Obra explora auge e decadência de Todo Duro e Holyfield

A Luta do Século retrata trajetória de ex-pugilistas desde à infância ao estrelato e depois o retorno à pobreza

Trajetórias dos pugilistas refletem como um espelhoTrajetórias dos pugilistas refletem como um espelho - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

As histórias parecem se confundir. A infância carente, o flerte com o estrelato através do esporte e o retorno à pobreza, resultado de más escolhas. O que se fala sobre o ex-jardineiro pernambucano Luciano “Todo Duro” Torres reflete como um espelho na trajetória do ex-estivador baiano Reginaldo “Holyfield” Andrade.

De tão entrelaçadas, um conflito seria inevitável. E os boxeadores fizeram pouca questão de não tornar real esta possibilidade. Por mais de 20 anos, foi criada uma rivalidade que dividiu o Nordeste. Tornou-se a maior do Brasil. E, a partir desta quinta-feira (15), poderá ser vista através do documentário “A Luta do Século”, de Sérgio Machado, que tem estreia marcada para as principais salas de cinema. 

“O documentário traz um retrato do Brasil. Holyfield e Todo Duro são homens que, apesar de todo o talento, e de quase atingirem o auge no esporte, acabaram voltando para o lugar onde estavam”, disse Machado, cineasta do também premiado Cidade Baixa (2005). Em 2016, “A Luta do Século” foi agraciado com o prêmio de Melhor Documentário, no Festival do Rio. Inicialmente, no entanto, o documentário não havia sido pensado como acabou finalizado.

“Eu iria acompanhar a vida de dois boxeadores. Por acaso, durante as filmagens, houve a possibilidade de uma sétima luta entre os lutadores. Tive medo. Afinal, são dois homens com mais de 51 anos (Holyfield) e 52 anos (Todo Duro). Mas tudo deu certo”, completou.



A tal sétima luta... ou melhor, A Luta do Século surgiu a partir de uma conversa entre Holyfield e o ex-traficante baiano Ravengar, antigo promotor de lutas de boxe, inclusive algumas dos rivais. Até aquele momento o placar apontava 3x3, carregado por muita mágoa de ambos os pugilistas. Um desempate se fazia necessário, apesar das impossibilidades físicas evidentes pela idade.

E, assim como no início de suas vidas, estavam lá dois nordestinos, vivendo com pouco dinheiro, em bairros de periferia de suas respectivas cidades, digladiando-se, revivendo um passado glorioso, mas que pouco durou. A vitória foi de Todo Duro. Por pontos. Holyfield não aceitou. Ninguém nunca aceitou nenhuma derrota. Eles se odeiam.

“Nunca deixaremos de nos odiar. Eu só penso em bater nele”, falou Holyfield. “Aquilo é um louco. Eu não gosto dele, porque ele é desequilibrado. E eu sou o pau que dá em doido”, retrucou Todo Duro. “É tanto tempo, com tamanha agressividade, um com o outro, que não é possível diferenciar o que pode ser teatral ou real”, diz parte do texto, escrito e narrado pelo próprio Sérgio Machado, que tem papel marcante durante o documentário.

“Ravengar uma vez me contou que estudou filosofia na cadeia e, sempre que possível, ele cita Platão, Schopenhauer... Enfim. E ele disse que, segundo Nietzsche, uma história com tanto ódio por tanto tempo, no fundo, no fundo mesmo é uma história de amor”, finalizou Sérgio Machado. Será?

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