Mário Sérgio aliou brilho a polêmicas

Desde 2012, o ex-jogador atuava como comentarista do canal Fox Sports, pelo qual cobriria a primeira partida da Copa Sul-Americana, na Colômbia.

Deputado garantiu que haverá tratamento republicano, independente da coloraçãoDeputado garantiu que haverá tratamento republicano, independente da coloração - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

O carioca de 66 anos, que estava no avião que levava a delegação da Chapecoense à Colômbia e caiu, ontem, passou por 13 equipes como jogador - teve duas passagens pelo Internacional; sua carreira nos gramados foi de 1969 a 1987. Ele também disputou oito partidas pela seleção brasileira.Como técnico, comandou 11 times, o último deles em 2010, o Ceará.
Desde 2012, o ex-jogador atuava como comentarista do canal Fox Sports, pelo qual cobriria a primeira partida da Copa Sul-Americana, na Colômbia. Ele tinha contrato com a emissora até a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Muito habilidoso, Mário Sérgio era apelidado de “Vesgo” enquanto jogava, por sua capacidade de dar passes precisos para um lado enquanto dirigia o olhar para outro.
Foi um dos principais meias de sua geração e teve como seu auge o título brasileiro invicto de 1979 pelo Internacional, ao lado de Falcão e Batista.
Pelo arquirrival colorado, o Grêmio, também conquistou outro título importantíssimo: o Mundial Interclubes de 1983, em vitória sobre o Hamburgo.
Muitas vezes, seu talento só perdia para o temperamento forte e a indisciplina. Foi o estilo rebelde que o afastou da Seleção Brasileira, pela qual atuou poucas vezes.
Mário Sérgio fez parte da preparação da Seleção Brasileira para a Copa de 1982, porém acabou desligado da equipe no último corte antes do torneio. Um dos episódios que ajudaram a cunhar sua fama se deu quando defendia o São Paulo. Em 1979, deu tiros para o alto com um revólver para afugentar torcedores do São José que tentavam atrapalhar a concentração da equipe tricolor antes de uma partida no Vale do Paraíba.
Segundo Mário Sérgio, as balas eram de festim. Depois, ele se disse arrependido do que fez. Não havia mais o que pudesse fazer para apagar, porém: estava decretada sua alcunha de “Rei do Gatilho”.
O meia era viciado em corridas de cavalo. Enquanto defendia o Internacional, ficou famosa uma ida relâmpago ao Jóquei Clube de Porto Alegre depois de partida contra o São Paulo. Mário Sérgio costumava dizer que atletas são como cavalos e precisam ser bem tratados para terem desempenhos desejados.
Na sua passagem pelo Palmeiras, foi pego em exame antidoping pelo uso de anfetamina. Foi suspenso por 90 dias. Toda a controvérsia em torno de sua carreira não apagou a admiração de outros ídolos do esporte. Falcão ajudou a levar Mário para o Inter que marcou época no final da década 1970. “Além da capacidade técnica, foi uma liderança importante para aquele time de 1979. Tecnicamente, foi o melhor jogador que eu vi. Era um absurdo o que ele fazia com a bola”, disse.
“A tragédia em si é muito forte. Ali não morrem só as pessoas, morrem sonhos. Sonhos de uma geração de jogadores. No caso da Chape, era para ser campeão da Sul-Americana, o maior momento da história do clube. É inexplicável”, complementou.
Um dos maiores nomes da história da Seleção Brasileira fez coro. “Como jogador, foi um dos craques da história do futebol brasileiro. Irreverente, de personalidade forte e habilidade própria, que deixa um legado de muita qualidade”, disse o tricampeão mundial Jairzinho.

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