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Os prejuízos da queda precoce para Náutico e Santa

Eliminados da Série C, alvirrubros e tricolores terão perdas não só de arrecadação, mas também do valor de sua marca

Náutico e Santa Cruz chegaram perto do acesso à Série B neste anoNáutico e Santa Cruz chegaram perto do acesso à Série B neste ano - Foto: Paullo Allmeida/Folha PE

No biênio 2017/2018, Náutico e Santa Cruz formaram uma parceria marcada por fracassos conjuntos e prejuízos similares. No ano passado, foram rebaixados para a Série C. Nesta temporada, tiveram a oportunidade de voltar à Série B, mas foram eliminados nas quartas de final para Bragantino e Operário, respectivamente. Unidos pela frustração, Tricolor e Timbu precisarão lidar com diversas barreiras antes de iniciar o processo de soerguimento.

O calendário dos pernambucanos foi encurtado. Encerrar suas atividades em agosto é um dano profundo para equipes do tamanho de Náutico e Santa Cruz - Tricolor já viveu isso na Série D 2010, quando também parou de jogar faltando quatro meses para o fim do ano. Se tivessem avançado no mata-mata, os clubes poderiam faturar ainda mais com a renda da semifinal e até de uma possível final. A Cobra Coral colocou quase 50 mil no Arruda diante do Operário, faturando R$ 732.395,00. O Timbu botou diante do Bragantino aproximadamente 28 mil, embolsando R$ 879.515,00.

Ainda sobre a questão financeira, Timbu e Tricolor poderiam ganhar com patrocínios pontuais nas camisas nos jogos decisivos ou até, pensando em 2019, conseguir um patrocinador máster para ajudar nos cofres. Isso sem falar no valor de R$ 6 milhões que receberiam de cota de televisão para a disputa da Série B. A terceira divisão, até o momento, não fechou com qualquer emissora para ser exibida na televisão - os direitos de transmissão eram da Esporte Interativo, mas o canal fechou e os duelos do mata-mata deste ano foram exibidos pela CBF e pelo Youtube.

O “valor” das instituições também sofreu danos. No último levantamento feito pela consultoria BDO Brasil, em 2017, Náutico e Santa estavam em 28º e 29º, respectivamente, na lista dos 40 clubes mais valiosos do Brasil. A pesquisa levou em conta o poder de compra dos torcedores e média de público nos estádios, representatividade em redes sociais e mídias em geral, além das receitas com contratos televisivos e patrocínios. Número de associados também tem peso forte na análise. Os pernambucanos poderiam melhorar a posição no ranking caso tivessem subido à Segundona. Um acesso traria, indiretamente, a possibilidade de um aumento na venda de camisas e produtos em geral, além de uma maior exposição da marca.


O último, inclusive, é alvo de interesse de outras equipes brasileiras. Mesmo sem o acesso, os dirigentes também pregam o discurso de que o futuro trará algo diferente com relação ao início deste ano. A desconfiança em cima da nova gestão foi superada e a torcida, com os aplausos após o jogo contra o Bragantino/SP, mostrou que pode se reaproximar ainda mais do clube.

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Além do prejuízo na imagem e no bolso, há o tradicional problema dos desmanches no elenco. Primeiro, Náutico e Santa precisarão definir quem será o treinador para 2019. O Timbu já deu sinais de que pretende manter Márcio Goiano, que também assinalou para um possível interesse em continuar no clube. O bom trabalho, porém, abriu os olhos de times da Série B, que podem “roubar” o profissional dos alvirrubros. Roberto Fernandes evitou comentar sobre uma possível permanência, declarando que qualquer opinião no momento é precoce diante do cenário de indefinição. Certo mesmo é que as diretorias devem procurar os respectivos técnicos para resolver a situação o mais rápido possível.

Com relação ao elenco, a grande maioria dos atletas encerra contrato em setembro. As exceções são peças da base e alguns jogadores com vínculo maior, caso de Jobson, do Náutico, que assinou até abril do ano que vem. A prioridade e, diga-se de passagem, maior dificuldade dos clubes será a de manter suas principais peças. É pouco provável que Ortigoza e Sueliton, destaques na Série C, continuem no Timbu. Segurar Pipico também será uma tarefa árdua para a Cobra Coral. Embora ninguém fale em desmanche, a tendência é que muitas caras novas pintem na temporada seguinte. Tudo isso poderia ser bem diferente caso alvirrubros e tricolores tivessem subido de divisão. Mas o “se” não entra em campo, para a tristeza da dupla pernambucana.

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