Medina confirma favoritismo e é bi mundial de surfe

Ao passar para a final do Billabong Pipe Masters, Gabriel Medina assegurou o segundo título mundial de surfe

Gabriel Medina é bicampeão no Mundial de SurfeGabriel Medina é bicampeão no Mundial de Surfe - Foto: Brian Bielmann/AFP

Com performances dignas de melhor do mundo, o paulista Gabriel Medina, de 24 anos, tornou-se bicampeão da divisão de elite do Circuito Mundial de Surfe nesta segunda-feira (17). Considerado uma referência de técnica e talento da atual geração da modalidade, Medina levantou a taça do tour pela primeira vez em 2014, colocando o Brasil de vez como força no cenário internacional. 

O bicampeonato saiu antes mesmo do encerramento do Billabong Pipe Masters, quando ele venceu o sul-africano Jordy Smith em uma semifinal emocionante. Por ter vantagem na pontuação em relação ao principal concorrente na disputa, o australiano Julian Wilson, bastava ele chegar à final que garantiria o título. Mas Medina queria mais. Queria o título de uma etapas mais tradicionais do surfe mundial. Queria vencer em Pipeline.

Em 2014, após também comemorar o título mundial antes do término da etapa, ele enfrentou Julian Wilson na decisão e ficou com o vice. Em 2015, foi derrotado na final pelo então campeão mundial Adriano de Souza. Dessa vez, enfim, ele pôde levantar o troféu do Billabong Pipe Masters após uma final eletrizante novamente com Julian Wilson. Venceu por 18.34 (8.77 + 9.57) contra 16.70 (7.93 + 8.77). Assim, encerrou a temporada fazendo barba, cabelo e bigode - campeão do mundo, campeão do Pipe Masters e maior somatório do evento (10 + 9.43), contra Conner Coffin nas quartas de final. 

   Trajetória

A campanha de Gabriel Medina até chegar ao bicampeonato evidenciou a importância da regularidade dentro do Circuito Mundial. O pior resultado dele na temporada foi um 13º lugar na primeira etapa do ano, na Gold Coast australiana, que teve como campeão justamente Julian Wilson. Depois disso, foi terceiro em Bells Beach, também na Austrália, e quinto no Rio de Janeiro. Em Bali, na Indonésia, teve o seu segundo pior resultado em 2018, uma nona colocação. Depois, foi quinto em Uluwatu, também na Indonésia, e em Jeffrey’s Bay, na África do Sul. Até então, mesmo sem ter título em etapas, Medina figurava no top 5 do ranking mundial, fruto da consistência em estar sempre chegando nas fases finais dos eventos.

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Na segunda metade do tour, ele cresceu absurdamente de produção, repetindo o que tem acontecido nos últimos anos. Foram dois títulos em sequência, em Teahupoo (Taiti) e no Surf Ranch (Califórnia), e dois terceiros lugares, em Hossegor (França) e Peniche (Portugal). Ele, que já figurava entre os primeiros, deu um salto na classificação e assumiu a liderança abrindo uma vantagem confortável para depender apenas dos seus resultados para ser campeão. E caiu no mar havaiano deixando claro que não seria fácil tirar esse título dele.

   Caminho no Pipe Masters

Tanto Medina quanto Julian Wilson, que se tornou seu principal adversário na corrida pelo título, estrearam com vitória no Round 1 do Billabong Pipe Masters. Medina derrotou o qualifier havaiano Benji Brand e o australiano Connor O’Leary, enquanto Julian venceu o brasileiro Tomas Hermes e outro qualifier da casa, Seth Moniz. Filipe Toledo, até então também na briga pelo título, viu Matt Wilkinson vencer no Round 1 acabou indo para a repescagem. Em um Round 2 tenso, ele venceu Brand e seguiu vivo.

Dos três, o primeiro a ir para o mar no Round 3 foi Medina, que fez o confronto mais disputado desta fase contra Seth Moniz. O havaiano pegou bons tubos e liderou a maior parte do confronto. Com uma frieza ímpar, o brasileiro soube esperar as melhores oportunidades e conseguiu a virada. Julian Wilson competiu logo depois e, mesmo sem o seu melhor surfe, passou por Miguel Pupo. Na última bateria da terceira fase, Filipe enfrentou ninguém menos que Kelly Slater, onze vezes campeão do mundo e sete vezes vencedor em Pipeline. Embora tenha mostrado evolução em ondas maiores nesta temporada, Filipe não conseguiu superar a experiência do norte-americano e acabou eliminado.

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A disputa pelo título, então, ficou entre Medina e Julian Wilson. O primeiro superou o Round 4 sem muitas dificuldades, dominando do início ao fim a bateria contra Sebastian Zietz (HAV) e o taitiano Michel Bourez. Já Julian Wilson abriu sua bateria na frente, mas foi ultrapassado por Yago Dora. Pressionado, saiu do line up de Pipeline para tentar algo diferente em Backdoor. Conseguiu um belo tudo, mas acabou espremido na saída, então resolveu voltar para Pipe e terminou a bateria com ameaça real de uma eliminação. O também australiano Joel Parkinson precisava de 6.45 para avançar na segunda colocação e tirar o compatriota do evento e da briga pelo título mundial, mas passou 11 minutos na água e, mesmo tendo a prioridade, não desceu em nenhuma onda. Pelo contrário. Foi Julian Wilson quem tentou trocar nota nos minutos finais.

Nas quartas, Medina mais uma vez foi para a água antes de Julian Wilson, contra Conner Coffin (EUA). O norte-americano começou a bateria em ritmo intenso, ganhando a prioridade na remada e pegando dois excelentes tubos em sequência. Em pouco tempo, deixou Medina na combinação, precisando de 14.26 pontos, e uma torcida inteira tensa. O brasileiro, nas primeiras tentativas, somou míseros 1.33 e 0.93. Faltando cerca de 15 minutos para soar o fim da bateria, contudo, Medina mostrou mais uma vez o que o faz ser diferenciado. Em cinco minutos, não só saiu da combinação como pegou as duas melhores ondas do evento, a segunda delas um tubo perfeito de backside que valeu o primeiro 10 do Billabong Pipe Masters 2018, e deixou o adversário precisando somar 19.44. A partir daí, ninguém mais trocou nota. Na sequência, Julian Wilson mais uma vez fez a sua parte, garantindo também vaga nas semifinais ao bater Joan Duru. 

Contra um Jordy Smith de olho no título da tríplice coroa havaiana, Gabriel Medina não teve vida fácil. Sólido, com um surfe seguro, o sul-africano abriu a bateria com duas notas altas (7.33 e 8.50). Medina respondeu de imediato com um 7.17 e, pouco tempo depois, arrancou um 9.10 que lhe deu a liderança. Jordy ainda encontrou mais um bom tubo, mas não o suficiente para trocar nota. Os minutos finais foram de tensão, com o sul-africano em prioridade e poucas ondas no horizonte. Mas o desfecho foi com festa verde-amarela na água e na areia. 

   Top 5

1º - Gabriel Medina (62.4920 pontos)
2º - Julian Wilson (57.585)
3º - Filipe Toledo (54.450)
4º - Italo Ferreira (43.070)
5º - Jordy Smith (36.440) 

 

 

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