Ronaldinho Gaúcho recupera passaporte e vai a Israel para amistoso

O passaporte havia sido apreendido em janeiro, depois que a Justiça do Rio Grande do Sul moveu ação contra o ex-jogador, em 2015, por danos ambientais

Ronaldinho GaúchoRonaldinho Gaúcho - Foto: Ronald Martinez/AFP

O empresário carioca Mauro Rozenszajn, 37, respira aliviado às vésperas de um evento esportivo que planeja há mais de um ano. Depois de meses de incerteza, ele enfim teve a confirmação de que contará com a presença de Ronaldinho Gaúcho no "Shalom Game". O amistoso em prol da paz terá a participação dele e de outros ex-jogadores brasileiros: Kaká, Bebeto, Roberto Carlos, Rivaldo, Cafu, Emerson e César Sampaio são alguns dos escalados. Eles vão jogar contra ex-ídolos do futebol israelense em partida que acontecerá nesta terça-feira (29), em Haifa (norte de Israel).

Ronaldinho desembarcou no país nesta segunda (28) para o primeiro grande evento fora do continente após ter recebido de volta seu passaporte. Há duas semanas, participou de um jogo amistoso na Colômbia, país que não exige esse documento para a entrada de visitantes brasileiros. Neste mês, ele teve que pagar uma multa ambiental de R$ 6 milhões para reaver o documento. Só assim conseguiu embarcar para Miami, onde tem imóveis e negócios, e em seguida para Israel.

"Estou voltando à minha rotina, né? Tive um problema com o passaporte. Então, estou feliz de poder voltar a viajar", afirmou rapidamente à Folha de S.Paulo ao desembarcar em em Tel Aviv. O passaporte havia sido apreendido em janeiro, depois que a Justiça do Rio Grande do Sul moveu ação contra o ex-jogador, em 2015, por danos ambientais. "A gente ficou preocupado, mas estávamos monitorando desde o início. Sempre acreditamos que tudo iria se resolver e que ele viria. Acreditamos que ele estava fazendo o necessário, do lado dele", diz Rozenszajn, acrescentando que, apesar da dúvida quanto à presença do ex-atleta, nunca tirou o nome de Ronaldinho Gaúcho do site e das campanhas promocionais do evento.

A multa era, inicialmente, de R$ 8,5 milhões, mas o valor foi diminuído em acordo feito no início de outubro. Ronaldinho e seu irmão, o empresário Roberto Assis Moreira, foram condenados em 2015 pela construção ilegal de um trapiche, uma plataforma de pesca e atracadouro, na orla do rio Guaíba, em Porto Alegre, sem licenciamento ambiental.

Desde a apreensão do passaporte, Ronaldinho não viajava para o exterior, deixando de cumprir com sua agenda de compromissos internacionais. Mauro Rozenszajn dirige a Ronaldinho Soccer Academy em Israel, uma escolinha de futebol com o nome do jogador brasileiro com filiais pelo mundo. Também por isso, a presença do parceiro empresarial no país era importante. Ronaldinho esteve no país em abril de 2018 para o lançamento da escolinha.

"Temos aqui a Ronaldinho Soccer Academy. Mas não é só por isso que queríamos que ele viesse. O israelenses gostam muito da figura do Ronaldinho. Fomos até o fim nessa história de trazê-lo", diz Rozenszajn. Apesar da suspensão do passaporte, Ronaldinho Gaúcho foi anunciado em setembro como "embaixador do turismo brasileiro" pela Embratur. Sua função -simbólica e sem remuneração- é parte de um programa para divulgar locais turísticos do Brasil pelo mundo.

Dentre as ações previstas pelo órgão com ex-jogador está a criação de um reality show chamado "Rei do Rolê". Outros 14 convidados também foram nomeados pela Embratur, entre eles Amado Batista, Renzo Gracie e a dupla Bruno e Marrone.
Ronaldinho, que se filiou em março de 2018 ao partido Republicanos, foi uma das celebridades esportivas que apoiaram abertamente a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência.

Às vésperas do primeiro turno das eleições, ele postou uma foto com uma camisa da seleção e o número 17 com a legenda: "por um Brasil melhor, desejo paz, segurança e alguém que nos devolva a alegria". Diante da repercussão, ele não se manifestou antes do segundo turno. Em junho, o jogador almoçou com Bolsonaro no Palácio do Planalto, em evento divulgado na sua conta no Instagram.

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