Para Zé Roberto, nunca é tarde para ser campeão brasileiro

Em 2015, jogador faturou a Copa do Brasil. Neste ano, levantou o caneco da Série A, tornando-se o jogador mais velho a atingir o feito

Zé Roberto se despediu dos gramadosZé Roberto se despediu dos gramados - Foto: Flávio Japa

 

Foi difícil para Zé Roberto tirar da mente o gol de Aílton, aos 39 do segundo tempo, que deu ao Grêmio o título do Brasileirão de 1996. Na época, defendendo a Portuguesa, o meia/lateral-esquerdo era apenas uma jovem revelação de 22 anos. O vice-campeonato amargo era até então sua melhor marca em solo verde-amarelo. Para muitos jogadores, foi a última vez que a taça da maior competição do Brasil estaria tão próxima. Mas, 20 anos depois, aos 42, Zé Roberto teve uma segunda chance. De garoto da Lusa ao experiente homem de confiança do Palmeiras, restou a qualidade técnica e, mesmo com o tempo como adversário, o vigor físico. No Verdão, o atleta, enfim, preencheu a lacuna de títulos nacionais. Em 2015, faturou a Copa do Brasil. Neste ano, levantou o caneco da Série A, tornando-se o jogador mais velho a atingir o feito.

Assim que pisar em campo no jogo contra o Vitória, o último do Nacional, Zé Roberto terá exatos 42 anos, quatro meses e 28 dias completos. Antes dele, o jogador mais velho a conquistar o Brasileiro foi o goleiro Manga, em 1976. Foi aos 39 anos, sete meses e 16 dias que o jogador soltou o grito de campeão pelo Internacional.

O feito de Zé Roberto repercutiu mundo afora. “Campeão com 42 anos! E não vai parar nunca. Máquina”, publicou o Bild, um dos principais jornais da Alemanha. “Parar” realmente não é uma palavra que parece existir no dicionário do jogador. “Acho que o momento não é de encerrar a carreira”, cravou. A alimentação balanceada, os cuidados com a forma física e com o sono, além do empenho nos treinamentos ajudaram a aumentar sua longevidade no esporte. Disciplinado, o atleta costuma iniciar a pré-temporada duas semanas antes dos demais companheiros e procura se exercitar na piscina após os trabalhos, atividade que facilita na sua recuperação muscular. Algo necessário para alguém que percorre em média 10 quilômetros por partida.

A genética de Zé Roberto é outro ponto que merece atenção. Os médicos do Palmeiras já destacaram que o jogador tem um grau de resistência acima da média e um percentual de gordura baixíssimo, superando índices de atletas mais novos. Isso faz com que o experiente lateral necessite de menos tempo de descanso para retornar aos trabalhos. Em 2016, Zé Roberto esteve em campo em 45 jogos. Um ótimo número para um “quarentão” incansável.

 

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