Sem Dado, Náutico recomeça o ano

Quarta derrota consecutiva, quarta-feira, agora diante do Guarani/CE, causou saída do treinador

Crise levou técnico a fazer acordo com a diretoria e optar por deixar o clube alvirrubro após sete partidasCrise levou técnico a fazer acordo com a diretoria e optar por deixar o clube alvirrubro após sete partidas - Foto: Flávio Japa/Arquivo Folha

 

O orçamento para montar o time, o nome de quem fica e quem sai, o escolhido para treinar os atletas... tudo que envolve um clube, do mais ínfimo ao primordial, cabe dentro de uma palavra de 12 letras: planejamento. Quando a bola para de rolar em dezembro, entram em cena os dirigentes para definir o que vai ser da instituição ano seguinte. Um esforço que move diversas áreas e profissionais. Afinal, qualquer erro pode custar caro. Imagine, então, você projetar toda uma temporada e, em menos de três meses, alterar drasticamente o curso da história que no papel parecia ideal.

No Náutico, esse trabalhou durou 76 dias - desde a data em que Dado Cavalcanti foi anunciado como técnico até o dia em que deixou o cargo. Ele foi embora e levou consigo parte do planejamento inicial do Alvirrubro. Muito do que estava programado vai mudar. O futuro, sempre incerto, ficou ainda mais. Um recomeço precoce espera o Náutico em 2017.
O que levou a derrocada de Dado? A saída do técnico, segundo o próprio, foi em comum acordo com o clube. A expectativa de um projeto em longo prazo, dando ênfase na base, era (e sempre será) refém dos resultados. No Brasil, dificilmente um treinador tem tempo para consertar uma equipe quando ela começa mal. O que fala mais alto é a necessidade de mudar para tentar diminuir a pressão e encontrar soluções. No Náutico, a cobrança por títulos agrava qualquer cenário - são 13 anos sem taças. É comum no Timbu os profissionais serem descartados após um início de ano fraco - Moacir Júnior, em 2015, foi demitido após nove jogos.

Dado queria um time de toques curtos, transições rápidas e jogadas pelas laterais. Nada disso surtiu efeito na prática. Os atletas reconhecem que poderiam ter feito mais. O técnico tentou, mudou a formação, trocou peças, mas não soube extrair o melhor do seu elenco. Não resolveu os problemas. Ele também admite sua culpa. Os dirigentes do clube, que na derrota para o Campinense, pela Copa do Nordeste, deram um voto de confiança ao profissional, perceberam que discursos sem vitórias são sempre vazios.

Técnico, elenco e diretoria dividem a responsabilidade pela crise. O primeiro, sendo o elo mais fraco dessa tríade, é quem geralmente paga o preço mais rapidamente.
O primeiro passo para replanejar a temporada é definir o nome do novo comandante.

Invariavelmente, isso já acarretará mudanças no estilo de jogo e nos atletas que serão usados. Uns ganharão espaço, outros perderão, além da possibilidade de dispensas e novas contratações. A Copa do Brasil já passou, mas o Campeonato Pernambucano e a Copa do Nordeste estão em disputa. O clube tem pressa, mas não pode se equivocar.

Um novo erro e as consequências serão ainda maiores. O Náutico precisa se recuperar para que os “recomeços“ não se tornem marca registrada de um círculo vicioso do fracasso.

 

Veja também

Casagrande critica omissão da CBF e Bolsonaro: 'Governo da morte, não da vida'
Opinião

Casagrande critica omissão da CBF e Bolsonaro: 'Governo da morte, não da vida'

Ministério Público denuncia 11 pessoas por incêndio no Ninho do Urubu
Futebol

Ministério Público denuncia 11 pessoas por incêndio no Ninho do Urubu