Ramos: Reconhecimento que não tem preço

Ramos marcou o gol do título do Náutico na final do Pernambucano de 1968

Ramos olha com carinho o gramado em que marcou o gol mais importante da vidaRamos olha com carinho o gramado em que marcou o gol mais importante da vida - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Sentado no tradicional bar do Americano, na sede dos Aflitos, Ramos acompanha um jogo da Copa do Mundo. Sua presença, até então despercebida, dura pouco. Um torcedor o reconhece e trata de avisar para os demais no local. “Esse aqui é Ramos, autor do gol do hexa. Se não fosse por ele, a gente não tinha essa frase pintada nos Aflitos e era somente penta que nem os outros”. O reconhecimento dos alvirrubros é o sentimento que aquece o coração de João Reinaldo Ramos, de 73 anos. Há exatos 50, ele fazia o gol mais importante da sua carreira, o que deu a vitória do Náutico por 1x0 diante do Sport, na final do Campeonato Pernambucano de 1968.

Voltar a pisar no gramado dos Aflitos foi como revisitar uma antiga casa que passa por uma modernização. “Fui muito feliz aqui. Agora quero voltar quando o estádio for reinaugurado”, contou, observando as obras no Eládio de Barros Carvalho, ainda sem data para receber partidas do Timbu.

Autor de 44 gols em 124 jogos pelo clube, Ramos por pouco não trocou a futura fama pelo Náutico por uma oportunidade em São Paulo "Comecei na base do Vasco e fui transferido em 1965 para a Venezuela, para jogar no Caracas. Fiquei lá até 1968. Náutico e Palmeiras se interessaram por mim, mas como eu tinha amizade com Duque (técnico), eu optei por vir para cá”, afirmou.

Nem é preciso pedir para Ramos descrever como foi o gol do título. Bastou olhar para o canto esquerdo da barra voltada à sede para o atacante começar a narrar o lance. Primeiro com os olhos, depois com as palavras. "O lateral-direito do Sport, Valdecir, perdeu a bola no meio-campo. Lala passou para Ede e eu me posicionei na área. Já conhecia o estilo de jogo dele. Ede cruzou e eu corri para marcar", relembrou.

Pai de três filhos, dois deles alvirrubros e um rubro-negro, Ramos hoje trabalha no departamento de transportes do Ministério Público. Mas o anonimato não faz parte de sua vida desde 1968. “Fico muito orgulhoso de andar pelas ruas onde moro e ser reconhecido pelas pessoas. O que a gente leva da vida é isso", sentenciou.

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