Santa Cruz: dos erros às lições para 2017

Diretoria do Santa Cruz analisa o que deu errado neste Brasileiro para projetar o trabalho na nova temporada

Presidente Constantino JúniorPresidente Constantino Júnior - Foto: Bruno Campos/arquivo folha

 

“Ainda não tive uma conversa com a diretoria. Pretendo ter em breve...” Estas palavras foram ditas pelo então técnico do Santa Cruz, Doriva, quando perguntado sobre o planejamento para 2017, na última terça-feira. Os capítulos seguintes, contudo, foram marcados por derrota para o Botafogo (1x0), greve de funcionários devido a atraso de salários e o adeus do próprio treinador, que acabou pedindo as contas. O enredo não estava nos planos da diretoria coral. Fato é que o clube terá de caminhar sob nova tutela técnica. Entre as promessas feitas pelos dirigentes, está reconhecer os erros cometidos, aprender com a experiência desastrosa na Série A e resgatar uma raiz que já se mostrou vitoriosa no Arruda, a base.
O último rebaixamento do Santa Cruz na Série A aconteceu há exatamente dez anos, e foi sucedido por uma derrocada sem precedentes. O fundo do poço foi visitado pelos corais. Com problemas financeiros - inclusive bem parecidos com os vividos atualmente -, a última alternativa do clube foi apostar nas categorias de base. E os frutos vieram através de títulos e acessos. “Alguns atletas da base podem vir a surgir com essa oportunidade e quem sabe não fiquem para o ano de 2017”, disse o vice-presidente Constantino Júnior. “Podemos até aproveitar alguns jogadores nessa reta final da Série A.”
Para que este planejamento seja seguido à risca, quem assumir o time terá de falar a mesma língua da diretoria. Por enquanto, Adriano Teixeira segue no comando da equipe, ao menos até o encerramento do Brasileiro - tempo considerado suficiente para a análise de nomes. “Estamos fazendo um trabalho de prospecção do mercado, não somente para o treinador, mas também para a montagem do elenco. O treinador vai ter de se enquadrar em algumas normas. E certamente vai pesar a palavra final dele na hora das contratações. Não vamos buscá-lo de maneira desesperada. Temos de discutir o perfil com muita tranquilidade”, declarou o dirigente.
Boa parte do grupo que defendeu o Santa Cruz na pífia campanha da Série A foi, no início da atual temporada, campeão da Copa do Nordeste e do Campeonato Pernambucano. Para a diretoria tricolor, tal fato dá o carimbo de vencedor a muitos atletas e, por conta disso, alguns devem permanecer para 2017. “No processo de reformulação, tirar um jogador não é barato. Se ele tem contrato até o fim do ano, é obrigatório pagar até dezembro. Às vezes, uma precipitação pode acabar saindo mais caro. E isso tem que ser levado em consideração. Existe um planejamento financeiro para que o clube não pague por essa situação”, acentuou.
A crise financeira no clube é evidente. Mas é sentida apenas pela greve dos funcionários, que não recebem há cinco meses, e pelos atletas, sem os vencimentos há três meses. A diretoria do Santa Cruz projeta o recebimento de um valor aproximado de R$ 4 milhões, que deve entrar até o término de 2016. São R$ 1,7 milhões do restante a ser pago pela Conmebol devido à participação do time na Copa Sul-Americana, R$ 2 milhões de cotas de televisão e o restante, algo em torno de R$ 300 mil, referentes a patrocínio. Diante de tal cenário, o presidente Alírio Moraes conseguiu entrar em um acordo com os funcionários do clube, e a greve chegou ao fim na sexta-feira. O primeiro obstáculo, enfim, foi superado.

 

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