"Meu trabalho está no meio do caminho", diz Dal Pozzo

De alma lavada após título da Série C, Dal Pozzo revela à Folha sonhar com mais um acesso para coroar ciclo vitorioso no Náutico: "probabilidade é grande"

Gilmar Dal Pozzo, técnico do Náutico Gilmar Dal Pozzo, técnico do Náutico  - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Comedido em sua postura, o técnico do Náutico, Gilmar Dal Pozzo, mostrou recentemente uma nova faceta de sua personalidade: a da extrema alegria. O "padre", apelido do treinador, foi um dos mais empolgados na festa do título da Série C. Pulando em cima do ônibus, erguendo a taça aos gritos de campeão e extravasando tudo que podia após o alívio de ver seu maior objetivo em 2019 atingido. Mas ele é categórico: "meu trabalho está no meio do caminho". A metade final que falta do projeto é o acesso à Série A. E ninguém melhor do que o treinador que conseguiu duas subidas de divisões seguidas com a Chapecoense para tentar o feito. Em entrevista à Folha de Pernambuco, Dal Pozzo elogiou a atual gestão alvirrubra, reforçou a importância dos Aflitos na campanha e frisou como será o modelo de trabalho em 2020. "Hoje, ninguém conhece o clube tão bem como eu".

Primeiro título nacional

Momento único. Procurei extravasar toda a emoção. Tudo que trabalhamos e construímos, tanto as dificuldades como as alegrias. Vi o torcedor comemorando porque eu lembrava de alguns lances e da vibração da torcida. Valeu a pena todo o choro, todas as noites sem dormir.

Diferenças de 2015 e 2019

Procurei fazer cursos para aperfeiçoar o aprendizado e evoluir. Em 2015, na minha primeira passagem, fiquei a um ponto da Série A. Cheguei faltando 12 rodadas na Série B e tive um aproveitamento excepcional porque aquela gestão me deixou trabalhar. No outro ano, em 2016, era outra diretoria. Foi feito um planejamento, com um grupo bom de jogadores, mas ali interromperam o trabalho. Se tivessem deixado do início ao fim, talvez hoje estaríamos em uma situação ainda melhor, até na primeira divisão.

Gestão

Ela foi determinante. Totalmente diferente da minha última passagem. Eu ocupava meu tempo com a estratégia de jogo porque a diretoria me deixou bem tranquilo quanto ao pagamento de salários em dia, estrutura e outras situações. O trabalho dessa gestão é de excelência, deixando que o papel do treinador seja o de potencializar o trabalho no campo, fazendo as variações táticas e estudando o adversário.

Equilíbrio


Tudo na vida tem o seu momento. Quando cheguei, eu vi que aqui havia muita euforia na vitória e depressão na derrota. Gosto muito do equilíbrio porque sou muito ponderado. Vivo intensamente todos os momentos, mas sabia da responsabilidade de colocar o Náutico entre o melhores clubes do Brasil. Série C é muito difícil e os atletas precisavam entender essa ideia, com mentalidade forte. Não apresentamos tanto um grande futebol. O importante não era dar espetáculo, mas passar de fase. Foi assim contra o Paysandu, depois diante do Juventude e na final contra o Sampaio Corrêa.

Pênaltis decisivos

Passou um filme na minha cabeça. Como ex-goleiro, eu me lembro de perder alguns campeonatos nos pênaltis. Sempre disse que não é sorte, mas sim capacidade. Após o jogo contra o Santa Cruz (última rodada da primeira fase), nós começamos a treinar penalidades porque eu percebi um enfrentamento igual entre os clubes, aumentando a probabilidade de a vaga ser decidida nas cobranças. Não só orientei Jefferson como também os atletas da linha sobre as posturas dos goleiros adversários. A característica do camisa 1 do Paysandu era diferente em comparação ao do Juventude. Dos dez pênaltis que cobramos, nós só erramos um e foi o que Álvaro escorregou. Estudamos muito. Meu conhecimento de ter sido goleiro e de também já ter batido penalidades ajudou no momento.

Aflitos

Voltar a jogar nos Aflitos, com essa torcida apaixonada, foi importante. Se for para resumir um momento marcante lá, eu diria a partida do Paysandu. Estávamos perdendo por 2x0 em um jogo que valia o acesso e o torcedor nos ajudou até o empate e a vitória nos pênaltis. É um trabalho conjunto que funcionou muito bem e que não tivemos isso antes (na primeira passagem, Dal Pozzo comandou o Timbu na Arena de Pernambuco).

Meio do caminho

Entramos para a história do clube, mas não tenho pretensão de competir com outros técnicos, como Muricy Ramalho. O torcedor é que pode fazer essa avaliação. Eu cheguei para colocar o Náutico no lugar devido dele e ainda estou no meio do caminho para finalizar esse trabalho. Completei 50 jogos, com 27 vitórias, 13 empates e 10 derrotas. Um aproveitamento de 64%. Na Série A, isso significaria ficar entre os três primeiros. Mas vale citar que isso aconteceu porque a gestão e a diretoria acreditaram no projeto e me deixaram trabalhar até o fim.

Renovação e planejamento para 2020

Nenhum técnico conhece tanto o clube nesse momento, os jogadores, a torcida e a diretoria (como eu). É a sequência de um trabalho. Sou também o único treinador com dois acessos seguidos da Série C para Séria A na mesma equipe. Isso é por conta do modelo de gestão de futebol. A probabilidade que isso aconteça (novo acesso seguido) é grande. Acredito que vamos ter 70% do grupo que participou da campanha e, depois, vamos buscar no mercado atletas para vestir essa camisa. Faremos ainda um planejamento estratégico, observando como entraremos em cada campeonato.

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