O que é que a Chapecoense tem

Equipe catarinense evolui a cada ano na classificação da Série A e amanhã disputará o título da Copa Sul-Americana

Equipe catarinense evolui a cada ano na classificação da Série A e amanhã disputará o título da Copa Sul-AmericanaEquipe catarinense evolui a cada ano na classificação da Série A e amanhã disputará o título da Copa Sul-Americana - Foto: Divulgação

Por obra do acaso, a Folha de Pernambuco trouxe uma reportagem sobre a ascensão da Chapecoense justamente na edição impressa desta terça-feira (29), dia em que o avião que levava o time para a Colômbia caiu, matando dezenas de pessoas. Confira abaixo a reportagem.

Recife e Chapecó estão separadas por mais de 3,5 mil km. A distância tende a ser rapidamente percorrida, quando a viagem da inveja desembarca nas mentes dos torcedores locais. Sentimento natural, diante dos recentes sucessos conquistados pelo mais ilustre filho da cidade catarinense. “O que será que a Chapecoense tem que nós não temos?” ecoa alto na capital pernambucana. Elenco sem grandes estrelas; folha salarial baixa, em comparação aos grandes clubes nacionais; torcida proporcionalmente pequena; pouca expressão histórica no Brasil... Muitos desses atributos - não todos - também poderiam ser usados para qualificar uma equipe do Estado. Amanhã, no entanto, eles têm a oportunidade de ganhar a América. Nós não.
Na última quarta-feira, a Chapecoense empatou sem gols com o San Loren­zo/ARG. O 1x1 no primeiro jogo, em Bueno Aires, credenciou a equipe à final da Copa Sul-Americana, que será disputada contra o Atlético Nacional/COL. Sorte? Em 2015, uma campanha sólida, nesta mesma competição, foi interrompida apenas nas quartas de final, diante do River Plate/ARG. Por aqui, a melhor participação em um torneio internacional foi as oitavas de final do Sport na Libertadores, em 2009. Na mesma Sul-Americana, o calo tem sido os primeiros dois jogos da fase internacional. E no futebol Brasileiro, desde que chegou à Elite, há três anos, a Chape apenas sobe degraus: 15ª colocação em 2014, 14ª posição em 2015 e, atualmente, figura em nono.

Um segredo para tamanho sucesso pode estar estampado na parte superior dos uniformes da equipe, logo acima do escudo. A Chapecoense é financiada com a ajuda da indústria da carne da cidade: a Aurora. Terceiro maior conglomerado industrial do setor no Brasil, a companhia paga R$ 3,5 milhões por ano ao clube. Desde 2008, quando os conterrâneos executivos resolveram investir no futebol, os alviverdes tiveram sucesso.

 A equipe saiu da Série D para a Série A, em cinco anos. Outra fonte de renda são os oito mil sócios em dia, que geram R$ 5 milhões. Para esta temporada, a Chape prevê renda entre R$ 45 milhões e R$ 48 milhões. Um aumento de até 20%, com relação ao ano passado.

Apesar do pouco tempo na Série A, o clube já conseguiu forjar a fama de mandante indigesto aos seus adversários. Na competição, o aproveitamento de 55% foi conquistado com oito vitórias e seis empates, em 18 partidas. A média de ocupação, no entanto, não chega a ser alta, com 7.611 de público pagante. Ou seja, 39% da ocupação do estádio, a Arena Condá. Com relação ao elenco, nada de estrelas. Os destaques da equipe são: o goleiro Danilo, o zagueiro William Thiego, os meias Cléber Santana, velho conhecido em Pernambuco, e Hyoran, além dos atacantes Kempes e o incansável artilheiro Bruno Rangel. “O Brasil abraçou a Chapecoense. É um time simpático, é o segundo time de vários torcedores”, disse o presidente Sandro Paraollo.

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