivos para levar em conta. “É lógico que a gente conta os dias para chegar uma Olímpiada, mas a gente estava consciente que não ia ter o mesmo brilho. Primeiro porque as pessoas iriam estar com medo em um evento que traz alegria, união dos povos. Ainda estariam assustadas. Sem falar no aspecto financeiro, porque tudo ficou muito mais caro pra gente. Yen (moeda japonesa ) é baseado no dólar, então os hotéis já eram caros, ficaram ainda mais caros. A gente conta que, com o adiamento, a nossa economia se estabilize um pouco", aguarda.

Até o último fim de semana, o COI defendia a realização dos Jogos, mas acabou provocando mobilizações das federações nacionais e atletas. De acordo com Paulino, ele próprio e os amigos não aceitavam o pensamento da entidade. “O grupo é totalmente de acordo com o cancelamento, era o que nós estávamos esperando. A gente achava realmente um absurdo não cancelar, primeiro pela preparação dos atletas. Os Jogos não podem ser encarados simplesmente como jogos financeiros, eles são um acontecimento onde sempre vamos ver os atletas no seu máximo. E isso não ia acontecer”, disse.

Outra entusiasta dos esportes olímpicos, a carioca Stella Lisboa espera que a parte burocrática seja solucionada sem maiores problemas. “No meu caso em particular, a hospedagem era com cancelamento grátis, então não vai ter problema. A passagem, pelo que estou sabendo, as empresas estão sendo até coercíveis. Por exemplo, a nossa passagem era para o mês de julho, mais ou menos. A gente não sabe se vai ter que cancelar essa passagem agora e esperar comprar na data que eles divulgarem ou se vai conseguir remarcar desde já”, explicou.

As Olímpiadas nipônicas eram apontadas como a mais lucrativa da história. O PIB (Produto Interno Produto) deve sofrer um impacto negativo de 1,2% com o adiamento. Somente através de ingressos foram arrecadados US$ 800 milhões (R$ 4 bilhões). Ainda não foi definido como será a nova política de ingressos e devolução de dinheiro, mas, a princípio, quem comprou antecipadamente poderá reutilizar em 2021.

 

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