Parceiros e artilheiros do Estadual agora em lados opostos

Líder e 2º colocado da artilharia, Caxito e Thomas Anderson são pernambucanos e começaram nos grandes da Capital

"Tive incentivo da família para não desistir do futebol""Tive incentivo da família para não desistir do futebol" - Foto: Anderson Stevens

 

Amizade antiga, mesma posição e passagens pelos clubes grandes da Capital. Artilheiro e vice do Campeonato Pernambucano, respectivamente, os atacantes Caxito e Thomas Anderson roubam a cena defendendo equipes intermediárias do Estado. O primeiro deles é o destaque do América, com sete gols em dez partidas, enquanto o outro é protagonista do Vitória justamente porque balançou as redes seis vezes na primeira fase. O curioso é que eles já jogaram juntos no Serra Talhada, em 2015, e ainda acumulam experiências nas divisões de base do Trio de Ferro.

Além de importante para a artilharia, os gols marcados por eles foram determinantes para Vitória e América terminarem no G8, 5º e 7º colocados, respectivamente, e avançarem às quartas de final. Com a classificação conquistada, ambos seguem firmes na disputa por uma marca pessoal e que pode mudar suas vidas num futuro próximo.

Com um novo regulamento do Estadual em 2018, a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) considera os gols marcados em todas as fases disputadas. Nas edições passadas, a entidade só contabilizava os tentos anotados no hexagonal do título e nos mata-matas.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, Caxito e Thomas Anderson contaram sobre o momento como homens-gol dos times intermediários, revelaram histórias de superação vividas no passado e ainda falaram da parceria feita há três anos. 

Caxito superou rejeições até se firmar no América

Aos 26 anos, Jeferson Luiz da Silva Caetano carrega no currículo uma artilharia do Campeonato Pernambucano de 2017 - nove gols em 13 partidas -, quando defendia o Afogados da Ingazeira. Destaque na base do Sport há sete anos, ele também acumula passagens por Penapolense/SP, Serra Talhada, Porto/PE e Tiradentes/CE.

 

"Todos passam por dificuldade para colher frutos" - Crédito: Brenda Alcântara

Trajetória

“Comecei na base da Cabense, em 2009, e fiz 11 gols nos juniores. No ano seguinte, fui para o Sport, onde consegui ser o artilheiro do Pernambucano Sub-20, com 14 gols, e fiquei lá até o fim de 2011. Não me promoveram para o profissional e sai para o Náutico, onde conquistei a Copa Pernambuco, mas também mandaram eu procurar outro clube. Esperava uma chance no profissional pelo meu destaque na base, não recebi e fiquei triste. Me assustou também porque pensei: se eu fui bem aqui e não subi para o elenco principal, como posso chegar? Mas recebi incentivo da minha família para não desistir do futebol e dei sequência.”

Dificuldades

“Enfrentei muitos obstáculos na época do Sport. Saía quase todos os dias do Cabo de Santo Agostinho às 5h, chegava às 8h na Ilha do Retiro e depois ia para o CT. Acordava sempre cedo e chegava em casa por volta das 21h. Não tomava café para não me atrasar, só tinha uma passagem de ônibus, mas tinha sempre que voltar para a minha casa. Chegava na estação, falava ao fiscal que só tinha dinheiro para um bilhete, que custava entre R$ 1,25 e R$ 1,35.”

Parceria

“Conheço Thomás Anderson e temos uma boa relação. Jogamos juntos no Serra Talhada e nos enfrentamos este ano. Sempre brincamos um com o outro. Quando éramos parceiros de time, sempre a gente jogava videogame na concentração.”

Chance de ser artilheiro anima Thomas Anderson

O atacante, de 29 anos, foi revelado na base do Santa e também chegou a jogar no Arruda como profissional. Na carreira, já defendeu clubes como Crato/CE, Marília/SP, Olinda, Ypiranga/PE, Pesqueira, Centro Limoeirense, Santa Cruz/RN, Sport/MG, Mogi Mirim/SP, Serra Talhada, Guarani de Juazeiro/CE, Santa Helena/GO e Itabaiana/BA.

Amizade

“Tenho uma relação de irmão com Caxito. A gente sempre jogava videogame. Espero até que ele pare um pouco de fazer gols porque também estou lutando pela artilharia. Mas ele merece estar passando por esse momento. É um cara batalhador, uma excelente pessoa e tem muita qualidade."

Obstáculos 

“As bases deram uma melhorada, mas na minha época era muito complicado. Precisei de ajuda dos meus familiares. Sabemos que Pernambuco é um pouco carente nas divisões inferiores. Minha primeira oportunidade foi no Náutico. Na ocasião, tinha que pegar todos os dias dois ônibus para ir ao treino. Saía de Olinda, onde morava, e ia até o CT da Guabiraba. Também passei pelo Sport. Creio que todos passam dificuldades para colher frutos depois."

Disputa 

“O Pernambucano perdeu um pouco do seu brilho quando as equipes intermediárias pararam de jogar com os grandes. O que estava acontecendo nas edições anteriores era uma falta de respeito. Antes, a FPF só considerava como artilheiro aqueles que jogavam o hexagonal do título. Mas agora estamos tendo a oportunidade de disputar a artilharia."

 

Veja também

Aliviado, Kleina vê vitória como fator para 'readquirir confiança'
Náutico

Aliviado, Kleina vê vitória como fator para 'readquirir confiança'

Sai, zica! Náutico encerra jejum e bate Oeste fora de casa
Série B

Sai, zica! Náutico encerra jejum e bate Oeste fora de casa