O risco do avião faz parte do jogo

Calendário obriga clubes a várias viagens durante a temporada. Os voos são uma constante na vida dos atletas

Prefeito Geraldo Julio (PSB) entregou 12ª Upinha no RecifePrefeito Geraldo Julio (PSB) entregou 12ª Upinha no Recife - Foto: Andréa Rego Barros/Divulgação

Chuteira, meião, uniforme, bola e campo remetem imediatamente ao futebol, mas não o resumem definitivamente. O esporte também está estreitamento ligado a outros objetos e lugares longe das quatro linhas, que fazem parte do dia a dia dos clubes. Com o inces­san­te calendário de jogos, prin­cipalmente no Brasil, os atletas passam boa parte da carreira em aviões e aeroportos cruzando o País. É uma rea­lidade que atinge, pelo menos, 60 clubes brasileiros, centenas de jogadores e outros tantos no mundo todo.

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Associando à tragédia da Chape­coense, na última semana, vale a reflexão do risco de vida que as pessoas envolvidas no futebol correm duran­te o ano em meio às disputas das competições.

Três exemplos próximos aju­­dam a compreender a vida que jogadores, comissões técnicas e dirigentes são subme­tidos. Apenas em 2016 - sem contar a última rodada da Série A do Campeonato Bra­sileiro -, a delegação do San­ta Cruz realizou 26 viagens de avião, o Sport 23 e o Náutico, com apenas três torneios no ano, 19. A quantidade de quilômetros percorridos pelo céu mostram números absurdos. O Tricolor via­jou 126.330km nesta temporada atual. Percurso suficien­te para dar três voltas na Terra. O Leão e o Timbu andaram um pouco menos: 107.964 e 93.660 km, respectivamente. 


São viagens desgastantes e com riscos, como já foi dito an­teriormente. O que muitos não sabem é que há uma segu­rança aos atletas em caso de acidente, como foi com o e­lenco da Chapecoense. Em mar­ço deste ano, a Confedera­ção Brasileira de Futebol (CBF) instituiu um seguro de vida aos jogadores profissionais com contratos ativos no BID - Boletim Informativo Diá­rio da CBF. A entidade co­bre casos de morte ou aciden­tes que resultem em invalidez permanente ou funcional.

“O seguro cobre todos os 800 clubes profissionais do País. São quase 12 mil contra­tos que enviamos todos os meses para a seguradora. To­das as coberturas são calcula­das conforme o salário do a­tle­ta, multiplicado o valor em 12 vezes. Mas há um limite de R$ 1,2 milhão por segurado e o auxílio funeral é de até R$ 5 mil. Sabemos que nem todos os clubes têm condição de fazer um seguro neste patamar, por isso tomamos a frente junto com ao Itaú Seguros”, explicou o diretor de registro da CBF, Reynaldo Buzzoni.

A indenização às famílias dos 19 jogadores da Chapecoense deve chegar ao valor de R$ 20 milhões, de acordo com o beneficio definido na Lei Pelé, no artigo 45: “as entidades de prática desportiva são obrigadas a contratar seguro de vida e de acidentes pessoais, vinculado à atividade desportiva, para os atletas profissionais, com o objetivo de cobrir os riscos a que eles estão sujeitos”. Antes, a responsabilidade era dos clubes e passou a ser da CBF em março de 2016.

“A Confederação Brasileira de Futebol vai desonerar as contas dos clubes. Isso vai favorecer principalmente os times menores. O valor vai variar de acordo com a folha salarial de cada equipe. Então, assumimos essa responsabilidade para casos como esse da Chapecoense, que infelizmente ocorreu na última semana. É uma atitude importante para dar todo apoio necessário às famílias”, concluiu o dirigente. 

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