Mauro Fernandes, senhor de boas escolhas da Patativa

Timoneiro de campanha histórica, técnico edificou futebol com total respaldo da diretoria do Central

Treinador teve que se virar com pouco na brilhante campanhaTreinador teve que se virar com pouco na brilhante campanha - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

O principal nome da campanha histórica do Central no Campeonato Estadual é o técnico Mauro Fernandes. Velho conhecido do futebol pernambucano, o experiente comandante, de 64 anos de idade, faz sucesso na Capital do Forró em sua primeira passagem por um clube intermediário de Pernambuco após ter dirigido o Trio de Ferro na carreira. O mais curioso é que, 20 anos depois de voltar para o Estado, o profissional eliminou o favorito Sport, onde viveu o auge da sua vida em 1998 ao conquistar o título estadual, e colocou o clube de Caruaru pela primeira vez na final em 99 anos de existência. Com a classificação para a grande decisão, é difícil conter a euforia, mas humildade é a palavra de ordem no Lacerdão.

“Mauro Fernandes foi o responsável pela montagem do grupo. A contratação dos jogadores passou pelo crivo do treinador. A diretoria entregou o futebol para ele, que, com responsabilidade, fez um time organizado e competitivo. Somos gratos por suas escolhas”, declarou o presidente Clóvis Lucena, aclamado para o biênio 2018/2019 ainda no mês de setembro do ano passado. Segundo o mandatário, a folha salarial do elenco gira em torno de R$ 120 mil. Ele também revelou que encontrou o clube atolado em dívidas, ainda sentidas.

“Tivemos muitas dificuldades quando assumimos no dia 2 de outubro do ano passado. Eram débitos enormes e resolvemos algumas situações na justiça. Fizemos parcerias e acordos para negociar essas questões. Não tínhamos nada e estávamos zerados”, contou o cartola, que relembrou o início difícil da trajetória até o momento de sucesso. 

“Antes de contratar Mauro Fernandes, montamos uma direção de futebol e outra social. Trouxemos diretores e gerentes capacitados. No dia 12 de dezembro do ano passado, os jogadores e a comissão técnica começaram a chegar. Depois de muita dificuldade, conseguimos encaixar o time e hoje estamos na final. Algo inédito. Ficamos surpresos como não existia futebol numa cidade do tamanho de Caruaru, que está em festa. A torcida tem nos ajudado bastante. O incentivo dela vai fazer com que a gente conquiste esse tão sonhado título”, declarou.

Da geração antiga de treinadores, desde 1984 em atividade, Mauro Fernandes é a maior referência da Patativa na temporada. Ele aceitou o desafio pelo projeto dos caruaruenses, que tentam retomar o posto de quarta força pernambucana, hoje ocupado pelo Salgueiro. Inclusive, o Carcará pode ser finalista pela terceira vez - perdeu em 2015 para o Santa Cruz e no ano passado para o Sport - nas quatro últimas edições caso leve a melhor na semifinal contra o Náutico.

Diferentemente de outros anos, quando apostava em atletas rodados, o Alvinegro do Agreste montou um elenco repleto de caras desconhecidas. O mais “rodado” é o volante Eduardo Êre, formado nas categorias de base do Náutico. Outros destaques do time são o volante Fernando Pires, o meia Júnior Lemos e o atacante Leandro Costa, vice-artilheiro do campeonato, com seis gols.

Entrevista - Mauro Fernandes (técnico do Central)

"Não chegamos à toa na final"

Em entrevista à Folha de Pernambuco, Mauro Fernandes detalhou o seu trabalho, avaliou a relação entre veteranos e jovens técnicos no futebol e ainda falou da expectativa para a final do Campeonato Pernambucano. 

Comando

“Quando o Central me convidou, sabia que encontraria obstáculos. E pensei assim: é na dificuldade que se demonstra a capacidade. O clube me deu uma oportunidade de provar que tenho potencial. Desde que o trabalho foi iniciado, o nosso primeiro objetivo era ficar no G4 na primeira fase para ter a vantagem de jogar em casa o mata-mata. Terminamos na segunda colocação e empatados com o Náutico, que foi o líder devido ao número de gols marcados. Passamos com propriedade tanto pelo América nas quartas de final quanto pelo Sport nas semifinais. Temos nossos méritos e não chegamos à toa até a final do Estadual. O nosso clube procura fazer as coisas certas.”

Experiência

“A própria carreira proporciona momentos e voltei para Pernambuco porque o campeonato estadual é atraente. Digo até que a idade não importa por conta que o estudo no futebol é universal. As pessoas ainda precisam entender isso. Quando iniciei minha trajetória como treinador, tinha 30 anos. À época, fui rejeitado pelo fato de me considerarem muito novo. Isso é uma mentalidade arcaica.”

Decisão

“Um título estadual para a cidade de Caruaru seria importante. Independente do adversário, seja Náutico ou Salgueiro, podemos levantar a taça e vamos lutar por isso até o fim. Quero dar essa conquista para o interior pernambucano.”

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