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O "cara" da J-League tem raízes em Pernambuco

Esqueça Iniesta e Podolski: ex-Santa, Patric conquista nipônicos e mantém vivo sonho de defender seleção japonesa

Patric tem contrato com o Salgueiro, mas descarta voltar ao BrasilPatric tem contrato com o Salgueiro, mas descarta voltar ao Brasil - Foto: Divulgação

Ele é o grande destaque e artilheiro da J-League, campeonato nacional do Japão. Pensou em Iniesta? Fernando Torres? Podolski? Nada disso. O “cara” na Terra do Sol Nascente é um centroavante nascido no Amapá e com passagens pelo futebol pernambucano - já defendeu as cores do Santa Cruz, Vitória/PE e tem contrato vigente com o Salgueiro. Aos 31 anos, Patric vive a melhor fase da carreira do outro lado do mundo e sonha em vestir a camisa da seleção. A brasileira? Não, a japonesa.

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Patric foi revelado pelo Paysandu e defendeu clubes como Vasco, Vila Nova e Atlético/GO. Em Pernambuco, sua primeira passagem foi pelo Santa Cruz. "Eu era novo e, como passei por categorias de base, ainda tinha algumas deficiências. Mas guardo boas recordações", contou. A fase goleadora começou mesmo na Série A2 do Pernambucano de 2009, pelo Vitória, ao terminar como artilheiro do torneio. O jogador também mostrou seu faro para balançar as redes no Goiano, pelo Dragão. Desempenho que abriu suas portas na Ásia, em 2013. "Um empresário japonês queria pegar um centroavante do Brasil. Eu não era a primeira ou segunda opção, mas como não conseguiram acertar com outros nomes, eles me levaram", disse.

O início no futebol japonês não foi fácil. “Fui para o Kawasaki Frontale. Em meu primeiro treino, o campo estava coberto de neve e a temperatura era de -1ºC. Também precisei aprender o idioma. Tive poucas oportunidades e acabei emprestado ao Ventforet Kofu”. A média de gols aumentou e, após uma rápida passagem pelo Fortaleza, Patric seguiu para o Gamba Osaka, em 2014.

“Em seis meses, nós saímos da zona de rebaixamento e ganhamos a liga nacional e mais dois títulos”, destacou. Bem adaptado ao Japão, o jogador começou a sonhar com o próximo passo, a naturalização para poder defender a seleção nipônica. Eram precisos cinco anos com o visto de trabalho de forma ininterrupta para conseguir uma vaga. Uma lesão em 2016, porém, interrompeu temporariamente o sonho de ter dupla nacionalidade.

“A torcida e a Imprensa me apoiavam muito e falavam dessa possibilidade. Mas daí veio a lesão no ligamento cruzado do joelho direito. Fiquei parado uns seis meses e, quando voltei, já estava próximo do fim do contrato. O clube não quis renovar e perdi o visto”, lamentou.

A volta forçada ao Brasil teve como destino o Salgueiro. “Fizeram um contrato longo comigo. Tenho mais dois anos de vínculo e, desde então, estou sempre renovando meu empréstimo para continuar no Japão”. No Carcará, o atleta passou alguns meses, voltando em seguida para o Sanfrecce Hiroshima.

“Fiquei sem marcar nos primeiros quatro jogos, mas depois o time se encaixou e os gols começaram a sair. O futebol japonês evoluiu muito. Por isso Iniesta e Torres vieram para cá. Não é só mais velocidade. Tem técnica e disciplina. Aqui, eles seguem tudo que o treinador manda. Se pede para jogar na direita, eles ficam lá. No Brasil, o técnico pedia isso e o cara jogava na esquerda e no centro. Eu também preciso ajudar na marcação e não ficar somente lá na frente. A filosofia deles é: se perder a bola, corra para recuperar."

Patric retribuiu a confiança dos japoneses com gols, virando artilheiro e ajudando seu time a ocupar a liderança do campeonato. Com 20 gols anotados na temporada, divide com (ex-Corinthians) o topo do ranking de goleadores. Mas o amapaense também balançou as redes fora de campo. Em julho deste ano, o brasileiro ajudou em ações para arrecadar dinheiro para famílias que ficaram desabrigadas após fortes chuvas em Hiroshima.

"A torcida tem um carinho grande por mim. Eles respeitam bastante e ficam com vergonha até para pedir foto. Também tratam com carinho meu filho, Felipe, que joga na escolinha do clube. Até bonecos meus fizeram de presente. Por isso eu digo que não tenho intenção de voltar ao Brasil. Já recebi algumas propostas, mas nem sequer ouvi. Meu sonho é ficar no Japão e jogar pela seleção”.

Para não precisar esperar mais cinco anos de visto, Patric tenta um plano B. “O técnico do Japão (Hajime Moriyause) foi quem pediu minha contratação ao Sanfrecce. Agora a expectativa é que ele me convoque e solicite, junto à federação japonesa, que minha naturalização seja acelerada. Esse é meu maior sonho. Quero retribuir tudo que o Japão fez por mim”, finalizou.

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