Márcio Goiano encontrará Náutico entre o céu e o inferno

Novo técnico do Náutico, Márcio Goiano encontrará clube dividido entre o sonho do acesso e o temido rebaixamento

Márcio Goiano será apresentado oficialmente hojeMárcio Goiano será apresentado oficialmente hoje - Foto: Marielly Dias/Comunicação Aparecidense

Ao desembarcar no Recife para assinar contrato com o Náutico, o técnico Márcio Goiano estabeleceu para si um dos maiores desafios da carreira. Com trabalhos de curto prazo em equipes do eixo Sul-Sudeste, com a exceção de um importante acesso à Série A com o Figueirense, em 2010, o treinador encontrará em 2018 um Timbu dividido entre o céu (sonho do acesso à Série B) e o inferno (risco de rebaixamento para a D). Com 12 jogos restantes na primeira fase, cada cenário tem suas possibilidades.

Lanterna do Grupo A da Série C, com apenas quatro pontos, o Náutico evita falar em uma possível queda. O foco está na parte de cima da tabela. De acordo com o site “Chance de Gol”, a equipe tem apenas 7,4% de possibilidades de terminar no G4 - números que mudam a cada jogo.

Pegando como exemplo as edições a partir de 2012, com o formato de 10 times por grupo, a média de pontos para ficar ao menos na quarta colocação é de 26,9. Nesse cálculo, quem completar 27 terá boas chances de avançar ao mata-mata. Agora com Márcio Goiano, o Náutico precisaria de mais 23 pontos dos 36 em disputa - um aproveitamento de 63,8%. Goiano, porém, tem uma estimativa mais modesta. “Ano passando teve clube (Confiança) que ficou entre os quatro primeiro com 25 pontos e outros que desceram com 20. A distância certas vezes é pequena. São 12 jogos que faltam e precisamos ganhar pelo menos sete”, frisou.

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Em cinco dos 11 casos estudados, porém, um clube precisou fazer mais do que o número acima para ficar no G4 - os dados excluem o Grupo A de 2013, que teve mais rodadas por contar com 11 e não 10 equipes na chave. Segundo o “Chance de Gol”, seria preciso terminar com 31 para ter 99% de probabilidade de passar de etapa.

Para escapar da degola, a média dos últimos seis anos indica que o Náutico precisaria ao menos alcançar 19 pontos. Analisando historicamente apenas os números do Grupo A, com times do Norte/Nordeste, a estatística aumenta para 20,2. Arredondando, a indicação é que 21 pontos são o ideal. No caso dos pernambucanos, seria preciso fazer mais 17 - pelo menos cinco vitórias e dois empates. Um desempenho de 47,2%. O “Chance de Gol” é mais exigente: seriam necessários 23 pontos para um clube se safar sem riscos. Atualmente, o perigo de queda à Série D do Timbu é de 39,1%.

É nesse contexto que Márcio Goiano tentará tirar o Náutico da zona de rebaixamento para depois recolocar o clube em uma possível luta pelo acesso. O treinador será apresentado oficialmente hoje e em seguida comandará seu primeiro trabalho com os atletas. Os pernambucanos entram em campo no domingo, contra o Globo/RN, na Arena de Pernambuco, pela sétima rodada do Grupo A.

Tricampeão pernambucano como jogador pelo Sport entre 1997 e 1999, Márcio Goiano explicou que seu perfil como atleta mudou um pouco após assumir o cargo de treinador. “Na época de jogador, eu era bem enérgico, mas como técnico você convive com muitos atletas e cada cabeça é diferente. Se eu tiver que ser mais agressivo, serei. Se precisar ser mais cauteloso, também posso ser. Os técnicos são gestores também. Procuro conversar com eles e lidar com cada um da melhor maneira”, concluiu.

Respaldado

O vice-presidente de futebol do clube, Diógenes Braga, explicou a escolha por Goiano. “Traçamos um perfil do treinador que queríamos. Alguém que tivesse rodagem, que fosse um treinador tático, com boa gestão de grupo. Ele se encaixou. Monitoramos bastante a Aparecidense (último clube do técnico) na Copa do Brasil porque ela poderia ser uma de nossas adversárias. A organização tática do time chamou atenção e decidimos evoluir com as conversas até fechar”, detalhou.

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