MP investiga tumulto na Ilha do Retiro

Juizado do Torcedor solicitou abertura de inquérito para apurar responsabilidade sobre confusão que deixou mais de 60 feridos

Torcedores ficam feridos em confusão no jogo Sport x Santa CruzTorcedores ficam feridos em confusão no jogo Sport x Santa Cruz - Foto: Anderson Stevens / Folha de Pernambuco

Um dia após o tumulto ocorrido no Clássico das Multidões, disputado na última quarta-feira (7), na Ilha do Retiro, a sensação que ficou foi a de que alguns pontos acabaram soltos. O principal: o sinalizador, objeto teoricamente responsável pelo início da confusão, ainda não teve a sua localização apontada.

Por conta disso, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abriu inquérito ontem para apurar a movimentação dos torcedores e a conduta da Polícia Militar. Segundo o promotor do Juizado do Torcedor, José Bispo, é necessário fazer uma investigação para analisar todos os comportamentos. Bom lembrar que a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) confirmou para a próxima quarta-feira, na Ilha, o Sport x Santa Cruz, que valerá vaga nas semifinais do Estadual, às 21h45.

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“Tudo deve ser esclarecido. Solicitamos o inquérito para saber como tudo aconteceu. Quais torcedores provocaram a confusão? E esse sinalizador? Até agora ninguém o encontrou”, disse o promotor do Juizado do Torcedor, José Bispo. “Temos a Federação Pernambucana (de Futebol) com responsabilidade objetiva, os clubes também com essa responsabilidade, e a polícia com responsabilidade pela segurança. Vou requisitar os vídeos do Sport e da imprensa”, completou.

Na confusão ocorrida no Clássico das Multidões dezenas de torcedores do Santa Cruz ficaram feridos, muitos deles sendo atendidos na beira do gramado, enquanto outros foram levados para Unidades de Pronto Atendimento (UPA) no Recife. No momento da confusão, outro questionamento foi levantado: por que a partida não foi encerrada, tamanha gravidade da situação? De acordo com Evandro Carvalho, presidente da FPF, a opção de dar continuidade ao jogo é meramente objetiva. Para o dirigente, as autoridades adotaram um procedimento padrão universal. A Polícia Militar, por sua vez, não viu excessos na ação.

“Não se trata de uma decisão subjetiva da FPF ou da PM. Não é um achismo pessoal, isso é uma diretriz técnica, um plano de ação que existe em todo o Brasil, para toda vez que ocorre algum incidente desses. O evento continua porque faz parte do plano de ação, da diretriz técnica operacional”, explica. “Se não existe risco de morte, se o atendimento está fluido, o evento tem que reiniciar o mais rápido possível. Liberar pode proporcionar o ‘efeito boiada’, que provoca tumultos, boatos, correria, atropelamento e acidentes fora do local e pode congestionar o atendimento que vem de fora”, detalha.

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“Quando o espetáculo é reiniciado, o público descongestiona a área. A federação, mais uma vez, digo, cumpriu uma diretriz técnica. Você só evacua o local com risco de morte e com o local sujeito a novos incidentes. Se o perímetro estava isolado e as pessoas sendo atendidas, a conduta técnica era reiniciar imediatamente”, reforça Evandro. “Você tem todas as razões do mundo para continuar ou para não continuar. Parar o jogo dificulta a chegada e saída de atendimento.”

Na visão da FPF, ainda não é possível tecer críticas quanto à atuação da polícia no tratamento com a torcida do Santa Cruz, antes que um relatório detalhado seja preparado. “Hoje de manhã conversamos com a polícia e ela está averiguando isso. Temos que esperar o resultado deles. Quem tem o expertise são eles, não nós. Apesar de eu ter sido delegado, coordenador de segurança, não posso dar uma opinião técnica. Existe uma conduta e eles são treinados para isso. Nossa polícia de choque é uma das melhores do Brasil, mas ninguém é perfeito. E nosso corpo de policiais está detectando condutas indevidas para não haver mais problemas do tipo. A gente tem que esperar o relatório para saber melhor o que aconteceu”, reitera.

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