Procuram-se artilheiros na Série A

Em baixa, goleadores convivem com baixa média de tentos no Brasileiro deste ano, que pode ter recorde negativo

Fillme '3 Dias em Quiberon'Fillme '3 Dias em Quiberon' - Foto: Reprodução/Divulgação

O Campeonato Brasileiro 2016 tem tudo para ser lembrado como um dos mais emocionantes dos últimos anos. Afinal, há times brigando ponto a ponto pelo título, foram aumentadas as vagas de classificação para a Libertadores da América e há pelos menos três grandes clubes que nunca caíram lutando contra o rebaixamento. Mesmo com todos esses atrativos, a Série A deste ano pode também ser lembrada por um viés negativo: os artilheiros estão em baixa. Até o momento, os quatro goleadores da competição (Gabriel Jesus, Fred, Sassá e Robinho) balançaram as redes apenas 11 vezes. Uma média baixíssima. Ainda mais para um torneio disputado por pontos corridos. E esse ano pode ter recorde negativo desde que a competição passou a ser disputada no atual modelo.

Para se ter uma ideia, de 2006 para cá - quando a Série A passou a contar com 20 times - o pior desempenho dos candidatos a homem-gol foi justamente naquele ano. O centroavante Souza, então no Goiás, sagrou-se artilheiro daquela edição, mas anotou parcos 17 gols. Um número razoavelmente baixo. Até porque a média dos artilheiros nos pontos corridos é de 20,2 gols por edição. Entretanto, pelo andar da carruagem, tudo indica que o goleador do Brasileirão 2016 terminará a temporada com uma marca muito menor. A não ser que os goleadores deste ano superem as próprias médias que apresentaram na competição. Fred, por exemplo - artilheiro de 2012, com 20 gols - marcou 11 vezes em 27 jogos. Média de 0,40 por partida. Para o centroavante igualar a marca de Souza, teria que fazer, ao menos, seis gols até o final do campeonato.

O porém é que só restam oito rodadas. Ou seja, sua média teria que ser de 0,75 gol por jogo. Quase o dobro de seu índice pessoal. Um exemplo sintomático da escassez de artilheiros nesse ano é Gabriel Jesus. O atacante do Palmeiras teve um ótimo início de Brasileirão. Marcou 10 gols nas primeiras 15 rodadas. Depois, foi servir a Seleção Brasileira nas Olimpíadas. Perdeu sete rodadas. Mesmo ficando tanto tempo fora de combate, não chegou a ser ultrapassado na tabela de goleadores do torneio. Tinha tudo para ter disparado na artilharia. Contudo, depois da Rio-2016, o garoto só marcou mais uma vez, "estacionando" na turma dos 11 gols. O atacante do Verdão tem a média de 0,52 gol por jogo. Uma marca razoável, mas, mesmo que mantenha o índice até o desfecho da Série A, só chegará a 15 gols.

O dono da melhor média de gols entre os artilheiros do Brasileirão é, curiosamente, o nome menos badalado. Sassá, do Botafogo, marcou o mesmo número de tentos que Fred, Gabriel Jesus e Robinho. A diferença é que precisou de menos jogos para chegar nesta quantidade. O goleador do Fogão atuou em 19 partidas nesta Série A. Portanto, tem média de 0,57 gol por jogo. Assim como seus pares, terá que superar a própria média para chegar na marca de Souza em 2006. Outro candidato a goleador é o veterano Robinho, também do Atlético/MG. No entanto, como não se trata de um homem de área, dificilmente chegará a 17 gols. Outro indício de que ele dificilmente atingirá tal marca é a sua média de gols: 0,44 por jogo, acima apenas de seu colega de time Fred.

MÁ FASE
Além de os atuais artilheiros terem marcado poucos gols, outros notórios candidatos a artilheiro do Campeonato Brasileiro enfrentam períodos de vacas magras. O peruano Paolo Guerrero, do Flamengo, em má fase, foi acionado em apenas 14 rodadas e marcou cinco gols. O veterano Rafael Moura, do Figueirense, atuou em 23 ocasiões, mas só balançou as redes adversárias sete vezes. Já Ricardo Oliveira, autor de 20 gols na Série A 2015 era o mais forte postulante a goleador do Brasileirão deste ano. O problema foi que o centroavante do Santos ficou de molho no início da competição, em razão de uma lesão no joelho direito. O jogador até voltou bem, marcando seis gols em 12 partidas (média de 0,5 por jogo), mas dificilmente será artilheiro como no ano passado.

HISTÓRICO
Se a edição de 2016 do Brasileirão decepciona no quesito artilharia, em outros anos os goleadores deitaram e rolaram. Na era dos pontos corridos, Washington anotou 34 gols pelo Atlético/PR em 2004, e virou o maior artilheiro em uma só edição do Campeonato Brasileiro. A diferença é que o torneio contou com 24 equipes, e não 20, como hoje em dia. Em 2003, também com 24 times, pelo menos três jogadores marcaram gols à vontade. Dimba (Goiás) fez 31. Renaldo (Paraná) marcou 30 vezes. Já Luís Fabiano (São Paulo) estufou as redes em 29 ocasiões. Na era pré-pontos corridos, com menos partidas, o maior artilheiro total foi Edmundo (Vasco), com 29 tentos em 28 confrontos no ano de 1997 (média de 1,04 por jogo). No entanto, em termos de média, Reinaldo (ex-Atlético/MG), é insuperável. O ídolo do Galo fez 28 gols em 18 jogos, atingindo a espantosa média de 1,56 gol por jogo. Ou dois gols a cada três partidas, uma marca incrível para os padrões atuais.

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