A-A+

Futebol

Retorno do público tem ingresso caro, encalhe e prejuízo aos clubes

Entre os times de São Paulo, o Palmeiras foi quem mais ganhou com a bilheteria no Allianz Parque, mas está distante do patamar pré-pandemia

Torcida do Palmeiras no MaracanãTorcida do Palmeiras no Maracanã - Foto: Ricardo Moraes/AFP

Leia também

• Seleção se mobiliza após desabafo de Neymar e põe saúde mental em debate

O retorno do público aos estádios no Campeonato Brasileiro, no último dia 2, trouxe aos dirigentes a esperança de abastecer as finanças dos clubes, abaladas ainda mais em razão da pandemia do novo coronavírus. No entanto, a restrição de capacidade das arenas, os ingressos caros e os perigos do vírus ainda em circulação são obstáculos para uma arrecadação satisfatória e imediata. Ao reabrir as bilheterias, as agremiações viram ingressos encalhar mesmo operando com a capacidade de público reduzida.

Além disso, tiveram que arcar com novos e velhos gastos para receber o seu torcedor. Entre eles, a contratação de seguranças e de orientadores, a prestação de serviços de monitoramento por imagem e locações de equipamentos, como grades e banheiros químicos, por exemplo. Há também a obrigação de repassar 5% da renda bruta para federação estadual da qual o mandante faz parte e outros 5% destinados ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Entre os times de São Paulo, o Palmeiras foi quem mais ganhou com a bilheteria no Allianz Parque, mas ainda assim está distante do patamar pré-pandemia. A equipe alviverde arrecadou R$ 538 mil com a venda de 8.884 ingressos na derrota para o Red Bull Bragantino por 4 a 2 no sábado (9). Com os descontos de R$ 335 mil, o que inclui taxas, impostos e as despesas operacionais, a renda líquida foi de R$ 203 mil.

Para viabilizar a presença do seu público, o Palmeiras arcou com a contratação de brigada de incêndio/bombeiros, controladores de acesso e ingressos, além de locação de catracas, geradores e gradeamento. Outras gastos, que existiam mesmo sem a presença da torcida, apresentaram um acréscimo para atender aos protocolos sanitários como o serviço de limpeza e sanitização e quadro de funcionários na arena. Na última atuação do time como mandante e de portões fechados, o empate com o Juventude no último dia 3, os custos não passaram de R$ 76,1 mil.

O torcedor da equipe alviverde não acompanhava uma partida válida pelo Campeonato Brasileiro, no Allianz, desde o dia 1º de dezembro de 2019. Naquela ocasião, o Palmeiras recebeu o Flamengo, que já havia garantido o título da competição, e obteve uma arrecadação bruta de R$ 1,3 milhão e receita líquida de R$ 702 mil, com 22.219 pagantes. No retorno, o Corinthians é o que mais teve torcida no estádio: 10.470 pagantes na vitória sobre o Bahia, na terça (5), renderam R$ 520 mil, mas o clube ficou com apenas R$ 169 mil.

No Morumbi, o clássico entre São Paulo e Santos, na quinta (7), rendeu ao clube tricolor R$ 58 mil. Com a possibilidade de receber quase 20 mil pessoas, a equipe tricolor contou com o apoio de apenas 5.529 torcedores para arrancar empate por 1 a 1. O ticket médio, no Morumbi, foi o mais alto entre os rivais paulista: R$ 71,15, à frente do praticado no Allianz (R$ 60,59) e na Neo Química Arena (R$ 49,71).

O ingresso mais barato para o clássico com o Santos foi oferecido por R$ 110 na arquibancada (R$ 55 a meia-entrada).
Decepcionada com a baixa adesão do público, a diretoria são-paulina baixou os preços para receber o Ceará nesta quinta-feira (16). A arquibancada custará R$ 50, e o clube instituiu o bilhete no setor popular a R$ 20 (R$ 10 meia-entrada).
Em Bragança Paulista, o Red Bull embolsou R$ 4,8 mil (2.708 pagantes) diante do Flamengo, no estádio Nabi Abi Chedid.

O Santos, porém, amargou um prejuízo na vitória sobre o Grêmio por 1 a 0 na Vila Belmiro, no domingo (10).
Na tentativa de deixar a zona do rebaixamento, a diretoria alvinegra colocou ingressos à venda por R$ 40 (R$ 20 meia-entrada) e vendeu toda a carga disponível, 4.165 assentos, o que não evitou um déficit de R$ 71 mil.

Em cada estado, a quantidade de público está sujeita aos protocolos das autoridades locais. Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) determinou que, até quinta (14), os estádios poderão receber no máximo 30% de sua capacidade. Depois, o limite será de 50% e, a partir de 1º de novembro, 100%. No estado cearense, segundo determinação do governador Camilo Santana, Ceará e Fortaleza podem usufruir, no momento, de até 10% da arena Castelão. No Rio de Janeiro, o público máximo liberado é de 50%.

"A principal importância da volta ao público é no aspecto técnico. Para vislumbrarmos um retorno financeiro, é preciso partir de 30% da ocupação", diz Marcelo Paz, presidente do Fortaleza. Mesmo o Atlético-MG, líder da competição, e o Flamengo, clube que mais faturou com venda de ingressos em 2019, registraram prejuízos como mandante. O time mineiro contabilizou uma perda de R$ 35 mil na vitória sobre o Internacional, por 1 a 0, no dia 2 de outubro. Foram somados R$ 355 mil com a venda de 7.166 bilhetes, abaixo da capacidade permitida de quase 18 mil pessoas. Os gastos, porém, alcançam R$ 390 mil -sendo R$ 145 mil somente com segurança privada, por exemplo. Algo que não ocorria com os portões fechados.

A CBF não disponibilizou até a publicação deste texto o boletim financeiro do confronto dos mineiros contra o Ceará no sábado (9), o último em Belo Horizonte. Já o Flamengo, que colocou 35 mil entradas à venda, vendeu somente 8.843 (R$ 713 mil) e teve um prejuízo de R$ 263 mil.

No orçamento para este ano, a maioria dos clubes estimava lucrar com a volta do torcedor desde o começo do segundo semestre. No entanto, o Brasil foi assombrado por uma nova escalada de casos de Covid e óbitos a partir de março deste ano, o que culminou na manutenção das medidas restritivas. O conselho de administração do Flamengo aprovou, na semana passada, uma readequação orçamentária com receitas totais de R$ 984 milhões em 2021. Inicialmente, o clube estimava faturar R$ 173 milhões com programa de sócio-torcedor e bilheteria. A previsão, agora, é de R$ 51 milhões.
Plínio Signorini, CEO do Atlético-MG, lamenta o fato de não conseguir explorar ao máximo a liderança dos comandados de Cuca.

"Tínhamos um orçamento, para este ano, com receita adicional de R$ 40 milhões com a volta do público a partir do segundo semestre. Em 2020, a gente fecharia com um volume de R$ 50 milhões, mas tivemos R$ 11 milhões, o que foi desastroso", diz o Signorini.

Veja também

Após empate, Hélio reforça que ainda acredita em acesso
Futebol

Após empate, Hélio reforça que ainda acredita em acesso

Após início com falhas, Náutico reage, mas fica no empate diante do Vasco
Futebol

Após início com falhas, Náutico reage, mas fica no empate diante do Vasco