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Jogos Paralímpicos

Pernambucanas da bocha fazem parceria afinada dentro e fora da quadra

Andreza Vitória é um dos jovens talentos do Brasil, treinada por Poliana Cruz

Andreza Vitória e Poliana Cruz, pernambucanas da bocha paralímpicaAndreza Vitória e Poliana Cruz, pernambucanas da bocha paralímpica - Foto: Acervo pessoal

Em 2016, no Rio de Janeiro, a educadora física e treinadora de bocha Poliana Cruz realizava o sonho de atuar como voluntária nas Paralimpíadas.

Ao lado do marido, com quem compartilha os ofícios, a pernambucana já firmava um pacto para também serem voluntários nos Jogos de Tóquio, afinal, a experiência se mostrava realizadora. 

No Recife, a estudante adolescente Andreza Vitória, recém ingressada no grupo da bocha do Projeto Paratleta, do Núcleo de Educação Física e Desporto (Nefd) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), acompanhava as disputas pela televisão como mera espectadora. 

Cinco anos depois, em 2021, Poliana e Andreza estão, novamente, diante das emoções do evento. Agora, porém, não mais como coadjuvantes, mas nas posições de protagonistas. 

Aos 20 anos, Andreza é uma das jovens da nova geração da delegação brasileira. Ela é portadora da Síndrome de Leigh, uma doença neurodegenerativa rara que afeta o sistema nervoso central, causando perda progressiva das capacidades mentais e motora. A mãe chegou a ouvir que ela poderia não viver mais do que três anos. 

Segundo Poliana, que é uma das professoras do Projeto Paratleta, desde que começou a trabalhar com Andreza, a única mudança sentida foi na fala, com um pouco de perda de dicção. Mesmo assim, há dois anos, a atleta passou por uma reclassificação, saindo da classe BC 2 para a BC 1. 

Na prática, ela deixou de estar sozinha em quadra para jogar ao lado da treinadora. É quase como uma atuação em dupla.

Andreza executa os lançamentos, mas cabe a Poliana selecionar e entregar as bolas para ela, bem como fazer a movimentação da cadeira. Ao final de cada uma das quatro parciais, elas têm um minuto para conversar sobre as estratégias de jogo. 

Quando essa mudança aconteceu, elas estavam às vésperas de uma competição internacional. Foi um choque, não faltaram lágrimas e dúvidas.

Após seis meses de adaptação, a primeira conquista, nas Paralimpíadas Escolares, mostrou que reclassificação, na verdade, poderia abrir portas. “Ela acabou se tornando uma referência no País na nova classe”, diz Poliana. 

O tempo de trabalho faz com que essa parceria funcione em perfeita sintonia. “Consigo perceber no olhar quando ela está mais nervosa ou mais confiante, aí escolho a melhor bola para aquele lance”, conta a treinadora. 

Mas essa afinidade não foi construída somente na quadra. A relação entre elas vai além. Vaidosas, técnica e atleta acompanham tendências de moda, maquiagem, cabelo e unhas, dividem passeios e compartilham planos.

“Mas, também reclamo quando precisa. No começo tinha mais bico, mas ela sabe que se chegou até aqui, foi trabalhando duro”, confessa Poliana. 

Andreza começou na bocha em 2015. A mãe dela, mesmo sendo funcionária da universidade, não sabia do Projeto Paratleta, que conheceu após ser abordada em um supermercado. 

Não foi amor à primeira vista. Andreza achou o esporte "muito parado”, mas topou uma segunda experiência. Aos poucos, percebeu a bocha ser um divisor de águas.

“Antes, era só escola e fisioterapia. Hoje, a bocha é o meu trabalho”, diz a atleta, que não só representa o Brasil em Tóquio, mas serve de inspiração para os demais companheiros de treino.  

“O projeto nasceu com o intuito de proporcionar qualidade de vida, estimular o pessoal ganhar o mundo. O alto rendimento acabou vindo como bônus, com o tempo de trabalho e a evolução dos atletas”, revela Poliana. 

Após 12 dias de aclimatação com o Time Brasil na cidade japonesa de Hamamatsu, as meninas chegaram ontem a Tóquio, palco dos Jogos. As disputas da bocha começam no dia 28. 

 

A seleção brasileira que disputa a modalidade por equipes é a terceira melhor do mundo. Andreza joga ao lado de Maciel Santos, José Carlos e Natalí de Faria.  

Inicialmente, a pernambucana competiria apenas com o time, mas acabou ganhando uma vaga no individual após a desistência de um adversário. Os principais adversários dela são da Tailândia, do México e da Grã-Bretranha. 

 

 

 

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