Polícia prende torcedores corintianos sob suspeita de ameaçar juíza do Rio

Juíza determinou a prisão de 31 torcedores do Corinthians após confusão estádio do Maracanã

Conselheiro João Campos, do Tribunal de Contas de PernambucoConselheiro João Campos, do Tribunal de Contas de Pernambuco - Foto: Divulgação

Ao menos seis torcedores corintianos foram presos na manhã desta terça-feira (8) sob suspeita de terem ameaçado a juíza Marcela Assad Caram, que determinou a prisão de 31 torcedores do Corinthians após confronto com policiais militares no estádio do Maracanã, no dia 23 de outubro.

A operação, em parceria com a polícia do Rio, cumpre oito mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão em São Paulo, na Grande São Paulo e no litoral paulista. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal do Rio.

A delegada Kelly Andrade, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), informou que a Justiça determinou ainda o cumprimento de dois mandados na Bahia, sendo um de prisão temporária e outro de busca e apreensão.
De acordo com a delegada Margarete Barreto, do Drade (Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva), os torcedores detidos -de organizada e comuns- estão no DHPP e, depois de passarem pelo IML (Instituto Médico Legal), serão levados para o Rio de Janeiro.

A delegada disse que a operação ainda está em andamento e, por isso, o número exato de quantos torcedores foram presos será divulgado ao final da operação. Eles devem responder pelos crimes de associação criminosa e coação no curso de processo.

A juíza Marcela Assad Caram tem sido alvo de ameaças nas redes sociais após a decisão de manter a prisão dos torcedores corintianos. Na ocasião, a Amerj (Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro) considerou os ataques covardes e manifestou apoio à magistrada.

"A magistrada exerceu sua função de acordo com a lei e sua convicção em um caso grave, que infelizmente se repete nos estádios de futebol de nosso país. Desde então, tem recebido virulentas agressões verbais e ameaças pelas redes sociais. Fotos suas e de sua família foram reproduzidas pela internet, junto a comentários ofensivos e estimulando a violência, expondo sua segurança e a de seus parentes", disse, em nota, a associação.

CONFUSÃO

No dia 23 de outubro, a polícia do Rio deteve torcedores do Corinthians após confronto no jogo de reabertura do Maracanã entre Corinthians e Flamengo. Ao final da partida, a polícia isolou todos os torcedores corintianos presentes no estádio e deteve 39 suspeitos de participar da briga.

Na sequência, oito corintianos foram liberados e 31, detidos -horas depois, um torcedor que é menor de idade também foi liberado. Ouvidos pela reportagem, advogados especialistas em direito penal criticaram a prisão preventiva dos corintianos. "Não teve nenhum fundamento [a conduta policial]. Não é possível uma privação de liberdade, a não ser em flagrante delito sem ordem judicial", afirmou Gustavo Badaró, advogado e professor de processo penal da USP.

Para Arruda Botelho, conselheiro do Instituto de Defesa do Direito de Defesa, foi "ilegal manter as pessoas daquela forma. A imagem [de torcedores confinados na arquibancada do estádio] foi desproporcional."

Alberto Toron, advogado e professor de processo penal da FAAP, discorda. "A retenção momentânea me pareceu necessária. Ela legitimou a necessidade investigatória e diminuiu o erro para a prisão de inocentes."

No entanto, ele faz uma ressalva quanto à decisão tomada na terça pela juíza Marcela Caram de converter a prisão em flagrante em preventiva. Na sua opinião, essa medida fez com que houvesse uma punição antecipada.

Na sentença em que converte a prisão, Caram cita o depoimento de um policial que, em audiência, apontou os supostos crimes cometidos por cada um dos corintianos. Os depoimentos de outros três policiais corroboraram essa versão.

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