Projeto ajuda Brasil a chegar à elite do rugby no mundo

Jovens atletas fizeram parte de programa em Paraisópolis, em São Paulo, e hoje são destaques na seleção brasileira

Seleção brasileira feminina é campeã do Sul-Americano de RugbySeleção brasileira feminina é campeã do Sul-Americano de Rugby - Foto: Secretaría Nacional de Desportes/Twitter

Bianca Silva, de 20 anos, e Leila Silva, 22, tinham pretensões distantes do esporte. Uma queria ser professora de português. A outra, trabalhar com gastronomia. Ambas cresceram e ainda vivem na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo. Foi lá que embarcaram em uma jornada incomum que as levou para o outro lado do mundo, onde ajudaram a colocar o Brasil na elite do rugby mundial.

As duas foram fundamentais no título da seleção brasileira feminina do Hong Kong Sevens no início de abril. Anotaram tries na final contra a Escócia e colocaram o Brasil na elite da World Sevens Series, a liga mundial da modalidade. Foi a primeira vez que o país venceu a segunda divisão do esporte. Em 2020, pela segunda vez na história, as brasileiras disputam a divisão principal da modalidade. No último domingo (28), conquistaram mais um título, agora o sul-americano.

Como duas garotas que nasceram na maior comunidade da cidade de São Paulo se tornaram jogadoras de um esporte de elite? Ainda distante de ser popular no Brasil, o rúgbi aposta em projetos sociais para formar atletas. Bianca e Leila são frutos de uma ideia de 15 anos atrás, quando um grupo de jogadores de rugby que moravam no Morumbi enxergou, em junho de 2004, a oportunidade de divulgar o esporte e aumentar seu número de praticantes ao mesmo tempo em que poderiam proporcionar lazer e educação para crianças. Foi o nascimento do projeto Rugby Para Todos.

"Eles foram na minha escola e convidaram todo mundo. Eu acabei não indo, mas minha amiga foi, achou legal e, no outro dia de treino, eu acabei indo também. Não saí mais", conta Leila, que chegou a ser aprovada para cursar Gastronomia em uma universidade de Curitiba via ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), mas optou por seguir carreira no esporte, enquanto estuda Serviços Sociais.

Já Bianca não começou por causa da escola, mas justamente devido à falta de uma vaga para estudar. "Amigos me convidaram para participar de uma aula, eu fui e acabei achando muito diferente, porque nunca tinha praticado nenhum esporte parecido. Fiquei apaixonada", conta Bianca, que até os 15 anos jogou com meninos, até poder integrar o feminino no time Leoas de Paraisópolis.

"Eu não levava o rugby como algo que eu queria para a minha vida. "Só que eu comecei a ter uma desenvoltura muito boa, eu era rápida, conseguia ler o jogo e comecei a vivenciar isso, a pegar o gosto pela coisa", disse Bianca.

As jovens atletas não estiveram nos Jogos Olímpicos Rio-2016, quando o Brasil estreou em competições olímpicas no rugby. Elas são parte da renovação na seleção comandada pelo técnico neozelandês Reuben Samuel e foi justamente a Olimpíada que cativou as atletas para que optassem por fazer carreira no esporte.

"Via a preparação das meninas e comecei a sonhar com elas. 'Não vou jogar a Olimpíada esse ano, mas agora quero crescer como atleta da seleção brasileira'. Fui colocando objetivos e alcançando. Tenho muito a alcançar e progredir no rúgbi", afirma Bianca, que integra a seleção brasileira desde 2013.

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Com o Brasil classificado para os Jogos Pan-Americanos de Lima, que acontecerá entre os dias 26 de julho e 11 de agosto deste ano. Elas lutam para garantir um lugar no time em busca de medalha. Pouco antes, tem o Pré-Olímpico em busca da vaga em Tóquio.

As conquistas delas ajudam a divulgar o esporte para mais meninas em Paraisópolis e elas esperam que a oportunidade de jogar contra países tradicionais em diversos lugares no mundo possa ajudar a chamar a atenção para que mais crianças queiram praticar o rúgbi. E, por consequência, aumentar o nível de competitividade no país.

"As notícias saem no jornal de Paraisópolis, mostrando que uma pessoa de Paraisópolis está viajando o mundo. As pessoas olham e querem participar, conhecer o rúgbi e ter a oportunidade que eu tenho de viajar para fora. "Vai ser importante para a gente ter experiência no exterior, evoluir como atleta e trazer isso para o clube também. A discussão entre a gente é levar isso para elas também, ensinar o que a gente aprende, tentar ajudar de alguma forma. Levando para os clubes, o nível do rugby aumenta e os jogos são mais bonitos de ver", conclui Bianca.

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