Maré “braba” e crise acentuada no Arruda

Instabilidade no Arruda aumenta, técnico pede para sair e funcionários, sem receber há cinco meses, cruzam os braços

Levantamento de Álvaro Porto registra cerca de 300 nomeações de novembro até agoraLevantamento de Álvaro Porto registra cerca de 300 nomeações de novembro até agora - Foto: JARBAS ARAÚJO/Alepe

As chances são mínimas, mas a frieza dos números matemáticos ainda dá chance para o Santa Cruz evitar a degola na Primeira Divisão. Na prática, a sensação no clube é de rebaixamento consumado. On­tem, o vice-presidente Constantino Júnior concedeu uma entrevista coletiva para - em resumo - se desculpar pela pífia campanha do Tricolor, nesta Série A do Campeonato Brasileiro. Apesar do tom de lamentação, houve espaço para um discurso envolto da esperança no futuro, já com a Série B em mente. Sem paciência para promessas, no entanto, estão os funcionários do clube, que decretaram greve por conta de cinco meses de salários atrasados, além do (ex) técnico Doriva, que, também sem receber, pediu as contas.
O Santa Cruz tem, até o momento, o segundo pior aproveitamento entre os outros 19 concorrentes no Nacional. Os 24% foram construídos com seis vitórias, cinco empates e 21 derrotas - ou seja, mais de um turno só acumulando reveses). “A gente não pode se desanimar. Se a gente ficasse na Série A, seria um dos melhores anos da história do Santa Cruz (por conta dos títulos da Copa do Nordeste e do Pernambucano).

Acreditamos que existiram erros nas contratações, mas o déficit financeiro também atrapalhou o fato de a gente atingir as nossas metas”, disse Constantino Junior.
O responsável por conduzir o Tricolor nessas seis rodadas finais do Brasileiro será Adriano Teixeira. Ele permanecerá como interino até a chegada do novo comandante coral. O auxiliar-técnico substituiu Doriva, que entregou o cargo e se despediu do clube ontem. “Vamos analisar o mercado antes de contratar o novo técnico do Santa Cruz para 2017”, destacou. Em relação aos reforços, eles dependerão do aval deste novo treinador.

 “Vai pesar a palavra dele em contratações. Não podemos buscar desesperadamente.

 O perfil está sendo debatido. Precisamos ser cirúrgicos.”
A manhã de protestos dos funcionários corais também entrou na fala de Constantino Júnior. “Nasci praticamente aqui. Meu pai foi dirigente, fui mascote do clube, líder de torcida. Sofro junto com eles porque conheço muitos dos funcionários. O clube também buscou a situação de profissionalizar os setores, mas existiram dificuldades. Algumas situações não foram concretizadas, como patrocínios, fornecedor de camisa, bloqueios sucessivos. Tudo atrapalhou, mas eu confio nas pessoas e sei que isso vai ser resolvido.

 Certamente é uma maré braba, mas que vai passar.” O Santa Cruz também deve três meses de salários aos atletas.
Como medida para tentar frear a greve dos funcionários, a diretoria do Santa Cruz realizou uma operação financeira que trouxe R$ 50 mil para os cofres corais. Com o dinheiro, o presidente Alírio Moraes distribuiu “vales” de R$ 500 para cada um dos trabalhadores com salários mais baixos no Arruda. “Não vamos aceitar e estamos mobilizados para fazer com que ninguém aceite. Esse valor não chega nem perto do que nos devem”, disse um funcionário, que pediu para não ser identificado. Segundo este trabalhador, a paralisação continuará por tempo indeterminado.
O Santa Cruz terá uma outra reunião com os credores na próxima semana, quando tem a expectativa de receber a outra parte do repasse da Conmebol pela participação na Copa Sul-Americana. O valor vai ajudar a quitar parte da dívida com os funcionários e com o elenco, há três meses sem receber.

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