O que é o esqui de montanha, nova modalidade que estreia nos Jogos Olímpicos de Inverno
Modalidade, também chamada de esqui-mo, entra no programa com provas rápidas e foco em resistência, técnica e transições decisivas
Os Jogos Olímpicos de Inverno ganham uma nova modalidade em Milão-Cortina: o esqui de montanha, conhecido internacionalmente como esqui-mo. A estreia marca a inclusão oficial do esporte no programa olímpico e amplia o leque de disputas na neve com provas que combinam subida, descida e trocas rápidas de equipamento, exigindo preparo físico e precisão técnica.
O calendário olímpico contará com três provas: sprint masculino, sprint feminino e revezamento misto. As disputas foram desenhadas para privilegiar intensidade e dinamismo, com percursos curtos e alto grau de exigência física, conforme detalhado pela CNN.
Das origens ancestrais ao palco olímpico
Embora seja novidade nos Jogos, o esqui de montanha tem raízes antigas. Surgiu como meio de locomoção em regiões nevadas dos países nórdicos e da Sibéria, muito antes da popularização do esqui como prática recreativa. O uso de peles de foca presas à base dos esquis, que aumentam a tração nas subidas, tornou-se elemento central da técnica.
A modalidade também tem histórico ligado ao meio militar. Durante a Segunda Guerra Mundial, patrulhas de montanha utilizavam o deslocamento com esquis em terrenos nevados, prática que deu origem à patrulha militar — precursora do biatlo moderno. Com o tempo, o esporte se estruturou de forma competitiva, especialmente nos Alpes, a partir do fim do século XIX.
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A Federação Internacional de Esqui de Montanha foi criada em 2007. O reconhecimento pelo Comitê Olímpico Internacional ocorreu em 2016, seguido da participação nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2020. Em julho de 2021, a inclusão no programa olímpico foi confirmada, culminando na estreia em Milão-Cortina, segundo a CNN.
Como funcionam as provas
Na prova de sprint, seis atletas competem simultaneamente em baterias que duram entre três e quatro minutos. O trajeto inclui uma subida com peles de foca, um trecho em que os competidores caminham carregando os esquis nas mochilas e uma descida final em slalom. O desnível vertical gira em torno de 100 metros, e as transições — momento de colocar ou retirar as peles e ajustar o equipamento — podem decidir o resultado em frações de segundo, de acordo com os organizadores dos Jogos.
No revezamento misto, equipes formadas por um homem e uma mulher se alternam em quatro voltas em percurso mais longo e exigente. Cada volta reúne duas subidas e duas descidas, combinando resistência, técnica e sincronização. As zonas de transição concentram os momentos mais intensos, com trocas rápidas e contato frequente entre competidores. Penalidades por conduta antidesportiva estão previstas, embora sejam raras.
Diferentemente do esqui alpino tradicional, o esqui-mo dispensa teleféricos. Os atletas sobem a montanha por conta própria, ajustando bastões e técnicas conforme a inclinação. A transição é considerada uma das manobras-chave: envolve fechar corretamente as botas, reposicionar fixações e remover as peles sem comprometer o ritmo da prova.
Esporte completo e exigente
Além do espetáculo competitivo, o esqui de montanha é apontado como uma das modalidades de inverno mais completas do ponto de vista físico. As subidas prolongadas favorecem o desenvolvimento da resistência cardiovascular, enquanto o uso simultâneo de membros superiores e inferiores contribui para o fortalecimento muscular equilibrado.
A prática também estimula coordenação, equilíbrio e propriocepção — a percepção do corpo no espaço —, já que o terreno irregular exige constante adaptação. A estreia olímpica, portanto, não apenas amplia o programa dos Jogos, mas projeta internacionalmente uma modalidade que combina tradição, técnica e alto rendimento em ambientes de montanha.

