Mundo da bola em lágrimas

Queda de avião na Colômbia mata praticamente toda a delegação da Chapecoense e deixa o futebol de luto

Luciano SiqueiraLuciano Siqueira - Foto: Reprodução/Facebook

Quantas antíteses cabem dentro da Chapecoense? O “pequeno-grande” clube de Santa Catarina entrou para a história. Pela glória e tragédia. O choro de felicidade com a fantástica classificação à final da Copa Sul-Americana mistura-se com lágrimas de tristeza após o acidente aéreo ocorrido na madrugada da última terça (29) na Colômbia, que vitimou 71 pessoas, entre jogadores, membros da comissão técnica do clube e jornalistas que fariam a cobertura da decisão do torneio diante do Atlético Nacional. A espantosa ascensão no futebol brasileiro só não foi mais meteórica do que a despedida daqueles que ajudaram a colocar o nome do time no cenário continental. Adversários respeitavam a instituição, desconhecidos sentiram a dor de amigos e familiares dos mortos. Quem estava longe, estava perto. Clubes de todas as cores ficaram apenas verdes. Hoje, a Chape está mais fraca e mais forte. Está ferida, mas cada vez mais viva. Perdeu guerreiros e ganhou admiradores. O sonho de conquistar a América foi interrompido, mas o Brasil já abraçou a Chapecoense.

Foi na simplicidade que a Chapecoense, de apenas 43 anos de idade, começou a conquistar o País. Em Chapecó, pequena cidade catarinense, o clube era uma extensão do seu povo. O “lugar onde se avista o caminho da roça”, significado do nome do município, tentava alcançar um horizonte além das plantações rurais que desenhavam a região. Desde 2014, o “Verdão do Oeste” virou sinônimo de gestão eficiente. Foram três anos consecutivos na Série A, com orçamentos modestos, elencos sem estrelas, mas com uma valentia que proporcionou epopeias inéditas para grandes clubes, como a final da Sul-Americana.

Tema de metáforas que demonstravam como o futebol ainda podia ser surpreendente sempre que um clube modesto alcançava feitos antes improváveis, a Chapecoense ganhou a admiração do Brasil. Era uma espécie de “xodó” nacional. Infelizmente, seu reconhecimento teve como ápice uma tragédia. Equipes que viveram fatalidades parecidas no passado, como Manchester United/ING, Torino/ITA e Alianz Lima/PER demonstraram apoio.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) adiou a final da Copa do Brasil, entre Grêmio e Atlético/MG, além da última rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. A Chapecoense enfrentaria o Galo no domingo, na Arena Condá. A entidade ainda decretou um luto de seis dias. O Atlético Nacional foi além. Fez um pedido à Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) para que a Chape seja declarada campeã do torneio.

Personalidades do esporte e clubes de todos os lugares prestaram suas homenagens à Chapecoense. Um sentimento que fez com que a distância entre Chapecó e qualquer parte do mundo virasse um mero detalhe. Por um dia, a cidade de 166 mil habitantes passou a ter milhões de “moradores” atordoados com a catástrofe.

Mais do que a vida de dezenas de pessoas, o voo que saiu de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, à Medellín, na Colômbia, carregava sonhos. Dos atletas, que buscavam um título inédito ao clube catarinense. Dos dirigentes, que trabalharam fora das quatro linhas para mostrar que uma boa gestão pode superar qualquer adversidade. De profissionais da Imprensa, ansiosos em levar a emoção do evento ao público. O mundo perdeu mais uma batalha para a fatalidade. Infelizmente, não a última. Mas em casos como esse, serve de alento a força da compaixão, da solidariedade e da empatia de todos. A Chapecoense sairá mais forte. Por ela, pelos que foram e por todos que estão ao seu lado.

 

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