FUTEBOL

Santa tem responsabilidade de manter desempenho equilibrado dentro e fora de casa

Favorito ao acesso, Tricolor tem mostrado desempenho oscilante no Arruda e mais proativo fora, apesar de melhores números como mandante

Elenco do Santa Cruz comemorando golElenco do Santa Cruz comemorando gol - Foto: Rafael Melo/SCFC

As Leis de Newton, publicadas pela primeira vez em 1687, na trilogia Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, deixaram ao mundo o legado de como as forças são capazes de atuar sobre os corpos da natureza. A noção de "equilíbrio" ganha abrangência a partir disso, que, em resumo, acontece quando as forças externas que atuam sobre um corpo não são capazes de alterar seu posicionamento. No futebol, a teoria da física se faz na prática para o Santa Cruz. 

Na Série C do Campeonato Brasileiro 2020, nenhuma equipe ainda foi capaz de se mostrar superior ao Tricolor nos 90 minutos de jogo - nem mesmo o Vila Nova, responsável pela única derrota dos corais no campeonato até aqui. Sob o comando de Marcelo Martelotte, são sete partidas de invencibilidade, com cinco vitórias e dois empates. 

Contudo, considerando as 12 rodadas da competição, a Cobra Coral somou 16 pontos em seis jogos no Arruda, contabilizando apenas um empate e sobrando em relação aos adversários como o melhor mandante entre os 20 clubes da Terceirona. O desempeho equivale a 88,8% de aproveitamento. Bom rendimento que se expande aos jogos fora de casa, também sendo o melhor visitante, com 61,1% de aproveitamento e 11 pontos conquistados de 18 disputados.  

Mas para a alegria de linguistas e sociólogos nem tudo explica "as leis universais" da física. Ainda que os números do Tricolor sejam dignos de aplausos, o time ainda mostra uma disparidade de comportamento entre os duelos disputados no Arruda e os fora de casa. 

Como mandante, o Santa recebeu Treze, Imperatriz, Remo, Jacuipense, Paysandu e Botafogo, e só não mostrou oscilação na postura, principalmente na virada de um tempo para o outro, contra o Cavalo de Aço, quando conseguiu emplacar uma vitória tranquila por 2x0. Perante os demais adversários, o que se viu foi uma parcial desconexão entre os setores defensivo e ofensivo - ainda em processo de ajuste. 

Diante do Remo, a equipe assegurou o triunfo com gol do zagueiro Elivelton - em um desempenho abaixo dos homens de frente e muitas falhas na recomposição. Contra Jacuipense e Paysandu, o ataque voltou a funcionar, numa inversão proporcional de desempenho entre os setores. 

Vale destacar que, apesar dessas oscilações em casa, o time conseguiu fortalecer o senso de coletividade, o que tem sido fundamental para segurar o placar ante os visitantes. Longe dos seus domínios, por outro lado, a equipe coral tem se mostrado mais proativa (em consistência). O aspecto destoante, contudo, aparece quando observamos a quantidade de gols marcados e sofridos, por exemplo. Foram 12 tentos anotados e seis sofridos em casa. Já longe do Arruda, a pontaria coral funcionou seis vezes e teve a defesa vazada em três ocasiões. 

Apesar de não crer que exista grande diferença entre as performances do time no Recife e fora de casa, o executivo de futebol do Santa, Nei Pandolfo, reforçou a atenção do comandante tricolor para esse aspecto.

"O adversário quando está atrás acaba se lançando um pouco mais, e foi até um dos temas da conversa do Marcelo (Martelotte) com o elenco: aproveitar um pouco mais os nossos contra-ataques. A gente teve as oportunidades de matar o jogo (contra o Botafogo/PB) e isso acabou não se consolidando", disse. 

"Isso tem acontecido às vezes. Mas normalmente vem depois que você consolida o resultado. Marcelo ainda está construindo essa equipe, apesar de já estarmos há várias rodadas invictos, sofrendo pouco. A ideia é consolidar cada vez mais", emendou. 

Amarrar uma postura estável dentro das quatro linhas é um dos desafios corais a serem superados ainda nesta fase da competição. Até porque, assim como a classificação, para isso a contagem regressiva também já foi iniciada. 

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