Seleção da França representa um caldeirão de etnias

Dos 23 atletas que compõem o time da França, 19 poderiam estar defendendo outros países na Copa da Rússia

Comemoração da seleção francesa após gol de MbappéComemoração da seleção francesa após gol de Mbappé - Foto: Anne Christine Poujoulat/AFP

A Copa do Mundo, como o próprio nome explicita, é um torneio feito para abarcar a maior quantidade possível de nações no futebol de alto nível. Em um mundo globalizado, nada mais natural que inúmeras equipes atuem com um número considerável de jogadores naturalizados. Contudo, se há alguma seleção que represente com dignidade a mistura entre povos de origens distintas, essa é a França. Finalista do Mundial, a seleção francesa é praticamente um apanhado de etnias diferentes, com atletas não só descendentes de etnias, classes e religiões variadas, como possui até mesmo integrantes nascidos em outros países. Em suma, um retrato fiel da heterogeneidade que marca a própria França.

Leia também:
Croácia x França: Uma final com cara de revanche
França jogará toda de azul na final contra a Croácia
Há exatas duas décadas, a França era campeã do mundo
Deschamps destaca caráter da França para chegar à final
Para se ter uma ideia da multiculturalidade da equipe comumente chamada de Les Bleus (Os Azuis), dos 23 jogadores que compõem o grupo montado pelo técnico Didier Deschamps, 19 deles poderiam estar defendendo outras seleções na Copa da Rússia, seja por conta das raízes em outros países, ou até mesmo por não terem nascido na França. Da atual equipe, há pelo menos quatro atletas de outras nações: Umtiti (Camarões) e Mandanda (República Democrática do Congo), Varane (Martinica) e Lemar (Guadalupe). Sobre esses dois últimos, apesar de serem estrangeiros, ao menos nasceram em territórios que pertencem à França, embora Martinica e Guadalupe possuam seleções próprias.
Do restante da equipe, somente o goleiro Lloris, o zagueiro Pavard e os atacantes Thauvin e Giroud não têm ascendência em outras nações. Todos os outros, por conta de suas origens, poderiam estar envergando outros uniformes neste Mundial. Apesar do sucesso da atual, e miscigenada, geração, há tempos que a seleção francesa se "beneficia" de poder contar com imigrantes ou filhos de estrangeiros. O lendário Just Fontaine - maior artilheiro em uma única edição da Copa do Mundo, com incríveis 13 gols em seis jogos - nasceu no Marrocos, na época em que o país, situado no Norte da África, era uma colônia da França.
A linhagem de descendentes ou estrangeiros que fizeram história com o manto azul não parou por aí. Pelo contrário. Da década de 1970 para cá, só aumentou. A vitoriosa geração francesa dos anos 1980 - que foi às semifinais das Copas de 82 e 86 e conquistou a Eurocopa em 1984 - contava com uma quantidade digna de forasteiros. O baixinho Jean Tigana, um dos símbolos daquela época, veio ao mundo no Sudão Francês, hoje Mali. O defensor Marius Trésor, outro dos craques daquela época, é natural de Guadalupe. O também defensor Gérard Janvion, a exemplo do hoje famoso zagueiro Varane, também nasceu na Martinica, uma pequena ilha localizada na América Central.
Após alguns anos de ocaso, a seleção francesa viveu de 1998 a 2006 uma era de glórias. Conquistou uma Copa do Mundo (1998), uma Eurocopa (2000) e foi vice de outra Copa (2006), repleta de atletas naturalizados. Nesse período, atuaram nomes como Marcel Desailly (Gana), Lilian Thuram (Guadalupe), Patrick Vieira (Senegal), entre outros. Além deles, havia também gente de origens em outros países. O ídolo Zinedine Zidane, por exemplo, nasceu em Marselha, mas tem pais argelinos, assim como o maior craque francês da atualidade. Afinal, Mbappé é cria de Paris, porém filho de argelinos e camaroneses. E é ele quem está à frente de uma França, mais uma vez tão forte futebolisticamente, quanto multicultural.
Jogadores que fizeram história na seleção da França, mas nasceram em outros países:
- Just Fontaine (Marrocos)
- Jean Tigana (Sudão Francês - Mali)
- Marius Trésor (Guadalupe)
- Gérard Janvion (Martinica)
- Claude Makélélé (Zaire - República Democrática do Congo)
- Marcel Desailly (Gana)
- Christian Karembeu (Nova Caledônia)
- Patrice Evra (Senegal)
- Patrick Vieira (Senegal)
- Lilian Thuram (Guadalupe)
- Florent Malouda (Guiana Francesa)

Veja também

Vasco faz 3 a 0 no CRB e vence a primeira em casa na Série B
Campeonato Brasileiro

Vasco faz 3 a 0 no CRB e vence a primeira em casa na Série B

Vôlei: seleção feminina garante vice-liderança na Liga das Nações
Vôlei

Vôlei: seleção feminina garante vice-liderança na Liga das Nações