O ano de Gabriel Jesus

Jovem artilheiro está prestes a conquistar o título nacional pelo Palmeiras, fechando uma temporada perfeita em início de carreira

Presidente nacional do PT, senadora Gleisi HoffmannPresidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann - Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

 

Por ironia do destino ou simples coincidência, o melhor relacionamento de 2016 entre um jogador e sua seleção começou a ser construído, indiretamente, no Dia dos Namorados. Mas o início foi conturbado para um dos lados. Em 12 de junho deste ano, o Brasil era eliminado da Copa América Centenário pelo Peru, após derrota por 1x0. O País vivia uma crise também nas Eliminatórias, correndo risco de ficar fora do Mundial de 2018. Na mesma data, o Palmeiras, de Gabriel Jesus, vencia o clássico paulista diante do Corinthians, pelo mesmo placar. O técnico do Timão era...Tite. As histórias, antes distintas, se entrelaçaram. Meses depois, os personagens estariam todos juntos. Um, diga-se, merece uma atenção especial. Assumir a camisa 9 do Brasil era um responsabilidade antes impensada para um garoto de 19 anos. Mas, com apenas seis jogos disputados e cinco gols marcados, dificilmente existirá alguém que conteste a escolha de Gabriel Jesus para a missão. Das boas surpresas que o ano reservou para o futebol brasileiro, sem dúvida ele foi uma das melhores.

Foi no Pequeninos do Meio Ambiente, time amador de Tremembé, em São Paulo, que Gabriel Fernando de Jesus, com apenas oito anos, começou a mostrar seu talento. De início, foi colocado como zagueiro. Mas bastou ter a bola no pé para que os treinadores percebessem sua aptidão real. A guinada aconteceu em 2012. Jogando no Anhanguera, o atacante chamou atenção do Palmeiras em um amistoso. Fez um teste, foi aprovado e ficou no Verdão.

Com a marcação acirrada da mãe, Verá Lúcia, Gabriel conseguiu completar os estudos até o ensino médio, mas desde cedo mostrou que seu futuro não estava ligado aos livros. No Paulistão sub-17, o jogador marcou 37 gols em 22 jogos. No ano seguinte, recebeu uma oportunidade no time principal alviverde, na época comandado por Oswaldo de Oliveira. O técnico foi econômico na hora de ceder espaço ao atacante, embora sofresse forte pressão dos palmeirenses. Há quem diga que a calma do técnico em lançar o jogador foi o motivo da sua saída. Com Marcelo Oliveira, Gabriel Jesus se firmou na equipe principal e ajudou o clube na conquista da Copa do Brasil.

O ano de 2015 já teria tudo para ser um dos mais importantes para Gabriel. O de 2016, contudo, superou. De promessa, o atacante virou realidade. Principal nome do Palmeiras na temporada, o jogador está próximo de levantar outra taça pelo clube, a do Brasileirão. No torneio, o camisa 33 (outra coincidência que poderia soar como uma alusão à idade em que o outro Jesus , o Cristo, morreu) marcou 12 gols em 25 partidas. Pelo Verdão, no geral, já são 28 tentos em 83 confrontos. Tamanho desempenho chamou atenção do Manchester City, da Inglaterra, que o comprou por R$ 121 milhões.

O sucesso com a camisa verde foi repetido com a amarela. Ausente nas listas de convocação do técnico Dunga, Gabriel Jesus ganhou a primeira oportunidade na Seleção nos Jogos Olímpicos Rio-2016. Embora não tenha conseguido repetir as grandes atuações do Palmeiras no Brasil, o atleta acabou ganhando uma oportunidade na equipe principal após o ouro olímpico. Uma das decisões mais acertadas do técnico Tite.

Logo na estreia pelo Brasil, Tite tinha uma dúvida: Gabriel Jesus ou Gabriel Barbosa. Foi o primeiro que começou jogando. Após 90 minutos e dois gols marcados na vitória por 3x0 contra o Equador, o jovem agarrou a camisa 9 e não largou mais. É um coadjuvante de luxo para Neymar - em algumas partidas, roubando até o protagonismo.

Do futuro, sabe-se apenas que o atleta começará 2017 como titular absoluto da Seleção Brasileira e grande novidade da segunda metade do campeonato inglês. Gabriel parece não sentir o peso da responsabilidade. Algo natural para quem é acostumado a ter o sobrenome mais famoso da história.

 

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