Rivaldo nem teve tempo de virar ídolo no Arruda

Negociado antes de se firmar como titular do time tricolor, Rivaldo explodiu no Mogi Mirim/SP e partiu para ganhar o mundo

RivaldoRivaldo - Foto: Arte/Folha de Pernambuco

O ano era 1990. À época, um garoto criado nas categorias de base do Santa Cruz parecia ser a solução para o problema de ataque tricolor. Testado inicialmente na ponta-esquerda, ganhou vaga de titular como centroavante. Disse, inclusive, preferir. Naturalmente, aos 18 anos de idade, Rivaldo pouco sabia o que o destino lhe reservava. Em uma de suas primeiras entrevistas, revelou seu maior sonho. “Meu sonho, estou realizando, jogando no Santa Cruz. Espero, se o sonho se realizar mais, ser ídolo dessa torcida.” O sonho de ser ídolo do clube tricolor, na verdade, não chegou a se concretizar. Mas ele foi ídolo do Corinthians, do Palmeiras, do La Coruña, do Barcelona e, enfim, de toda a torcida brasileira ao sagrar-se pentacampeão mundial em 2002.

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Aquele que viria a ser o último camisa 10 de uma Seleção Brasileira campeã mundial nasceu Rivaldo Vitor Borba Ferreira, no dia 19 de abril de 1972. Rivaldo foi lançado pelo técnico Sérgio Cosme no time principal tricolor em 1991, na disputa da Série B, junto com Válber, outra promessa da nova geração tricolor. O clube, porém, não subiu de divisão e aqueles jovens acabaram "encostados", no Arruda. A nova chance só viria no início de 1992, na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Ainda com idade para a competição, Rivaldo e Válber brilharam.

Mas, ao retornar do torneio, voltou a ficar no ostracismo no Arruda. O Santa havia contratado vários jogadores "tarimbados" do Mogi Mirim/SP e os pratas da casa ficaram a ver navios. Até que chegou uma proposta de São Paulo: o Mogi liberava em definitivo para os tricolores quatro jogadores, que já estavam no Arruda, por empréstimo, e ainda pagava mais U$ 20 mil para levar Rivaldo, Válber e o ponta Leto. Negócio fechado.

Rivaldo foi para a cidade interiorana e acabou sendo um dos destaques do chamado "Carrossel Caipira". Em 1993, o ex-trio tricolor já estava no Corinthians, por empréstimo. No ano seguinte, porém, Válber e Rivaldo foram negociados com o Palmeiras, onde foram campeões paulistas e brasileiros. Também foram convocados para a Seleção Brasileira.

Ao transferir-se para o La Coruña/ESP, Rivaldo caiu rapidamente no gosto da torcida por conta do talento apurado e dos golaços anotados. Não demorou muito a chamar atenção do gigante Barcelona, que o contratou para a temporada seguinte. Fez história. A carreira bem-sucedida se prolongou no Barça, onde disputou 235 partidas e marcou 130 gols, e foi assim consagrado pela Fifa como Bola de Ouro, em 1999. Rivaldo havia se tornado o melhor jogador do mundo.

Seleção
O pernambucano não compôs o plantel do Mundial de 1994, convocado por Carlos Alberto Parreira. Mas, após um excelente Campeonato Paulista em 1996 disputaria, como um dos três jogadores acima de 23 anos do elenco brasileiro, as Olimpíadas de Atlanta que ganharia a medalha de bronze. Acabaria como um dos crucificados na derrota nas semifinais para a Nigéria por ter errado um passe que resultou em um dos gols na vitória dos africanos na prorrogação, e com isso ficou um ano sem defender a Seleção.

Retornou à Amarelinha para a disputa da Copa das Confederações de 1997. No ano seguinte, finalmente o primeiro Mundial. Na França, teve grande desempenho com jogadas de efeito e assistências, marcando três gols. Pouco pode fazer, no entanto, na derrota ante os anfitriões na final. Na disputa das eliminatórias da Copa do Mundo de 2002, foi muito criticado pela torcida brasileira. Seu futebol na Seleção não lembrava o desempenho apresentado no Barcelona, diziam. Após um desgaste devido a xingamentos ouvidos em um jogo contra a Colômbia, no estádio Morumbi, chegou a declarar que não iria defender mais o Brasil. Sua redenção estava próxima.

Não há dúvidas de que Rivaldo foi um dos principais responsáveis por liderar o Brasil rumo ao pentacampeonato na Copa do Mundo da Coreia/Japão. Destacou-se logo na fase de grupos marcando três gols, um em cada jogo, e dando assistências. Continuou decisivo nos mata-matas. Deixou sua marca contra a Bélgica e diante da Inglaterra. Nas semis, contra a Turquia, apesar de ter atuado bem, não conseguiu balançar as redes. Voltou a não fazer gols na final contra a Alemanha. Mas isso não o tornou menos decisivo. Muito pelo contrário. Rivaldo participou de forma fundamental nos dois tentos da vitória por 2x0, que rendeu a quinta estrela ao peito da Seleção Brasileira. O sonho de ser idolatrado por uma torcida já havia se realizado. Rivaldo foi amado pelo Brasil.

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