Santa Cruz

Sem previsão de público contra Retrô, Santa Cruz detalha imbróglios no Arruda

Torcedor está a quase dois anos sem assistir uma partida da Cobra Coral no José do Rego Maciel

Estádio do ArrudaEstádio do Arruda - Foto: Alexandre Aroeira/Folha de Pernambuco

“Virar a página”. Este tem sido o principal objetivo do Santa Cruz em 2022, com um início promissor e um elenco reformulado. Porém, um dos problemas que permanece assombrando a diretoria coral é a falta de público no estádio do Arruda. Vetado desde o início da temporada por problemas estruturais, o José do Rego Maciel não recebe o torcedor desde 12 de março de 2020, há quase dois anos. 

Em entrevista à Folha de Pernambuco, o diretor patrimonial do Santa Cruz, Theodorico Silva, detalhou a jornada do clube em busca da liberação do torcedor. “São exigências muito grandes para fazer em pouco tempo e sem recurso. Sem dinheiro, a gente faz o que é possível, como a limpeza, conservação, higienização e melhorias. Não esperávamos que houvesse essa rigidez tão grande de uma hora para outra”, revelou. 

“Nós solicitamos uma nova vistoria e um termo de compromisso, para que as coisas que a gente não cumpriu, que ele prolongue esse tempo para podermos cumprir dentro de três a seis meses. É imprevisível (presença de público no próximo jogo), estamos diariamente entrando em contato com os bombeiros, mas o que eles estão exigindo que a gente cumpra é coisa que não é do dia para noite”, declarou. 

Procurada pela Folha de Pernambuco para repercutir a fala de Theodorico, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) enviou uma nota. Confira abaixo:

Informamos que o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) agendou reuniões com engenheiros dos clubes Náutico e Santa Cruz, que ocorrerão no final desta semana. O objetivo é orientar e esclarecer sobre todos os requisitos que devem cumprir para obter a regularização dos respectivos estádios. Até o momento, não houve confirmação de agendamento pelos responsáveis pelo Sport Club do Recife.  

Vistoria realizada no último dia 20 de janeiro de 2022 reprovou o estádio do Santa Cruz Futebol Clube, que não apresentou os seguintes documentos dentro da validade: a liberação do Corpo de Bombeiros para funcionamento nem o projeto de prevenção a incêndio e pânico. Na mesma data, o estádio do Clube Náutico Capibaribe foi vistoriado e não se apresentaram, dentro da validade, a liberação do CBMPE para funcionamento, o alvará de funcionamento da prefeitura e o projeto de prevenção a incêndio e pânico. Em 22 de janeiro, o estádio do Sport Club do Recife também foi reprovado, pois não apresentou, dentro da validade, esses mesmos documentos.

Enquanto não houver atendimento às exigências necessárias para autorização, os estádios permanecem sediando jogos sem público.

Reunião marcada

Na próxima sexta-feira (25), haverá uma reunião entre os representantes do Trio de Ferro da Capital para definir os próximos passos que devem ser tomados para a liberação do público em partidas no Recife. “O futebol de Pernambuco não pode ficar dessa maneira, os três clubes sem públicos, ninguém imaginava que iria chegar em um ponto desses”, pontuou Theodorico.

Mesmo que o público seja liberado na data da reunião, com limitação no número de entradas disponíveis, a logística joga contra o Santa Cruz, já que a partida contra o Retrô, próximo compromisso pelo Campeonato Pernambucano, sofreu um adiantamento do domingo (27) para sábado (26). Com isso, o clube teria pouco mais de 24 horas para organizar a venda de ingressos, disponibilizar testes de Covid-19 e preparar a sede para receber o torcedor. 

Entre algumas mudanças que estão em andamento no estádio, o diretor destacou a readequação de alguns acessos, diminuindo o número de pessoas que transitavam no local. Além disso, destacou novas saídas de incêndio na parte das cadeiras, com objetivo de liberar o setor, novos acessos de cadeirantes e praças de alimentação na torcida adversária. 

Maior obstáculo

O principal obstáculo do clube às reformas no José do Rego Maciel é a falta de verba para realizar as modificações. Com a queda para Série D, as verbas de patrocínio e premiações na temporada caíram, enquanto as dívidas trabalhistas aumentaram. Uma das alternativas estudadas pelo clube é a mudança do modelo de gestão para Sociedade Anônima de Futebol (SAF), ou seja, uma venda do futebol, parcial ou total, para um investidor externo. Para que a medida seja posta em prática, é necessário uma aprovação dos sócios do clube. 

“A gente está precisando que o sócio aprove, porque do que a gente arrecada a maior parte vai para o futebol, então fica muito difícil realizar essas mudanças só com os recursos vindo dos sócios e patrocinadores. A gente é favorável a mudanças, a modernização e a segurança, mas não pode ser de um dia para noite em um estádio que tem 50 anos”, declarou Theodorico.

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