Vice-presidente do Santa Cruz Tonico Araújo, ao lado de Constantino Júnior
Vice-presidente do Santa Cruz Tonico Araújo, ao lado de Constantino JúniorFoto: Paulo Allmeida/Folha de Pernambuco

Mais de dois meses sem colocar as chuteiras no gramado, o Santa Cruz vive momento difícil. O apelo à CBF, junto aos clubes que vão disputar a Série C, resultou no auxílio de R$ 200 mil ao Tricolor, que destinou esse dinheiro ao pagamento da folha salarial. O mesmo destino ganharam as recentes campanhas criadas pelo marketing do clube, ainda que as receitas não tenham sido suficientes para quitar todas as despesas. Em contato com a Folha de Pernambuco, o vice-presidente da Cobra Coral, Tonico Araújo, defendeu a possibilidade de o Governo do Estado pleitear uma ajuda financeira aos clubes pernambucanos, enquanto a bola não volta a rolar no estado. Governo, contudo, não prevê apoio no momento. 

Através de patrocínio, os dois representantes do Pará na competição, Remo e Paysandu, receberam ajuda financeira do governo estadual, recentemente, em parceria com o Banpará. Cada um será beneficiado com o aporte de R$ 1 milhão. Enquanto Bragantino e Independente, na Série D, asseguraram R$ 200 mil cada. Em contrapartida, os clubes vão estampar a marca do banco paraense no uniforme e fazer campanhas publicitárias estimulando o turismo na região, pós-pandemia.

Em Pernambuco, os clubes não contam com patrocínio estadual, portanto, nenhuma ajuda nesse sentido é prevista. Realidade que poderia ser mudada, na visão do vice-presidente do Santa Cruz, Tonico Araújo, que, em meio à crise financeira intensificada com o avanço da Covid-19, enfatizou a importância do futebol.

“Eu não gostaria, como cidadão, de receber uma ajuda sem contrapartida. Se a gente contar com a contrapartida, por que não entrar no campo com a faixa ‘conheça Fernando de Noronha’? Ou ‘venha conhecer o artesanato de Caruaru’! Qualquer coisa que o governo queira divulgar na área de turismo, na área de negócios. Agora existe o preconceito de se dizer: uma hora dessas (de pandemia) está ajudando o futebol. E se esquece que futebol é uma das coisas que leva o cidadão ao esporte, à emoção e à vida. Não é à toa que movimenta o tanto de dinheiro no mundo, e se movimenta esse dinheiro todo é porque é importante”, comentou.

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Tonico revelou que, antes da pandemia, o presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, entrou em contato com ele para falar da criação de um projeto da entidade com o governo estadual, mas que, em decorrência do coronavírus, acabou não caminhando. Em contato com a reportagem, Evandro confirmou essa e outras tentativas de firmar a parceria.

“Nós não possuímos contrato de patrocínio, razão pela qual não temos nem o (valor) principal, e, por isso, não tem como ter o (valor) aditivo. A gente espera que o governo possa, dentro das possibilidades, viabilizar alguma contrapartida ao futebol. Seria ótimo, maravilhoso. Já tentamos várias vezes ao longo de cinco anos, mas não obtivemos êxito. Diante disso tudo (pandemia), com muito mais dificuldade, nós não vemos como factível, no momento, buscar essa parceria”. O presidente da FPF finalizou dizendo que no fim do primeiro semestre deste ano outra tentativa de parceria será alçada visando o segundo semestre.

O Governo do Estado, através da Secretaria de Imprensa, informou não ter previsão sobre nenhum suporte financeiro às equipes locais, e enfatizou a crescente no número de casos confirmados e de óbitos causados pela Covid-19. Na tarde desta quarta (20), a Secretaria Estadual de Saúde divulgou o boletim atualizado do número de casos. São 22.560 pessoas com o novo coronavírus, sendo 1.834 óbitos, 93 a mais que o apresentado pelo boletim divulgado na terça. Sobre a procura da FPF para firmar uma parceria antes da pandemia, o Governo replicou, informando não ter ocorrido nenhuma consulta formal.

À reportagem, o Governo do Estado também disse que está em construção um plano de retomada para todos os setores econômicos, a fim de ajustar o momento certo de voltar. De acordo com o governo, a prioridade é trabalhar para diminuir o número de infecções e oferecer atendimento às pessoas que precisam dos cuidados corretos.

Por fim, o Estado informa que não chegou a receber nenhum protocolo médico dos clubes locais para o retorno dos treinos, e, em complemento, ainda não vê como possível o retorno dos trabalhos em campo na segunda quinzena de junho, como prevê a FPF, tampouco estabeleceu possíveis datas para a retomada paulatina das atividades esportivas em Pernambuco.

No Ceará
Também por meio de patrocínio, a Prefeitura de Fortaleza anunciou um aditivo no repasse ao Fortaleza e ao Ceará, os dois representantes da capital cearense na Série A. Ao todo, R$ 1,3 milhão será distribuído para cada equipe, segundo a prefeitura e os respectivos presidentes dos clubes, parcelados em quatro vezes após a pandemia do novo coronavírus.

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