Opinião: dia histórico no Pátio, assim como a fundação do Santa Cruz

O Tricolor do Arruda completa 106 anos de existência nesta segunda (03), em data que deve ser bastante celebrada pela torcida, no Pátio de Santa Cruz

Torcida do Santa Cruz no estádio do ArrudaTorcida do Santa Cruz no estádio do Arruda - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

03 de fevereiro de 1914, onde tudo começou. Vezes descalços, vezes com tênis em apenas um dos pés, onze garotos ensaiavam diariamente pelos largos da Boa Vista como deveria ser iniciada a história do Santa Cruz: na rua. Única resposta acessível, assim como era o único lugar possível para a idealização de um clube, que não tão longe, se apossou de suas bases e passou a ser também conhecido como o “Time do Povo”, adjetivo diretamente proporcional ao seu nome de fundação. Nesta segunda-feira, 03 de fevereiro de 2020, data carregada de simbolismo para a torcida coral, o Santa Cruz completa 106 anos de existência, essa conduzida por uma história que mais do que nunca pede para ser reinventada.

Entre um e outro passe de bola, as palavras soltas foram transformadas em ideias consolidadas. Criar um clube de futebol para os meninos do Pátio, então, virara obrigação mais do que certa, ainda mais sob os pés da igreja de Santa Cruz, recanto em que o imaginário tomou forma real. A trajetória inicial, no entanto, não foi fácil, tampouco simples de sustentar. E foi das cinzas de um time ainda pouco estruturado que nasceu talvez o dito mais popular da história do Mais Querido, expressada em momento de indignação, dor, e certeza por Alexandre de Carvalho, um dos fundadores do clube: “o Santa Cruz nasceu e viverá eternamente”. E vive, sobrevive, tendo como porto seguro os milhares de torcedores. 

Em 1915, o clube teve desenhado seu primeiro escudo, justamente pelas mãos de Teófilo Batista de Carvalho, conhecido como lacraia. Ele foi o primeiro negro a defender as cores do Santa Cruz, na época ainda alvinegro. Um ano mais tarde, as três cores tomaram o protagonismo no novo brasão do clube, surgindo, assim, o Tricolor. Em um pulo temporal, foram 28 títulos estaduais, um nacional (2013) e uma Copa do Nordeste (2016), além das conquistas simbólicas. A Cobra Coral, hoje do Arruda, e ainda das ruas, terá um encontro com sua intimidade mais nostálgica: o Pátio de Santa Cruz.

O momento em questão não deve se resumir à celebração do aniversário do clube - motivo mais do que suficiente - mas vai além e a reforma do estatuto tricolor mais uma vez deve ser pauta no encontro desta segunda. E parece certo que são as tentativas de mudanças que fazem o clube, como um todo, ultrapassar ainda mais o limiar das quatro linhas, se reafirmando no que exige o futebol em sua essência. Ser do povo, ser para todos. Sem tenuidade.

Entre as várias frases criadas em sua homenagem, como base de sustentação de um clube que nasceu tendo que resistir às elites, assim como alguns outros no Brasil, o Santa Cruz se firma em sua popularidade. Desta vez como sugerido por Alexandre de Carvalho: eternamente enquanto a história for capaz de resistir ao tempo, enquanto a história continuar sendo contada dentro e fora das arquibancadas do José do Rego Maciel.

Leia também:
Santa vence o Vitória/PE e reassume liderança do Estadual
Schulle comemora resultado, mas espera mais do Santa
Victor Rangel perto de acerto com o Santa Cruz

Veja também

Basta um empate: Náutico visita Cruzeiro podendo acabar com risco de queda à Série C
Futebol

Basta um empate: Náutico visita Cruzeiro podendo acabar com risco de queda à Série C

Algoz de Vasco e Bahia, Defensa y Justicia conquista Copa Sul-Americana
Futebol

Algoz de Vasco e Bahia, Defensa y Justicia conquista Copa Sul-Americana