Clássico das Multidões

Pela 1ª vez sem público, Sport e Santa protagonizam clássico marcante

Rubro-negros e tricolores se enfrentarão sem a presença de público, uma nova experiência para torcida e jogadores

Ilha do Retiro sediará neste domingo o 561º duelo entre rubro-negros e tricoloresIlha do Retiro sediará neste domingo o 561º duelo entre rubro-negros e tricolores - Foto: Anderson Stevens/Arquivo Folha

O primeiro Clássico das Multidões que, infelizmente, não fará jus ao nome. Em 104 anos de história, o confronto de número 561 entre Sport e Santa Cruz, time com as duas maiores torcidas de Pernambuco, não terá, pela primeira vez, presença de público. Uma Ilha do Retiro vazia receberá, no domingo, o jogo válido pela última rodada da primeira fase do Campeonato Pernambucano 2020. Medida de segurança posta em prática para conter o novo coronavírus. Rubro-negros e tricolores terão uma nova experiência nesta retomada do futebol no Estado. Para os atletas, o eco de suas próprias vozes em campo. Para as torcidas, o vazio físico e afetivo. 

“Eu chego até a me emocionar, porque viver o Sport Club do Recife é estar lá apoiando os 90 minutos. O que move o time é a torcida. Por um lado, eu fico muito triste, porque o fato de não acompanhar meu time é muito ruim. Por outro, eu entendo, pela situação que a gente vive hoje. Mas, por ser um clássico, me deixa muito triste não estar apoiando o meu clube. Tenho certeza que a energia da arquibancada passa totalmente para dentro de campo. É como se fosse a peça principal”, comentou Abdias Barbosa, 27, um dos líderes da Brava Ilha do Sport. 

A esposa de Abdias, Flávia Monara, 37, também partilha da saudade das arquibancadas, local que visita desde os seis anos de idade. Com um detalhe: diferente do marido, a torcedora é apaixonada pelo Santa Cruz. “O desejo de um torcedor é de querer estar no estádio, torcer, vibrar, gritar com a torcida, ainda mais num clássico. É histórico, mas vamos torcer, de casa, como se estivéssemos no estádio. É uma sensação muito estranha. Não existe futebol sem o torcedor, um complementa o outro”, exclamou. E como vai ser acompanhar o duelo junto com o marido? “Eu não gosto muito. É rivalidade mesmo, eu não toco no dele e ele não toca no meu”, disse, aos risos.

O cenário de clássicos com portões fechados tem se tornado comum no futebol brasileiro desde o regresso dos campeonatos pós-liberação das autoridades estaduais e sanitárias. As decisões do Carioca, entre Flamengo e Fluminense, aconteceram em um Maracanã vazio. O Castelão também não recebeu alvinegros e tricolores no embate de Ceará e Fortaleza.

"No momento, eu acho que as pessoas já estão se acostumando com isso. A tendência é que estádio vazio equilibre mais o jogo. O mandante não será empurrado pela torcida, enquanto o visitante não será pressionado. Acho que o fator de preparação das equipes vai pesar mais no momento", avaliou o jornalista Cássio Zirpoli.

Jogadores de Sport e Santa também comentaram sobre a nova experiência. O lateral-direito do Leão, Patric, fez uma alusão às imagens da torcida que estão na sala de imprensa para reforçar a saudade de ver a Ilha lotada. “Do meu lado direito, eu vejo o estádio cheio (fotografia). Esse retrato é o que vou levar. Ainda que seja pela televisão ou rádio, eles vão transmitir uma onda de felicidade que vai fazer a gente escutar quando sair o gol. Daqui até o final do ano, mesmo com os portões fechados, o torcedor estará sempre presente”, frisou.

"Não é bom. Futebol é torcida, ainda mais falando de um Clássico de Multidões. Infelizmente, devido a esse problema (pandemia), nós estamos tendo que nos adaptar ao ‘novo normal’. Espero que não dure muito por segurança. A atmosfera é um pouco diferente, mas o nível de disputa do jogo vai manter esse ambiente de uma briga saudável. Espero que o clássico seja um jogo bem jogado”, apontou o zagueiro coral, Danny Morais.

Na história, o Clássico das Multidões com o menor público aconteceu em 1997, no Arruda. O amistoso entre Sport e Santa Cruz, realizado em dezembro daquele ano, reuniu apenas 1.712 pessoas, que acompanharam o empate em 2x2, na Ilha do Retiro.

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