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Sem clube, Keila Costa luta para ir ao Pan de Lima

Aos 36 anos, saltadora pernambucana está sem clube e precisa custear do próprio bolso a participação em competições

Keila Costa, saltadora pernambucanaKeila Costa, saltadora pernambucana - Foto: Wagner Carmo/CBAt

Quatro Olimpíadas, três Jogos Pan-Americanos e alguns mundiais no currículo. A pernambucana Keila Costa, de 36 anos, é uma das atletas mais experientes do atletismo nacional atualmente. Manter-se em atividade, no entanto, não está sendo uma tarefa fácil. Em janeiro, Keila, há 11 anos morando e treinando em São Paulo, se viu sem clube. Muitas equipes fecharam ou reduziram seus elencos recentemente. Foi o que aconteceu na Orcampi/SP, que priorizou o trabalho com atletas mais jovens e optou por dispensar a pernambucana, natural de Abreu e Lima.

Sem clube, sem patrocínios financeiros e sem receber o auxílio da Bolsa Atleta nesta temporada, a saltadora cogitou encerrar a carreira no esporte, mas se manteve firme pelo apoio recebido de alguns parceiros comerciais em São Paulo, como clínica médica (Novazzi) e marcas de roupas (NewMillen) e suplementos (1009). Além disso, participa de eventos e palestras para ajudar a custear as competições. É que, sem clube, Keila tem de tirar do próprio bolso os gastos com inscrição, viagens e hospedagens. “Tá osso”, resume ela, que segue treinando com Neílton Moura, seu técnico desde 2012, nas instalações do Núcleo de Alto Rendimento (NAR) de Guarulhos, São Paulo.

No último final de semana, a pernambucana foi vice-campeã no salto em distância durante o Sul-Americano de Atletismo, em Lima, no Peru. Saltou 6.38 metros e ficou atrás somente da compatriota Eliane Martins, que fez 6.71 metros. O evento foi no Estádio da Vila Desportiva Nacional (Videna), mesmo palco onde serão realizadas as disputas de atletismo durante o Pan deste ano, entre os meses de julho e agosto. Keila pôde sentir o gostinho do que pode ser a quarta participação dela em Jogos Pan-Americanos. O caminho até lá, porém, tem exigido muita resiliência.

O Sul-Americano, por ser um campeonato no qual o Brasil compete com seleção, teve os custos pagos pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Mas, para estar no Sul-Americano, ela precisou se classificar. E esses eventos de caráter seletivo são bancados geralmente pelos clubes. Como Keila está sem equipe, tem que investir por conta própria.

Neste ano, ela já participou de dois Grand Prix de Atletismo, na Bolívia e no Chile, onde fez 6.47 metros e 6.45 metros, respectivamente. A classificação para o Sul-Americano saiu, mas a do Pan bateu na trave, já que o índice exigido para garantir uma vaga no salto em distância é 6.48 metros. Agora, o tempo começa a ficar mais curto e o orçamento cada vez mais apertado. Junto com Neílton, Keila traçou o objetivo para a primeira quinzena de junho, período decisivo – as seletivas se encerram no próximo dia 16.

No próximo dia 8, ela disputa o Campeonato Paulista de Atletismo e no dia 16, data limite, participa de um torneio da Federação Paulista de Atletismo (FPA). Keila, provavelmente, competirá pela Orcampi, mesmo sem ser efetiva. É que para entrar nesses eventos é preciso estar ligada a um clube e não haverá tempo hábil para encontrar uma nova equipe e adquirir a documentação necessária de federalização.

Adversidades não são algo raro na trajetória de Keila, que enfrentou lesões sérias nos últimos anos, mas, sempre focada e determinada, venceu os obstáculos. A dispensa do clube atingiu, mas não derrubou a pernambucana, que trabalha forte não só para estar no Pan de Lima, como também para chegar aos Jogos de 2020. Se conseguir, será a primeira competidora do atletismo nacional com cinco olimpíadas no currículo. Em abril de 2018, antes de tal reviravolta, ela disse que o desejo era ir à Tóquio e, depois disso, iniciar a transição de carreira. Um ano depois, o plano segue o mesmo.

“Vou tentando até onde der. Início neste semestre um curso de ‘carreira do atleta’, oferecido pelo COB, que ajuda atletas e ex-atletas a fazererem planejamento e terem um direcionamento pós-carreira como competidor. Teremos alguns especialistas nos ajudando, acho que será bem interessante. Sou formada em Educação Física e pretendo ir por esse caminho”, conta Keila, que tem três medalhas em Jogos Pan-Americanos, todas de prata – nos saltos triplo e em distância no Pan do Rio-2007 e no triplo no Pan de Toronto-2015.

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