Covid-19

Pesquisa liga efeitos a longo prazo da Covid-19 a quedas de desempenho no futebol europeu

O estudo foi publicado pela Faculdade de Economia da Universidade Heinrich-Heine, de Dusseldorf

Após não se vacinar, Kimmich sofreu sequelas da Covid-19Após não se vacinar, Kimmich sofreu sequelas da Covid-19 - Foto: CHRISTOF STACHE / AFP

Os resultados de quase dois anos de convivência entre o esporte mundial e a pandemia de Covid-19 começam a ser identificados aos poucos. Foi divulgado nesta semana um estudo que analisou os efeitos da doença em jogadores dos Campeonatos Italiano e Alemão e a sua relação com o desempenho em campo. Os resultados apontam uma queda significante no número de passes e minutos jogados pelos atletas que testaram positivo.

O estudo foi publicado pela Faculdade de Economia da Universidade Heinrich-Heine, de Dusseldorf (Alemanha), e tem autoria de Kai Fischer e W. Benedikt Schmal, pesquisadores da própria instituição, em parceria com J. James Reade, da Universidade de Reading (Inglaterra). Foi finalizado em agosto do ano passado.

Os pesquisadores analisaram 90% dos 257 casos de infecções que vieram a público entre atletas da Bundesliga e da Serie A, primeiras divisões da Alemanha e Itália, por 15 meses. Os dados foram combinados com os da Opta, uma ferramenta especializada em scout, estatísticas e análise de desempenho.

O resultado mostrou uma queda de 6% no número de passes completados ao longo de cada partida, diferença que persistiu por meses após a recuperação. A minutagem dos atletas em campo também caiu: os jogadores infectados passaram a atuar 9% a menos nos meses seguintes à doença. 

Os dados foram submetidos a uma metodologia que levou em conta a estabilidade das estatísticas antes dos testes positivos, comparando aqueles que viriam a ser infectados aos que não se contaminariam posteriormente. Isso ajudou os pesquisadores a entenderem o que de fato se poderia relacionar como consequência à Covid.

"As performances dos jogadores caem mais de 6% em relação ao período pré-infecção. Um ano depois, seguem em queda de 5%. Os efeitos negativos da doença parecem transbordar de forma notável nas performances coletivas. (...) Países e empresas com mais infecções podem ter que lidar com desvantagens que superaram o choque temporário da pandemia graças aos efeitos de longa duração da Covid-19 na produtividade", diz o resumo do artigo.

O estudo ainda se utiliza dos dados de infecção e desempenho dos atletas para fazer paralelos em relação à classe trabalhadora dos países estudados.

Os autores deixam claro o impacto da vacinação no controle da doença. Segundo eles, os "efeitos mitigados" da doença em atletas já vacinados são um aspecto que ajuda ainda mais a pesquisa a entender os efeitos da doença em organismos não imunizados. A vacinação nas ligas analisadas foi iniciada após o fim da temporada 2020/2021, ou seja, na metade do ano passado.

"Nossas descobertas podem servir como um argumento a favor da vacinação entre jovens saudáveis fisicamente", argumenta o artigo, chamando atenção para a necessidade de imunização em países mais pobres.

Nos últimos meses, alguns jogadores de futebol e esportistas de alto nível relataram sintomas fortes ou sequelas persistentes após a infecção pela Covid-19. Toni Kroos, meia do Real Madrid, reclamou pouco antes da Euro, em maio: "Em geral, eu me sinto fraco. É algo que não recomendo a ninguém."

Kimmich, do Bayern de Munique, sofreu com sequelas após resistir à vacinação e contrair a doença. Em dezembro, informou que estava com infiltrações nos pulmões e ficaria afastado da equipe. Ele só voltou a atuar no último dia 2. Já o heptacampeão mundial de Fórmula 1, Lewis Hamilton, relatou tontura e visão turva no GP da Hungria, em agosto.

Com o avanço da variante Ômicron, a Liga Italiana concordou, no último dia 8, em reduzir seus públicos para um máximo de 5 mil pessoas, medida semelhante à da Alemanha, que já vinha reduzindo capacidades ou fechando completamente os estádios desde dezembro. Na Inglaterra, os testes e as restrições foram intensificados nos clubes. Para o Brasileirão, a CBF estuda um protocolo de passaporte de vacinação ou de testagem para jogadores e comissões técnicas.

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