Prodígio do judô prepara retorno ao esporte

Após superar lesão e depressão, Leonardo Sant'ana se aproxima da aguardada volta aos tatames, onde colecionou títulos e virou esperança olímpica

Mesmo com o adiamento da Olimpíada de Tóquio para 2021, judoca estabelece Paris-2024 como metaMesmo com o adiamento da Olimpíada de Tóquio para 2021, judoca estabelece Paris-2024 como meta - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O renascimento nos tatames está próximo para Leonardo Sant’ana. Sensação do esporte pernambucano em 2018, quando colecionou troféus regionais e nacionais e foi eleito melhor atleta do Estado, o judoca desenha o retorno sem alardes após romper o ligamento no joelho e ficar de fora das principais competições do ano passado. Com academias e clubes fechados, ele procura se adequar às exigências da pandemia para manter o condicionamento físico e viabilizar a retomada da carreira.

Antes disso, Leonardo precisou enfrentar o adversário mais duro da sua vida esportiva longe do ginásio. As complicações da lesão o afastaram dos treinos por quase um ano e trouxeram consequências além dos problemas físicos, como a suspensão do Bolsa Atleta Recife e uma depressão. Os benefícios da versão nacional do programa foram mantidos por conta do título brasileiro conquistado em 2018. “A pior parte foi ficar longe do esporte. Fiquei triste sim, mas acontece e bola pra frente. Agora estou recuperado e o foco é voltar bem”, disse o atleta.

Era previsto selar a volta e competir em alto nível novamente em maio e junho deste ano, mas a restrição de atividades por conta do novo coronavírus desencadeou o adiamento do seu reencontro com o judô, sendo necessário reconfigurar o planejamento para o restante de 2020. No ponto de vista de Leonardo, ainda assim, pouca coisa mudou em relação ao que já estava sendo feito na preparação. “Estou treinando em casa com um profissional e procurando me manter ativo. A única coisa que mudou é que na academia, no tatame, se tem o espaço adequado. Aqui (em casa), o espaço é todo improvisado, mas me mantenho focado e em breve volto”.

O calendário do judô no primeiro semestre foi amplamente suspenso pela Federação Internacional da modalidade (FIJ). Em medida aplicada no dia 3 de abril, a entidade revisou a primeira decisão – na qual houve a suspensão das atividades até 30 de março - e congelou todos os torneios de qualificação olímpica agendados até 30 de junho, começando com o Grand Slam de Ecaterimburgo, na Rússia. A postura da Confederação Brasileira (CBJ) foi similar e reavaliou a situação, decidindo pelo cancelamento de todos Campeonatos Brasileiros Regionais.

Tricampeão dos Jogos Escolares, campeão estadual, brasileiro - nos níveis Regional, Nacional e Escolar -, pan-americano, sul-americano e do Mundial Escolar na categoria dos pesados. Aos 19 anos, Leonardo construiu um currículo que faz inveja para muitos judocas experientes. Todavia, isso é só o começo. Ele pretende, ao menos, repetir a campanha de sucesso no campeonato nacional, mas é cético com a possibilidade de subir no pódio neste ano. “Ainda tenho bastante coisa pra provar, muita coisa pra ganhar e campeonato pra disputar. Só que agora não depende mais de mim, depende do coronavírus deixar. Espero ganhar pelo menos mais um título brasileiro no ano que vem, porque provavelmente esse ano não haverá mais competições. Espero que até o ano que vem tudo esteja normalizado pra eu estar voltando a brilhar nos tatames”, estimou.

Enquanto isso, os livros ditam parte da rotina do atleta e estudante. Atualmente cursando Odontologia, cinco horas são reservadas todos dias para encarar os estudos. Se destacar com o quimono não é suficiente e Leonardo aspira se sobressair com o jaleco, depois que realizar o sonho de cursar Medicina e se tornar ortopedista. Porém, ele enfatiza que o foco em primeiro plano reside no tatame. “Meu foco principal é o retorno ao esporte, ainda tem muita coisa para acontecer”, avaliou.

Logo depois do tricampeonato dos Jogos Escolares em 2018, o judoca alçou a meta de ir às Olímpiadas e estabeleceu Paris-2024 como destino, justificando que era “novo demais” para Tóquio-2020. Por pouco, entretanto, viu a ida ‘antecipada' ao evento se tornar realidade. Agora, reconhecendo a dificuldade de classificação no momento, ele novamente projeta alcançar o ápice da carreira esportiva na Olímpiada subsequente, quando pode estar no auge técnico. “Em 2018, quando foi a última seletiva olímpica, eu fui convocado. Só que, semanas antes, acabei me lesionando. Eu competi os Jogos Escolares, na minha última edição, já lesionado e daí, logo em seguida, veio a seletiva olímpica. Depois dos Jogos Escolares não tinha como disputar nada. Mas a meta é Paris 2024”, designou o atleta.

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