Plantando a semente do bem

ONG utiliza o judô para atrair jovens, afastando-os da vulnerabilidade social em comunidades carentes

A ideia de Felipe Carreras é suspender os atos do Governo Temer até que seu recurso seja julgado no Tribunal A ideia de Felipe Carreras é suspender os atos do Governo Temer até que seu recurso seja julgado no Tribunal  - Foto: Alfeu Tavares

 

O espaço é pequeno pa­ra o número de alunos e a quantidade de sonhos. Ainda assim, a vontade de ajudar o próximo e abrir novos horizontes para crianças que vivem em localidades consideradas de risco é o que tem movido Fabianna Carvalho, responsável pelo Projeto Judô Para Todos - ONG JUDOEST. Quando não está dando aula de educação física na Colônia Penal Feminina do Recife, na Zona Oeste da capital pernambucana, a sensei se desdobra entre as oito unidades da instituição, onde está à frente desde 2007. A mais recente está localizada na comunidade do Coque, na Ilha de Joana Bezerra. E é lá que a treinadora tem transformado vidas e remodelado destinos.
“O intuito do nosso trabalho nas comunidades que têm um alto índice de vulnerabilidade social é justamente plantar a semente do bem. Temos várias histórias de alunos que tem a mãe ou o pai preso, mas eles mesmos sabem da importância do esporte na vida dessas crianças. Tanto é que já recebi recados de agradecimento de dentro do presídio. Cada vez mais quero dar um direcionamento diferente na vida dessas crianças e abrir um leque de oportunidades para o futuro”, explicou Fabianna.

Embora a principal finalidade seja tirar essas crianças das áreas de risco e transformá-las por meio do judô, a Organização Não Governamental já vem dando frutos nos certames. No último dia 11 deste mês, seis alunos participaram do Campeonato Brasileiro, em Fortaleza. Na bagagem de volta, uma medalha de ouro, três de prata e uma de bronze. “Na situação em que eles vivem, temos que trabalhar principalmente o lado social. Estar em uma competição é consequência. Nosso foco está em trabalhar, principalmente, os aspec­tos filosóficos e pedagógi­cos. Temos esse retorno nos campeonatos porque a partir do momento que formamos seres humanos melhores, isso acaba refletindo em todas as áreas”, complementou.

A ONG JUDOEST tem sobrevivido da garra da treinadora e da ajuda dos seus familiares, que doam kimonos, água e até mesmo passagem para o deslocamento dos monitores. Esta tem sido a única forma de arrecadar recursos e manter as portas abertas. São incontáveis os motivos para desistir, mas Fabianna Carvalho listou as razões que a fazem permanecer de pé. “O que me trouxe até aqui foi justamente essa essência que o judô tem, que nos faz olhar para o social e ajudar as pessoas. Procuro passar isso para os meus alunos. Quero que eles tenham essa compreensão e que venham para cá não só para praticar isso aqui dentro, mas também promover essa filosofia por onde eles forem”, arrematou.

 

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