Dom, 08 de Março

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Rio Open abre espaço para a mais nova promessa do tênis brasileiro

Guto Miguel, de 16 anos, vai disputar pela primeira vez a chave principal de um torneio ATP e sonha enfrentar João Fonseca

Guto Miguel, em partida contra Oliver Bonding, da Inglaterra, nas quartas de final do US Open Junior. Guto Miguel, em partida contra Oliver Bonding, da Inglaterra, nas quartas de final do US Open Junior.  - Foto: Ishika Samant/AFP

A pouca idade de Luís Augusto Queiroz Miguel, o Guto Miguel ou Gutão para os mais íntimos, está estampada no sorriso de menino e no brilho no olhar de quem ganhou de presente uma vaga na chave principal do Rio Open — o wild card seria para o qualifying que começa hoje no Jockey Club Brasileiro, mas a desistência de Gael Monfils abriu portas para o goiano de 16 anos.

A postura de atleta, o físico esguio e a firmeza nas palavras, no entanto, comprovam que se está diante da mais nova promessa do tênis brasileiro. Atual número 3 do ranking mundial juvenil da ATP, Guto vai disputar o principal torneio da carreira até o momento a partir de segunda-feira. O adversário só será definido amanhã.

— É o maior torneio e sendo no Brasil é ainda mais importante para mim. É uma experiência única. Eu venho treinando bem e confiante. Eu tive boas semanas de torneios no começo do ano. Então acho que quanto mais solto eu jogar e quanto mais focado eu estiver, melhor vai ser o resultado. Tomara que consiga algumas vitórias aqui. E, por que não, né? Vamos tentar tentar fazer história — diz Guto Miguel, que terá o apoio presencial da família.

Não seria nada ruim, segundo ele, um confronto futuro com João Fonseca, a grande aposta do torneio e responsável pelo recente boom do tênis no país. A quadra central Guga Kuerten certamente iria abaixo.

— Mas um joguinho interessante seria eu contra o João, né? Isso é legal. Não precisa ser na primeira rodada. Mas se rolar vai ser bom — sonha o garoto.

O discurso confiante é resultado de quem vem aprendendo a lidar bem com a pressão. Não sem ajuda. Cercado por uma equipe multidisciplinar necessária no nível profissional, Guto tem acompanhamento psicológico desde 2024.

Foi fundamental para o jovem manter a calma nos momentos mais importantes do jogo, mas Guto evita detalhar as mudanças mais profundas em seu comportamento.

— Ele me mudou bastante, eu era bem estressado. Mas não posso falar tudo, é meu segredo — brinca Guto, que agora já conta com patrocínios para bancar as viagens. — Antes, era meu pai e minha madrinha.

Foi exatamente há dois anos que Guto Miguel passou a figurar nas páginas especializadas de tênis. Os primeiros títulos de simples vieram em Cali e Bogotá, na Colômbia. Mas a virada de chave aconteceu mesmo ano passado.

O tenista conquistou torneios importantes na categoria, na Bélgica e no Canadá, disputou os quatro Grand Slams juvenis, chegou às semifinais do US Open, marcou os primeiros pontos no ranking da ATP ao participar de competições profissionais da ITF e encerrou a temporada com o título do J500 de Mérida, no México, em dezembro, alcançando sua maior vitória na carreira juvenil.

O crescimento, contudo, não foi fruto apenas dos triunfos e do forehand agressivo. Logo após a semifinal do US Open, Guto participou do Challenger da Costa do Sauípe, com tenistas mais rodados no circuito. Surpreendeu ao ficar com o título nas duplas ao lado de Eduardo Ribeiro. Mas percebeu que ainda precisa evoluir um tanto entre os profissionais.

— Eu tive a chance de jogar a primeira rodada. E ali deu para ver que eu tenho o nível para jogar com os caras. Mas eu tinha que melhorar muitas coisas, e o ponto positivo foi esse. Conversei com os treinadores, e eles me falaram que tenho bastante chance de ser um desses caras logo. Mas curtir o processo é o mais importante no momento — afirma ele, que deixou Goiânia aos 13 anos para treinar em Brasília e hoje faz parte do Time Rede Tênis.

Sem apressar os passos, Guto e equipe decidiram mesclar torneios juvenis com algumas participações no Challenger.

Ao contrário do irmão mais velho, Felipe, que optou pelo tênis universitário nos Estados Unidos, o garoto tem a certeza de que seu caminho é no circuito profissional. O sonho da temporada é a conquista de Roland Garros juvenil. Apesar de ser bom na quadra dura, o saibro é seu piso predileto:

— É a tradição do Brasil.

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