Modelo de clube-empresa abrange cases de sucesso e fracasso

Red Bull Bragantino, atual líder da Série B é exemplo bem-sucedido. Já o Figueirense apresentou inúmeros problemas ao adotar o modelo

Figueirense viveu pesadelo após atletas se recusarem a jogar por conta dos salários atrasadosFigueirense viveu pesadelo após atletas se recusarem a jogar por conta dos salários atrasados - Foto: Patrick Floriani/FFC

O Brasil está entre os dez países com os maiores torneios nacionais do mundo, mas, da lista, é o único que não aderiu integralmente ao projeto clube-empresa. Ainda assim, algumas instituições seguiram esse caminho, com consequências distintas. Em 2017, a holding Elephant comprou 95% das ações do Figueirense, comprometendo-se a pagar R$ 85 milhões em dívidas. O acordo, válido por 20 anos, também previa que a empresa ficaria com o lucro obtido pela parceria, repassando 5% para os catarinenses. A promessa de modernizar a gestão de futebol virou pesadelo.

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A empresa comandada por Claudio Honigman fez o Figueirense acumular dívidas. Em agosto deste ano, por conta dos salários atrasados, os atletas se recusaram a entrar em campo contra o Cuiabá, pela Série B, e o Figueira perdeu por W.O. A equipe está na zona de rebaixamento do torneio, com risco de queda à Série C.

O Botafogo/SP, desde 2018, é comandado pela Trexx Holding, empresa que detém 40% das ações do clube. De lá para cá, o time conseguiu um acesso à Série B, brigando neste ano por uma vaga na Série A 2020. O Red Bull Bragantino é o atual líder da segunda divisão e maior “case de sucesso” do modelo clube-empresa no Brasil. Em abril deste ano, os paulistas firmaram a parceria com a companhia de energéticos, que comanda outras três equipes na Áustria, Alemanha e Estados Unidos. A empresa tem trabalhado no pagamento de dívidas da instituição, focando na ampliação do estádio Nabi Abi Chedid e na construção de um Centro de Treinamento.

No Nordeste, o Bahia se tornou uma Sociedade Anônima há 21 anos quando o Banco Opportunity adquiriu 51% das ações do clube, mas o acordo terminou meses depois por conta do baixo rendimento nos gramados. O Vitória virou empresa em 2000, após a Exxel Group adquirir a maioria das ações. Sete anos depois, o Conselho Deliberativo do Leão deu fim à sociedade.

No passado, outras equipes brasileiras já firmaram tipos de parcerias com fundos de investimento. Entre 1992 e 2000, a Parmalat, empresa do ramo alimentício, ajudou o Palmeiras a sair de um longo jejum de títulos com a compra de vários jogadores como Edmundo, Rivaldo, entre outros. Anos depois, a Traffic e a Crefisa também foram fundamentais na formação de elencos valiosos. O Corinthians firmou acordos com a Excel-Econômico e a MSI. Outros exemplos anteriores são as duplas Fluminense/Unimed, Flamengo/ISL e Vasco/Nations Bank.

Coritiba
A Justiça do Paraná determinou no fim de setembro a penhora das ações do Coritiba Futebol S.A., empresa criada pelo Coritiba Foot Ball Club. Ela tem como patrimônio a exploração de marca da agremiação e como finalidade gerir seu futebol profissional e o estádio Couto Pereira. O clube alviverde não corre o risco de perder o controle de seu futebol, mas a penhora pode dar ao credor acesso ao patrimônio da empresa.

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