Museu Dirceu Paiva: abnegação em prol da memória do Santa
Professor trabalha como voluntário no espaço que preserva a centenária história do Santa Cruz, localizado na sede social do clube
Da paixão familiar nasceu a inspiração de um torcedor. As referências recebidas dos irmãos mais velhos sobre o Santa Cruz fizeram um professor formado em História e Direito se apaixonar pelo clube. Desde que morava no interior de Pernambuco, em Vertentes, a 188 km do Recife, Esequias Pierre admirava o Tricolor do Arruda. Mas o amor em preto, branco e vermelho cresceu em 1994, quando passou a residir na capital. De lá pra cá, aproximou a sua relação com o Santa frequentando as arquibancadas e, há quase seis anos, se tornou voluntário da Sala de Memória Dirceu Paiva.
“Sempre tive muita vontade de estar próximo do Santa Cruz. Em 2011, resolvi frequentar mais a sede social, onde conheci outros tricolores. Fui me aproximando de alguns espaços do clube por ser torcedor e sócio, além de ir a campo”, conta o colaborador, de 33 anos.
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Fundado em 1983, o museu já rodou pelas dependências do estádio, mas hoje fica situado na sede social - desde 2014 - e funciona sempre nas terças e quintas e aos sábados. O espaço reúne um acervo com troféus, quadros, faixas, fotos de times inesquecíveis, camisas e objetos diversos, tanto do futebol profissional como dos esportes amadores. Tudo passa pelas demais modalidades e pelo surgimento da agremiação. Ao todo, há de 3 a 4 mil peças expostas pela sala.
“O nosso trabalho vai além de abrir o espaço. A gente faz pesquisas para acompanhar o ano a ano do clube: datas importantes, títulos emblemáticos, jogos marcantes e campanhas históricas. Além disso, somos responsáveis por toda a preservação do acervo, desde a limpeza à organização. Já digitalizamos os documentos, fotografamos todas as taças, além do tombamento. Temos todo o material catalogado e por isso há uma noção mais exata dos registros”, relata Esequias Pierre.
Dirceu Paiva, que dá nome ao museu e hoje está com 88 anos de idade, também conta com a ajuda de mais cinco voluntários: Edvaldo Leite, Edésio Oliveira, James Leonardo, Williams Ribeiro e Luiz Felipe Moura. Assim como Esequias Pierre, todos eles se dedicam ao trabalho de resgatar e valorizar a história do Santa Cruz.
“Existe uma preocupação com as pesquisas, uma delas é a da primeira metade do Santa, que, de forma geral, nem o próprio clube conhece. Trabalhamos com duas frentes, a da atualidade para trás e de 1914 pra frente. Antes do Arruda, por exemplo, tivemos outros três campos, além de uma dezena de sedes. O nosso estádio foi inaugurado em 1972, mas começou a receber jogos na década de 60. É importante levantar as raízes e os princípios fundadores”, destaca Pierre.
Este ano, a Sala de Memória Dirceu Paiva chegou a receber cerca de 2 mil pessoas em um fim de semana. Entre elas, ex-jogadores, familiares dos atletas, estrangeiros e excursões de escolas. A presença dos visitantes é o que alegra os colaboradores no dia a dia.
“Tenho duas responsabilidades. A primeira é a de receber o torcedor como ele precisa ser recepcionado, com carinho, atenção e dedicação. A gente tenta criar uma ponte entre a torcida e o museu, que está diretamente vinculado ao executivo. Pra mim é uma satisfação dar essa oportunidade aos torcedores, até porque sou um deles. A outra é por ser formado em história e gostar de exercer a minha profissão. Tento fazer com que os visitantes dialoguem com a história do Santa e entendam a dimensão do clube. São dois sentimentos antagônicos”, comenta Esequias Pierre.
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