Opinião: Kobe Bryant deixará legado além do basquete

Ex-jogador morreu após queda de helicóptero neste domingo (26) e causou comoção mundial

Homenagem ao eterno ídolo Kobe BryantHomenagem ao eterno ídolo Kobe Bryant - Foto: DAVID MCNEW / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AF

Ser reconhecido e venerado na maior franquia da NBA, que teve como ídolos atletas do porte de Kareem-Abdul Jabbar, Magic Johnson, Shaquille O’neal e Wilt Chamberlain, é algo difícil. Agora imaginem um jogador que saiu do ensino médio direto para a liga, foi escolha do Draft número 13 do Charlotte Hornets e imediatamente trocado por Vlade Divac - experiente jogador de 28 anos, na época, e já afirmado dentro da liga americana. Para piorar a situação, a primeira temporada deste atleta termina com quatro air balls consecutivos na derradeira partida de eliminação dos Lakers diante do Utah Jazz, pela semifinal da Conferência Oeste. O destino de Kobe Bryant na elite do basquete norte-americano caminhava para um início de insucesso, mas o tempo e o talento dele provaram o contrário.

Kobe Bryant era um jogador diferente. Com apenas 18 anos, foi incisivo na saída de quadra após a derrota para o Jazz. "Errei hoje, errarei amanhã, mas acertarei muitas até o final da minha carreira. Pode escrever", afirmou o ala-armador, na ocasião. Ele não estava errado e mostrou isso na temporada seguinte. Ainda como reserva, Kobe evoluiu em quase todos os aspectos e afirmou com seu jogo que seria um dos maiores da NBA.

Os anos 2000 vieram e com ele o tricampeonato dos Lakers, embalados pela dupla Shaq-Kobe. O tridente era o primeiro após os conquistados pelo Bulls de Jordan (1990-1992 e 1996-1998) e também o único na NBA desde então. Após a briga com Shaq, Kobe ficou “sozinho” nos Lakers e, mesmo registrando temporadas históricas -como a de 2005-2006 -, quando Bryant marcou 35,4 pontos por partida, não foram suficientes para recolocar a maior franquia da NBA na disputa por títulos.

A briga por taças só voltou a acontecer depois da chegada do pivô Pau Gasol à equipe, em 2008. Daí até 2010, foram três finais consecutivas e mais dois títulos da NBA para Kobe Bryant. Após o quinto, “Black Mamba” sofreu com campanhas irregulares e lesões nos Lakers.

A última temporada de Kobe foi em 2015-2016, que gerou dúvida sobre a sua condição fisíca. Nos dois anos anteriores, o camisa 24 só tinha jogado 25% dos jogos dos Lakers e tinha sofrido com diversas lesões. Mas Kobe veio para 66 jogos em 82 e causou euforia em todos os ginásios por onde pisou. “Marcelinho Huertas (companheiro de Kobe na última temporada do astro) dizia que Kobe tinha diversas limitações para entrar em quadra, e mesmo assim, treinava o máximo que podia e detestava perder. Essa competitividade dele inspirava todos no elenco e foi assim por toda a sua carreira”, relatou o comentarista de basquete da ESPN, Eduardo Agra.

Kobe foi muito maior do que suas estatísticas monstruosas mostram ser. O Jordan para aqueles que não viram o hexacampeão da NBA pelo Chicago Bulls. Pergunte para qualquer admirador de basquete dos anos 2000 e eles dirão isso. Bryant foi gigante em todos os aspectos. Fora das quadras, o ídolo dos Lakers mostrava uma inteligência fora do comum para analisar o basquete. Além disso, intelectualmente também mostrava ser diferenciado: além do inglês, falava espanhol e italiano. Para se ter noção, no dia 2 de janeiro deste ano, o ala-armador Luka Doncic relatou que estava ouvindo alguém falar em seu idioma, esloveno. Quando olhou para trás, era o Kobe.

O final desta temporada provavelmente ia trazer Kobe Bryant como um dos indicados ao Hall da Fama da NBA, por ter se aposentado há quatro temporadas. O ala-armador com certeza será lembrado, mas o clima com certeza não será o mesmo.

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O legado de Kobe transcende o basquete. O ex-jogador foi um dos maiores esportistas de todos os tempos e fará muito falta para todos aqueles que amam a bola laranja. Kobe Bryant se foi antes e muito mais jovem do que todos esperavam, mas seus ensinamentos de dedicação, profissionalismo e determinação serão lembrados para sempre. Até breve, ídolo!

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