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Dono de forte relação com Pernambuco, Maracanã celebra 70 anos

Um dos maiores símbolos do futebol mundial inclui capítulos marcantes que envolvem o Estado

Estádio do MaracanãEstádio do Maracanã - Foto: Yasuyoshi Chiba / AFP

No dia 16 de junho de 2020, o estádio do Maracanã completa 70 anos de sua inauguração. Em 1950, pouco antes do início da Copa do Mundo, o antigo jornal Diário da Noite estampou uma manchete com tom profético sobre o palco. "Hoje: presente régio à cidade. De onde pontapés famosos abalarão os desportistas do Mundo". O templo de futebol mais famoso do planeta receberá incontáveis homenagens por essa marca. Aqui, porém, a ideia é colocar um sotaque diferente nessa celebração do septuagenário gigante carioca. Afinal, desde o nome oficial que carrega, até a história de atletas e clubes locais que fizeram época lá no Rio de Janeiro, o Maracanã também tem um pouco de Pernambuco.

Mário Filho

Estádio Municipal do Maracanã foi o nome oficial de 1950 a 1966. Depois, passou a se chamar Estádio Jornalista Mário Rodrigues Filho. Uma homenagem ao pernambucano que foi um dos maiores cronistas esportivos do Brasil, irmão de ninguém menos do que Nelson Rodrigues. Mário foi um grande entusiasta do projeto de criação do local, contrariando o então deputado federal Carlos Lacerda, que defendia a construção de um palco mais modesto, em Jacarepaguá/RJ.

O recifense usou seu dom com as palavras para, por meio de artigos na imprensa, convencer os cariocas de que o ideal seria fazer um centro esportivo com capacidade para 150 mil pessoas, tornando-se o maior do mundo. Para muitos, foi do "criador das multidões", como era chamado, a origem do termo "Fla-Flu" para designar o clássico entre Flamengo e Fluminense. “Mario Filho foi tão grande, que deveria ter sido enterrado no Maracanã", disse Nelson.

 

Trio de Ferro

Náutico, Santa Cruz e Sport já tiveram ao longo do tempo capítulos importantes no estádio. Em 1967, o Timbu pisou no gramado do Maracanã para decidir com o Palmeiras a terceira partida da final da Taça Brasil  - os demais encontros foram na Ilha do Retiro e no Pacaembu. O título ficou com os paulistas, mas os pernambucanos saíram do Rio de Janeiro com a conquista da vaga na Libertadores da América do ano seguinte.

Em 1975, nas quartas de final do Brasileiro, o Santa Cruz eliminou o Flamengo ao vencer o rubro-negro por 3x1. “Foi um jogo empolgante. Aquele time do Santa era muito bom e ganhou com autoridade, com dois gols de Ramon e um de Volnei. Quando chegou no Recife, teve até uma carreata no aeroporto”, relembra o jornalista Lenivaldo Aragão. A Cobra Coral foi a quarta colocada na edição, caindo na semifinal para o Cruzeiro.

Há quem diga que a rixa entre Sport e Flamengo, famosa após a polêmica quanto ao título de 87, começou cinco anos antes. Em partida que valia vaga nas quarta de final do Brasileiro de 1982, os cariocas ganharam no Maracanã por 2x0. Na volta, os pernambucanos venceram por 2x1 na Ilha do Retiro, mas que poderia ter sido 3x1 se a arbitragem não anulasse incorretamente o tento que daria vaga ao Leão. 

Craques

Não faltam craques pernambucanos na história do Maracanã. O goleiro Manga, ídolo do Sport, também teve passagem vitoriosa pelo Botafogo. E ainda tem uma história curiosa no estádio, mas que não deve trazer boas lembranças. Em 1965, durante amistoso com a Seleção Brasileira contra a então União Soviética, ele cobrou um tiro de meta curto. A bola resvalou em um atleta adversário e entrou no gol do brasileiro. Nada, porém, que tenha manchado a grande carreira do camisa 1.

Dos gramados pernambucanos aos cariocas, também saíram os atacantes Vavá e Ademir Menezes. Ambos fizeram história no Vasco da Gama, com Ademir, o "Queixada", vestindo ainda a camisa do Fluminense. "Nessa época existia ainda um atleta chamado Almir Pernambuquinho, que jogou no Vasco, Flamengo e fez história no Santos. Era chamado de 'Pelé Branco'", relembrou Aragão. Outros pernambucanos que desfilaram talento no Maracanã foram Rildo, Ricardo Rocha e Juninho Pernambucano.

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