Oito anos após citar 'monstro', Simões fala em evolução de Neymar

Para René Simões, Neymar está diferente do garoto de 18 anos criticado por ele em 2010, em episódio polêmico

René Simões, treinador René Simões, treinador  - Foto: Reprodução/Twitter

Em 2010, quando era técnico do Atlético/GO, René Simões criticou o comportamento de Neymar, que então tinha 18 anos, dentro de campo. Em 15 de setembro daquele ano, visitou a Vila Belmiro para enfrentar o Santos. Seu time perdeu de 4x2, mas sua entrevista após o jogo repercutiu mais que o resultado. Na ocasião, René afirmou que, caso ninguém educasse desportivamente Neymar - que despontava como candidato a craque -, um monstro seria criado.

Após ter sido impedido de bater um pênalti na partida, o atacante xingara seu próprio técnico, Dorival Júnior - dias depois, a rusga terminaria com a demissão do técnico, que queria, como punição, barrar o atacante de dois jogos, contra o Guarani e contra o Corinthians. A diretoria entendeu que Neymar deveria jogar o clássico, interveio e sacou Dorival.

Oito anos depois, ele diz que a palavra "monstro" não se aplica ao Neymar de 26 anos que disputa sua segunda Copa do Mundo. 'Precisamos analisar toda a trajetória. Principalmente no Barcelona, onde foi superprofissional e conquistou vários títulos. A palavra monstro não se aplica", escreveu René à reportagem nesta terça (25).

O técnico só aceitou responder a perguntas por escrito, para "guardar todos os registros", porque, afirma, já teve problemas com esse assunto. Só na última segunda, ele diz ter recebido ligações de oito países diferentes para comentar sua declaração de 2010 o momento atual de Neymar - rechaçou todos. Segundo René, a entrevista de oito anos atrás não foi uma premonição, mas uma advertência aos que trabalhavam com a carreira de Neymar.

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"Achei que como educador e mais velho deveria passar uma mensagem a ele e aos jovens que o tinham e ainda o têm como ídolo, de que a vida é feita de regras de convivência e não de conveniência", afirma. O técnico e Neymar nunca se falaram desde a declaração de René. Ele conta ter escrito uma carta ao atacante, explicando-lhe que as críticas não eram pessoais, mas profissionais, e que tinha "uma vontade imensa de não perdê-lo como jogador e futuro craque", já que, relembra, já perdeu alguns ao longo da carreira.

Como exemplo de outra crítica estritamente profissional, René cita que "não concordou" com o choro de Thiago Silva antes da disputa de pênaltis contra o Chile na Copa de 2014, mas que admira o zagueiro, com quem já trabalhou. Quanto à partida contra a Costa Rica, ele diz que "todos demonstravam muita adrenalina e cada um reagiu de acordo com sua inteligência emocional. O que é preciso é trabalhar essa inteligência emocional, que é a capacidade de colocar suas forças e habilidades sob altíssima pressão".

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