Sáb, 07 de Março

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No centro de abismo, Nordeste tenta aparar balança

Estudo publicado pela CBF, intitulado "Impacto do futebol brasileiro", detalha a ainda presente disparidade econômica entre regiões do País

Santa e Náutico no Clássico das EmoçõesSanta e Náutico no Clássico das Emoções - Foto: Léo Lemos/Divulgação/Náutico

Recorde de representantes no modelo de pontos corridos do Brasileirão, com quatro clubes. Dois deles na Copa Sul-Americana 2020. Estado (Ceará) da região com maior média de público da Série A. O ano de 2019 trouxe momentos de protagonismo ao Nordeste. Mérito ainda maior ao se observar a disparidade econômica entre os nordestinos e os participantes do eixo Sul-Sudeste. Intitulado "Impacto do futebol brasileiro", o relatório publicado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), elaborado pela consultoria Ernst Young, analisou o impacto do futebol brasileiro na economia em 2018, apresentando vários dados sobre instituições e atletas. A Folha de Pernambuco separou alguns pontos do extenso estudo para demonstrar o ainda presente abismo entre as condições das equipes de cada região e a luta para tentar equilibrar a balança.

De acordo com a pesquisa, o Brasil possui 360.291 atletas, sendo 347.487 do gênero masculino e 12.804 do feminino. Porém, 75% são amadores. Entre os profissionais, os clubes arcaram ao todo com R$ 1 bilhão em salários em 2018 - a pesquisa não considerou os direitos de imagem, o que aumentaria ainda mais os números. A divisão, porém, é bem desproporcional. Apenas 7% dos jogadores concentram 80% da quantia citada acima. Em média, um jogador da região Sudeste recebe R$ 15 mil por mês, concentrando o total de 64% das quantias pagas no esporte. No Nordeste, são R$ 4 mil. O Norte tem os vencimentos mais baixos (R$ 1,2 mil).

“A concentração de renda, tanto no Sudeste como no Sul, faz com que os clubes maiores ‘sequem’ outras regiões. O reserva do Palmeiras ganha mais do que o titular de outros clubes. Sem falar que, mesmo com novo modelo de distribuição de cotas para a TV aberta, mais equilibrado que o anterior, a diferença ainda é grande por conta do formato de divisão de valores do pay-per-view”, explicou o jornalista Cássio Zirpoli.

Outro dado geral chama atenção: 55% dos atletas profissionais recebem aproximadamente R$ 1 mil e outros 33% ganham até R$ 5 mil. Apenas 13 jogadores têm na carteira de trabalho salários acima de R$ 500 mil. Vale citar que o futebol brasileiro movimentou R$ 52,9 bilhões em 2018 - o que representa 0,72% no PIB do País, gerando 156 mil empregos diretos. Ao todo, o Brasil tem 1.430 clubes ativos, sendo 874 profissionais e 556 amadores. Desses, apenas 88 são geridos por empresas - em Pernambuco, um exemplo disso é o Retrô FC.

Gestões organizadas, investimento na estrutura e resultados dentro de campo formam a tríade do crescimento dos nordestinos. Fortaleza e Bahia são os dois maiores exemplos. Classificados à Sul-Americana e presentes na Série A, a dupla tem previsão de orçamento de R$ 109 milhões e R$ 179 milhões, respectivamente, em 2020. Os números ainda ficam abaixo dos esperados para outros clubes do eixo Sul-Sudeste, mas servem de inspiração para que mais integrantes da região consigam compensar o desequilíbrio nos recursos.

Dados sobre economia no futebol brasileiro

Dados sobre economia no futebol brasileiro - Crédito: Arte


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