Constantino Júnior, presidente do Santa Cruz
Constantino Júnior, presidente do Santa CruzFoto: Anderson Stevens/Arquivo Folha

Este talvez fosse o ano do alento, o começo de 2020 que todo tricolor esperava. Apesar de algumas limitações dentro e fora de campo, o cenário para o Santa Cruz caminhava quase que perfeito. Até primeira ordem, elenco enxuto, mas salários em dia. Líder disparado do Campeonato Pernambucano, vaga garantida na semifinal da competição, com 22 pontos, e chances claras de avançar ao mata-mata da Copa do Nordeste. São 10 triunfos em 17 jogos disputados. No Arruda, 91,6% de aproveitamento considerando os dois torneios. Pois é, mas o “quase” faz toda a diferença e já é entrave suficiente para que, num simples detalhe, o rumo do jogo seja virado.

Perdas
A pandemia do novo coronavírus começou a atingir os clubes brasileiros em março. No Caso do Tricolor, as atividades internas foram suspensas no dia 17 de março. Daí por diante, um efeito dominó negativo entrou em ação. Se em fevereiro, o número de sócios titulares adimplentes era de aproximadamente 5 mil, em dois meses o clube viu esse número cair drasticamente e agora conta com um pouco mais de 1 mil sócios em dia, o que levou o clube a uma perda de mais de R$ 200 mil em arrecadação.

O mesmo banho de água fria ocorreu com alguns patrocinadores, que também ao sentirem os efeitos da crise, reduziram em 50% o pagamento mensal ao Santa - casos de JBS e Ilumi. A Estadium Bet, empresa de apostas esportivas e patrocinadora máster da Cobra Coral, ainda não efetuou os repasses de março e abril.

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Com esses e outros fatores de queda, como o não recolhimento de receitas em dia de jogos e movimentação no bar da sede social, o clube reduziu em 30% os salários de atletas e comissão técnica, acordo que deve ser posto em prática a partir do pagamento do mês de abril. Entretanto, os vencimentos do mês de março foram pagos parcialmente e abril ainda está em aberto, mesmo com a redução. O mandatário do Santa Cruz, Constantino Júnior, explicou a situação e reiterou dizendo que a prioridade do clube é “honrar os compromissos salariais” de funcionários e atletas.

"Nenhum time estava preparado para uma situação como essa, esse é o grande X da questão. Temos sobrevivido, buscando de forma inteligente apertar o cinto, sendo austero. Mas é difícil, numa situação como a nossa, um clube grande. Diminuiu o número de sócios, diminuiu patrocínio, porque não está tendo jogos. Está sendo um esforço sobre-humano. Temos cuidado financeiramente também. Com os atletas, temos tido cuidado, tentando honrar. Todos os esforços da direção estão voltados para honrar os compromissos salariais", explicou o presidente do executivo coral.

De acordo com Tininho, os atletas com os menores salários receberam integralmente os vencimentos de carteira do mês de março. Ainda segundo o dirigente, os demais jogadores, aqueles que recebem acima de R$ 6 mil, receberam referente ao mesmo mês um valor "proporcional" aos seus salários, alguns 60%, outros 70%, por exemplo, dos seus vencimentos mensais.

O clube adiou à reapresentação do elenco e da retomada às demais atividades no Arruda para o dia 1º de junho, portanto, segue sem previsão para o retorno dos treinos. A última partida do Santa Cruz antes da paralisação do futebol por conta da Covid-19 foi no dia 15 de março, já de portões fechados. Na ocasião, o Tricolor bateu o Decisão Bonito por 2x1.

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