NBB chega à 'adolescência'

Sem a Globo, Os jogos da temporada 2018/2019 serão exibidos em seis plataformas, quatro canais de televisão

Lance entre Bauru x Paulistano, na abertura no NBB 2017/2018Lance entre Bauru x Paulistano, na abertura no NBB 2017/2018 - Foto: João Pires/LNB

Neste sábado (13), quando se inicia a 11ª temporada do NBB (Novo Basquete Brasil), o principal torneio de basquete do país entra numa nova fase de sua existência.

Para João Fernando Rossi, presidente da Liga Nacional de Basquete, entidade que organiza a competição, ela hoje se encontra à porta da sua adolescência. O começo de alguma independência e rebeldia está associado principalmente ao novo modelo de transmissão das partidas.

Após o encerramento de um contrato de dez anos com o Grupo Globo, a liga abriu concorrência e optou pela diversificação de seus parceiros.

Os jogos da temporada 2018/2019 serão exibidos em seis plataformas, quatro canais de televisão (Band, BandSports, ESPN e Fox Sports) e dois serviços de streaming, no Twitter e no Facebook. Na TV fechada, acaba a exclusividade do SporTV, canal da Globosat.

Segundo Rossi, empresário de 53 anos que está à frente da liga desde o fim de 2016, outro sinal de maturidade é que as equipes do NBB estão mais profissionais e prontas para oferecer um bom pacote de entretenimento ao público.

Ainda assim, ele reconhece que é necessário avançar na gestão. Após lotar o ginásio e ir aos playoffs na última temporada, o time de Caxias do Sul (RS) desistiu de participar desta edição por falta de verba. Situação semelhante ameaçou o Basquete Cearense, única equipe do Nordeste, que conseguiu permanecer.

O presidente também comentou a vontade da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) de passar a organizar a divisão de acesso do NBB, atualmente de responsabilidade da liga, a partir de 2020.

Neste sábado, a bola sobe às 13h35 para o jogo de estreia, com uma reedição da final entre Paulistano e Mogi das Cruzes. A Band transmite a rodada dupla, que ainda terá o confronto entre Brasília e Vasco da Gama.

Modelo de transmissão

"A transmissão multiplataforma democratiza muito a chegada dos jogos aos fãs de basquete. É inédito no esporte brasileiro, e a gente espera que esse modelo possa seguir para outras modalidades, ser uma referência. O Grupo Globo ajudou na reconstrução do basquetebol brasileiro dez anos atrás e foi importante para essa nova visão pela qual o basquete está passando. O não fechamento com o Grupo Globo [para esta temporada] não quer dizer que houve um rompimento. Por razões comerciais, decidimos ir para a multiplataforma."

"A Liga Nacional de Basquete quer muito que o público tenha a experiência de entretenimento esportivo, não só do jogo de basquete. O acordo com as emissoras passa também por conteúdo diário nos noticiários. O basquete estará sendo falado em três canais fechados, um aberto, no Twitter e no Facebook. Acho que assim conseguiremos, um pouco por vez, massificar e colocar na cabeça do torcedor que o basquete é bacana."

Momento do NBB

"A multiplataforma e a maneira como a liga e alguns clubes estão trabalhando profissionalmente, compartilhando boas práticas de venda de ingressos, entretenimento na quadra e conforto do torcedor, fazem com que as coisas melhorem. Pode ser que a gente esteja entrando na adolescência, já temos alguns clubes que podem servir de exemplo para outros. A vida adulta seria, na minha vontade, se tornar o primeiro esporte no Brasil, para ter uma fatia maior da mídia e dos patrocinadores."

Situação das equipes

"A gente sabe muito bem que a liga não está 100%, com a fotografia ideal que ela deveria estar. Isso faz parte do amadurecimento do basquete e do esporte olímpico em geral. Acho que estamos avançando, equipes estão se fortalecendo, mas ainda tem esse avanço para conquistar, e isso sempre vai ser através do entretenimento esportivo, de uma boa experiência do público nas arenas e na televisão."

Nível técnico do torneio

"O basquete de forma geral nunca esteve tão exposto quanto está agora, a credibilidade da modalidade voltou, e agora o próximo passo é os clubes realmente formarem cada vez mais atletas e com mais alto nível para ter um campeonato mais forte, tecnicamente falando. Torcemos muito para que a nova gestão da confederação e as federações possam promover campeonatos de base, onde se faz a formação de novos atletas."

Divisão de acesso

"Hoje estamos em um padrão muito alto da Liga Ouro. Esperamos poder ajudar a CBB [a organizar o torneio], mas ao mesmo tempo que ela mantenha esse padrão de qualidade: campeonato de quatro a cinco meses, com 10 a 12 clubes, no qual a gente tem a expectativa de que seja o pulmão do basquete brasileiro.

A confederação está se comprometendo a fazer um campeonato desse nível ou melhor. Se realmente fizer, estaremos muito felizes e tranquilos. Se ela não fizer, vamos sentar à mesa e discutir outra vez a forma de acesso ao NBB."

Com 7 times, São Paulo domina a competição

A temporada regular do NBB começa neste sábado (13) e vai até o fim de março. As 14 equipes se enfrentam em turno e returno, e as 12 melhores avançam para os playoffs. Dessas, as quatro primeiras entram nas quartas de final, e as demais disputam as oitavas de final.

Confira os times participantes:

São Paulo
Sendi/Bauru Basket
Corinthians
Franca Basquete
Mogi das Cruzes/Helbor
Paulistano/Corpore
Esporte Clube Pinheiros
São José Basketball

Rio de Janeiro
Botafogo
Flamengo
Vasco da Gama

Minas Gerais
Minas Tênis Clube
Santa Catarina
Joinville/AABJ

Ceará
Basquete Cearense

Distrito Federal
Universo/Caixa/Brasília

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